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Quinta-feira, Maio 11, 2006
AMARÍLIO, HOMEM PÚBLICO DE FÉ
ARTIGO ESPECIAL: por Carlos Alberto Penna Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Barbacena
Às margens do célebre Caminho Novo das Gerais, aberto pelos Bandeirantes no Século XVIII, em um dos mais antigos bairros da cidade de Barbacena, o Alto do Cangalheiro, mais tarde conhecido como Bairro de Santo Antônio, foi onde nasceu, em 10 de setembro de 1942, Amarílio Augusto de Andrade. Seus pais, Brasilino Alexandre de Andrade e Dona Ana Augusta de Assis, eram agricultores e viviam cuidando de uma pequena propriedade rural, donde retiravam o sustento para mantença de uma família numerosa, integrada por doze filhos.
Profundamente religiosa, a família teve como referência única praticar no dia-a-dia os ensinamentos cristãos, em toda sua plenitude, tendo como principal parâmetro a ética do trabalho. A bondade, a honradez e a decência foram exemplos adotados com naturalidade pelos filhos daquele lar, onde sobrava amor.
O menino Amarílio Augusto de Andrade, distinguiu-se, desde cedo, de seus irmãos, ao tornar-se o preferido de seu tio, o eminente Professor Amarílio Augusto de Paula, de quem recebera, como homenagem de batismo, o ilustre nome.
Seu tio, o Professor Amarílio, iniciava, à época, as pesquisas para introdução do cultivo da soja no Brasil. Lecionava Técnica Agrícola na importantíssima Escola Agrotécnica Federal de Barbacena, então conhecida como "Aprendizado Agrícola de Barbacena", jurisdicionada à Superintendência do Ensino Agrícola e Veterinário do Ministério da Agricultura.
O Professor Amarílio Augusto de Paula veio a tornar-se uma das referências nacionais no cultivo e multiutilização da soja e à par de sua condição de professor, cientista e pesquisador, era dotado do dom natural da política.
Vereador à Câmara Municipal de Barbacena, por seguidas legislaturas, até sua morte trágica, vítima de acidente, em 1973, o Professor Amarílio de Paula tomou a si a educação de seu sobrinho-afilhado, Amarílio Augusto de Andrade, que o acompanhava diariamente, depois de cumpridos seus deveres escolares, nas visitas aos amigos e eleitores do tio, na área urbana e na zona rural de Barbacena.
Começa aí, verdadeiramente, a vida política de Amarílio Augusto de Andrade, ainda na primeira idade.
Aos nove anos, foi colhido pela tragédia. Vítima de atropelamento, teve uma gravíssima fratura em uma das pernas, que deixaria seqüelas físicas definitivas. A ortopedia, como especialidade médica, ainda engatinhava no Brasil. Sucessivos tratamentos o prenderam ao leito hospitalar por quatro anos.
Internou-se na Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, donde saiu, anos depois, de um sofrimento extremo, com duas muletas, que o ampararam por doze anos. Tornou-se um deficiente físico, fortemente dependente de próteses. À custa de férrea crença em Deus, de uma vontade de aço de ser útil à humanidade e de superar-se a si próprio, Amarílio Augusto de Andrade, responsabilizou-se, desde criança, por si e por vários familiares. Era o exemplo vivo do bairro onde morava. Adorado e querido por todos, o jovem Amarílio praticou todo tipo de trabalho compatível com sua grave deficiência física. Muitos, em igual situação, "jogaram a toalha" e entregaram-se a uma sorte inglória. Amarílio, ao contrário, traçou e seguiu seu próprio destino. Sua fé em si e na humanidade superou todos os obstáculos.
Terminando o curso primário, teve que interromper, por muitos anos, seus estudos, durante as várias internações hospitalares a que foi submetido. Voltou às aulas de muletas, ingressando no turno da noite, na Escola Técnica de Comércio de Barbacena, posteriormente denominada com o nome de seu fundador e diretor, Escola Técnica de Comércio Plínio Alvarenga. Lá viveu e vivenciou ricos ensinamentos humanísticos.
Foi nesta escola técnica que tornou-se amigo de vários colegas. Um desses, o autor destas linhas, que cursava simultaneamente o Curso Científico no Colégio Estadual de Barbacena, é seu amigo há mais de quarenta anos. Em dezembro de 1968, Amarílio diplomou-se, com distinção acadêmica, no Curso Técnico em Contabilidade. Foi uma conquista muito comemorada. Lá estavam, em sua formatura, todos seus familiares.
Desde 1961 Amarílio Augusto de Andrade havia ingressado, por concurso, na Agência de Barbacena do Banco de Crédito Real de Minas Gerais, instituição estatal de crédito, fundada ainda no Império. Começara, como contínuo, uma carreira profissional que concluiria trinta e cinco anos depois como Vice-Presidente da Diretoria Executiva deste importantíssimo estabelecimento de crédito, depois de exercer as diretorias da Credireal Financeira e da Financeira do Banco do Estado de Minas Gerais-BEMGE e ter sido eleito Conselheiro de Administração do Banco de Crédito Real.
Enquanto estudante da Escola Técnica, atuara na política estudantil, como Presidente do Grêmio Escolar e na famosa UESB, União dos Estudantes Secundários de Barbacena, como Diretor. Eram anos turbulentos na vida nacional. O Brasil engalfinhava-se em lutas intestinas para definir sua vocação. O jovem Amarílio defendia posições nacionalistas, com ardor de juventude. Ainda bancário e estudante, Amarílio casara-se em 2 de maio de 1961 com Rosita Magalhães de Andrade e, desta união, tiveram cinco filhos: Júlio César, Simone, Tony Marcos (falecido em 8 de abril de 1991, vítima de acidente automobilístico), Alex e Anabela. A esses filhos juntaram-se, de outras uniões: Pablo, Lucas e Amarílio Júnior.
Seu tio faleceu em 1973. Em 1976 Amarílio ingressou na vida pública, filiando-se ao MDB-Movimento Democrático Brasileiro, partido que fazia oposição à ditadura militar. Elegeu-se, nesse ano, com 691 votos, Vereador à Câmara Municipal de Barbacena, tornando-se logo, na primeira Sessão Legislativa, seu Presidente, cargo para o qual foi eleito e reeleito por onze vezes, por seus pares, em diversas legislaturas.
Em 1976, diplomou-se em Direito, na Faculdade de Direito de Conselheiro Lafayete. Fez o "exame de ordem" da OAB e ingressou na advocacia, praticando-a, desde então, em proveito público e na assistência jurídica, sem remuneração, aos necessitados e carentes. Fez da advocacia o mesmo apostolado que fizera, a partir de 1969, como professor secundário de várias escolas em Barbacena.
Em verdade, o magistério sempre foi sua primeira vocação, por influência de seu tio. Hoje, conta em seu currículo milhares de ex-alunos, nos mais de 30 anos nos quais lecionou várias disciplinas técnicas.
O ponto alto de sua nascente carreira parlamentar dá-se, anos depois, na década de setenta, no auge da ditadura militar, quando a Amarílio enfrentou o então General-Presidente Ernesto Geisel, negando, com voto de Minerva, a aprovação de uma esdrúxula "Moção de Aplauso" ao fechamento do Congresso Nacional, proposta pelo bloco governista. Seu comportamente, neste heróico episódio, valeu-lhe o respeito e admiração do Dr. Sobral Pinto, que afirmou, textualmente: "O Senhor, Dr. Amarílio Augusto de Andrade, muito digno e respeitável Presidente da Câmara Municipal de Barbacena, me faz lembrar os meus anos de juventude, pela sua coragem, destemor e desassombro, expondo-se, com risco de perda de seus direitos políticos, de sua liberdade e até de retaliações mais graves, ao reprovar, com muita veemência, o gesto prepotente, despótico, ilegal e manifestamente inconstitucional do Excelentíssimo Senhor Presidente da República, General Ernesto Geisel, de decretar o fechamento do Congresso Nacional, votando contra a aprovação, na Câmara Municipal de Barbacena, justamente de uma absurda 'Moção de Aplauso' a este gesto presidencial tirânico. Essa coragem, em tempos de ditadura, fala por si só."
Desde esta época, o então Deputado Federal, futuro senador, governador de Minas e Presidente eleito da República, Tancredo Neves, sempre se referia ao Amarílio como: "O homem que enfrentou Geisel".
A Câmara Municipal de Barbacena, sede do Poder Legislativo Municipal, onde atuava, estava instalada e funcionava desde 1791, no imponente e majestoso sobradão colonial, construído em 1754, de linhas sóbrias e elegantes, na praça principal de Barbacena, fronteiro à Igreja-Matriz de Nossa Senhora da Piedade, idealizada a partir de 1725. Este prédio é uma das mais importantes edificações da história de Minas Gerais e necessitava, à época, de uma restauração artístico-arquitetônica. Amarílio, como presidente da Câmara, com profundas preocupações com a defesa do patrimônio histórico e artístico, nomeou uma Comissão de Notáveis, assim denominada, pela portaria que a instituiu, integrada pelos professores Carlos Alberto Penna Rodrigues de Carvalho (Presidente), Plínio Tostes de Alvarenga, Fernando Campos Duque-Estrada, José Mendes de Vasconcelos Júnior e Joacir Silva Concelos, comissão essa que coordenou o projeto de restauração, sugerindo que fosse dada a denominação de Palácio da Revolução Liberal ao edifício, pois foi neste mesmo local, que, em 10 de junho de 1842, foi deflagrada a Revolução Liberal e empossado, no cargo de Presidente Provisório da Província de Minas Gerais, o Barão de Cocais. A Revolução Liberal de 1842 foi o mais importante conflito interno armado ocorrido durante o Império, em Minas Gerais, com centenas de mortos e feridos. Minas, tendo em Barbacena seu quartel-general da Resistência, reagia à prepotência, no Império, como fizera na Inconfidência, no Brasil-Colônia, e no claro apoio à Independência, por ocasião da Regência do então Príncipe Dom Pedro, filho de Dom João VI, Rei de Portugal.
Barbacena, por sua elite pensante, tornar-se-ia, de fato, republicana, filosoficamente, muito antes da efetiva Proclamação da República, ocorrida em 15 de novembro de 1889.
Em momento grave de sua história, Barbacena, representando Minas Gerais, ligava-se à São Paulo, onde irrompera, simultaneamente, o Movimento Liberal de 1842, tão bem retratado na célebre obra do Cônego Marinho: "História do Movimento Político, que teve lugar no ano de 1842, na Província de Minas Gerais".
Noventa anos depois, em 1932, Minas, pela voz quase isolada do então ex-Presidente da República Arthur Bernardes, propusera, sem êxito, a repetição dessa união liberal na Revolução Constitucionalista. O ponto culminante da voz de Minas, neste episódio, está expresso nesta declaração de Arthur Bernardes, honrado e venerando homem público, exemplo de decência e nacionalismo, paradigma de Minas em sua melhor fase: "Quanto a mim, estou com São Paulo, pois para lá se transportou a alma cívica da Nação brasileira".
Na Presidência da Câmara, Amarílio, como dissemos, deflagrara o resgate da memória histórica de Barbacena. Inúmeros barbacenenses ilustres, mas esquecidos, foram sendo chamados à cena e homenageados. O primeiro e mais importante destes, foi o jurista Heráclito Fontoura Sobral Pinto, tido como o Patrono Cívico dos Direitos Humanos no Brasil. O Doutor Sobral Pinto teve seu ilustríssimo nome atribuído a uma Medalha que é conferida, anualmente, a personalidades que se destacarem na defesa das liberdades públicas, por um Conselho Permanente, presidido pelo Presidente da Câmara Municipal de Barbacena.
Em 1982, o Brasil já estava adulto, após 18 anos de ditadura, para a arrancada democrática que, três anos depois, em 1985, elegeria Tancredo Neves presidente da República. O primeiro passo era levar o então senador Tancredo Neves ao cargo de governador do Estado de Minas Gerais.
Amarílio foi convocado, diretamente, por Tancredo Neves, de quem era amicíssimo, para essa importantíssima empreitada eleitoral.
Foram mobilizadas todas as forças da Oposição, agrupadas no então PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), e a região de Barbacena, englobando 45 municípios vizinhos, partiu, literalmente, para o "tudo ou nada". Ao término da refrega eleitoral de 15 de novembro de 1982, o PMDB conseguira, na região, uma vitória esmagadora e ajudara a eleger Tancredo governador de Minas.
Em 15 de março de 1983 Tancredo Neves assume o Governo de Minas e convoca Amarílio Augusto de Andrade para diretor da Credireal Financeira. Em agosto de 1984, Tancredo renuncia ao mandato de governador, desincompatilizando-se, para concorrer à presidência da República, no Colégio Eleitoral, em 15 de janeiro de 1985.
Eleito Presidente da República, Tancredo Neves telefona para Amarílio e o avisa para preparar-se para um chamamento federal. Teria uma missão, para ele, em Brasília.
Infelizmente, uma tragédia abateu, em pleno vôo da vitória, o presidente eleito Tancredo Neves. Vítima de grave moléstia, foi internado, em Brasília, no dia da posse, e faleceu em São Paulo em 21 de abril de 1985. O País tinha, então, um novo presidente, que era o vice de Tancredo.
Amarílio continuou diretor da Credireal no Governo Hélio Garcia (1984-1987), que sucedera, em Minas Gerais, ao Dr. Tancredo. Hélio Garcia cumpriu todos os compromissos de campanha do Dr. Tancredo, mantendo, nos cargos, as pessoas que os ocupavam.
Em 1986 é eleito Governador de Minas pelo PMDB o ex-prefeito de Contagem (MG), Newton Cardoso. Velho amigo e correligionário de Amarílio, Newton o convoca em seqüência, para três cargos importantes: Diretor da Financeira BEMGE, Conselheiro do Conselho de Administração do Banco de Crédito Real e, finalmente, Vice-Presidente Executivo do Banco de Crédito Real.
Amarílio atinge, neste cargo, o ápice de sua carreira profissional, que começara em 1961, quanto ingressara, como contínuo, na agência de Barbacena, do mais tradicional e antigo banco de Minas Gerais.
Em 1988, Amarílio deixa o PMDB e funda, em Barbacena, o Diretório Municipal do PMB-Partido Municipalista Brasileiro. Nesta legenda, concorre a Vice-Prefeito de Barbacena, sendo eleito com expressiva votação.
Em 1988 ocupou o cargo de Prefeito de Barbacena por várias semanas, durante a licença de saúde do titular.
Entre 1992 e 1996 estrutura, pacientemente, na região de Barbacena, dezenas de diretórios de seu atual partido político, o PSC-Partido Social Cristão, fundado pelo líder político Victor Nósseis. Em 1996, retoma seu mandato de vereador à Câmara Municipal de Barbacena, obtendo 891 votos. Desde então, é reeleito, sucessivamente, em 2000, com 2.121 votos (o mais votado de Barbacena) e, em 2004, com 2.081 votos (o segundo mais votado).
Durante sua vida pública, Amarílio recebeu centenas de homenagens e distinções, sendo condecorado com várias medalhas, dentre as quais a Medalha da Inconfidência (nos três graus), a Medalha Santos Dumont (bronze, prata e ouro), a Medalha do Mérito do Poder Legislativo de Minas Gerais (graus mérito e mérito especial) e a Medalha do Mérito Aeronáutico. Desde a primeira legislatura que participou como vereador (1977-1983), Amarílio foi eleito por seus pares onze vezes presidente da Câmara de Barbacena, sendo que, nas duas últimas vezes (2004 e 2005), por unanimidade, um fato absolutamente raro na história do legislativo, desde sua fundação em 1791.
A superação de tragédias faz parte do cotidiano da vida pessoal de Amarílio. Ainda criança, como já dissemos, é atropelado gravemente e fica semanas entre a vida e a morte. Este acidente o transforma em deficiente físico. Durante quatro anos esteve internado em hospitais de Barbacena e do Rio de Janeiro, sofrendo dores atrozes.
Sai do hospital amparado em duas muletas e só se livra delas doze anos depois, à custa de uma vontade férrea de viver e de uma disciplina rigorosíssima de comportamento. Supera tudo isso e faz desta experiência dolorosa o motivo principal para ajudar os necessitados.
Em 2000 novamente é colhido pelo destino para uma nova provação. É diagnosticada a ocorrência de um câncer em sua garganta, já em estágio avançado. Milagrosamente, salva-se após uma cirurgia em que esteve entre a vida e a morte. À custa de uma crença inabalável em Deus e de longos e dolorosos tratamentos rádio e quimioterápicos, supera o câncer e retoma o uso da voz, que havia perdido.
Eis, aí, um novo Amarílio, vitorioso, que acredita e aposta na vida e no trabalho. Desde sua vitória contra o câncer, dedica-se, ainda mais, ao bem comum, com uma fé inabalável na capacidade de se superar em prol da coletividade.
Fundou, com velhos e novos companheiros, o Núcleo Regional de Barbacena de Voluntários de Prevenção e Combate ao Câncer do Hospital Mário Penna e, desde então, passou a dedicar-se, de corpo e alma, a essa obra meritória, ajudando a salvar e melhorar as condições de saúde de milhares de pacientes oncológicos.
Durante seus trinta anos de vida pública, Amarílio Augusto de Andrade pode apresentar, claramente, um dossiê de realizações para as quais colaborou, ativamente, participando direta ou indiretamente, da consecução de importantes obras públicas e iniciativas que resultaram em medidas de interesse coletivo.
Em seqüência, três momentos principais conferem marca de excelência à sua entrada na vida pública, na Legislatura iniciada em 1977:
1) Restauração artístico-arquitetônica do prédio da Câmara Municipal de Barbacena, construído em 1754 e adquirido para ser Edifício-Sede do Poder Legislativo, em 1791, denominando-o, por Resolução aprovada por unanimidade, como Palácio da Revolução Liberal, acatando sugestão da Comissão de Notáveis.
2) Institucionalização do conjunto de leis e normas municipais que conferiram a efetiva independência administrativo-financeira à Câmara Municipal de Barbacena, permitindo o pleno exercício da soberania do Poder Legislativo.
3) Resgate efetivo da memória histórico-político-sociológica de Barbacena, por meio de ações objetivas de valorização de nosso patrimônio cultural.
A vida de Amarílio Augusto de Andrade, sua conduta pessoal ilibada, tanto na Oposição quanto no Governo, além do vastíssimo conjunto de realizações em proveito público, como algumas de suas citadas posturas iniciais de vanguarda, dão mostras da estatura de um homem público de fé, que tem merecido, ao longo de trinta anos de vida pública, o reconhecimento efetivo de seus concidadãos
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Segunda-feira, Maio 15, 2006
ARTIGO ESPECIAL de William Freire SOBRE MEIO AMBIENTE
 William Freire[i] - Advogado Especializado em DIREITO AMBIENTAL E MINERÁRIO. Leia Seu currículo Completo, Clique Aqui
Nas Ordenações Filipinas já constava[ii]:
"O que cortar árvores frutíferas, em qualquer lugar, pagará ao seu dono o valor estimado dela em triplo.
"E se a árvore danificada valer quatro mil réis, será açoitado e degredado para a África por quatro anos.
"Se a árvore danificada valer trinta cruzados ou mais, será degredado para sempre para o Brasil".
Mesmo a preocupação com o ambiente sendo antiga no mundo, o Brasil entra no Século XXI com problemas básicos em matéria de preservação ambiental. A ausência de saneamento básico, por exemplo, que transforma nossos rios em esgotos a céu aberto, faz com que o País enfrente, hoje, doenças há muito erradicadas dos Países desenvolvidos[iii].
Enquanto o mundo repudia a política dos Estados Unidos da América, que se nega a ratificar o Tratado de Kyoto, no Brasil ocorrem grandes avanços em termos de consciência e preservação ambiental.
Há um significativo esforço de doutrinadores, do Ministério Público e do Judiciário para aprender e bem aplicar o Direito Ambiental.
Isso torna a função de todos os atores mais complexa diante da demanda ambiental: de um lado, devem tolher abusos, protegendo a livre iniciativa e a utilização dos recursos naturais colocados pela natureza à disposição da humanidade, que geram riqueza, crescimento econômico e bem-estar social; de outro, devem garantir a utilização dos recursos naturais de forma ambientalmente sustentável.
O Promotor de Justiça Luís Fernando Cabral[iv], em Ação Civil Pública proposta na Comarca de Bacabal/MA, percebeu bem a importância dos dois interesses envolvidos:
"Com efeito, o desenvolvimento sustentável nos leva à convicção de que a preservação do meio ambiente como própria garantia de continuidade à espécie humana deve ser equacionada às necessidades de desenvolvimento, geração de emprego e movimentação de capital, mormente nos países de terceiro mundo, onde perduram muitos rincões de subdesenvolvimento."
O Direito não pode ser considerado algo abstrato, inatingível, pois tem como função regular situações reais, muitas vezes compondo conflitos em que ideologias - sadias ou não - se confrontam. Num país como o Brasil, onde mais da metade da população vive abaixo da linha de pobreza, a realidade está longe das filigranas jurídicas e das discussões meramente acadêmicas.
A aplicação da lei ambiental tanto suscita paixões legítimas como oportunistas. Por isso, ao Judiciário toca, na tarefa, significativa responsabilidade: a de encontrar o ponto de equilíbrio entre as tendências contraditórias do desenvolvimento exasperado e a da preservação romântica. "Neste processo, submetido à revisão do Tribunal, encontro as duas tendências: a da indústria, inserida em regime capitalista de agressiva competição, degradando o meio ambiente em nome do desenvolvimento; e a da sociedade, representada por instituições para isso legitimadas, em reação talvez exagerada, expondo a risco o próprio desenvolvimento e os valores que ele suscita." [v]
Daí a importância de o julgador manter-se sempre atento aos outros ramos do conhecimento e à realidade à sua volta, seja pela convivência com seus semelhantes, seja pelo interesse por assuntos que extravasam as Ciências Jurídicas.
A missão do juiz não é simples. Eqüidistando-se do conflito, deve perceber as paixões por trás de cada argumento para tornar-se protagonista do justo, da justiça e do direito.
Por isso, cabe trazer a lição do Tribunal de Justiça gaúcho[vi]:
"Embora louvável o movimento ecologista, ao julgador impende, na apreciação das questões que dizem com o meio ambiente, retirar-lhes a carga de emoção e demagogia. Não podemos pretender voltar à idade das cavernas. E é, com a devida vênia, incompreensível tentar obstaculizar o crescimento do homem e da sociedade, no conjunto de sua evolução espiritual e material, na exploração correta das potencialidades econômicas postas à sua disposição pela natureza".
Regras para a boa aplicação do Direito Ambiental
A aplicação da lei ambiental segue algumas regras básicas:
1) Lei Nacional de Política Ambiental. O primeiro princípio está estampado no artigo 4º, inciso I: "A política do meio ambiente visará à compatibilização do desenvolvimento econômico-social com a preservação da qualidade do meio ambiente e do equilíbrio ecológico".
O desenvolvimento econômico e social não só é bem-vindo, como absolutamente necessário[vii]. O esforço é no sentido de criar mecanismos tecnológicos, locacionais e financeiros para que se facilite a adequação do empreendimento à sustentabilidade ambiental.
2) Princípio da Legalidade. Os atos administrativos ambientais são vinculados, não permitindo discricionariedade ou flexibilização que afete a segurança do Administrado.
3) Licença Ambiental vinculada aos resultados dos estudos ambientais. Se os estudos ambientais, apesar de toda tecnologia disponível, das medidas mitigadoras e das medidas compensatórias possíveis, concluírem que o empreendimento não é ambientalmente sustentável, nenhuma autoridade no mundo poderá outorgar essa licença. Por outro lado, se os estudos ambientais demonstrarem que, usando a tecnologia disponível, as medidas mitigadoras e as medidas compensatórias possíveis, mais outros fatores, o empreendimento é ambientalmente sustentável, o empreendedor terá Direito Subjetivo à sua obtenção, com presteza e eficiência.
4) Limites Legais de Tolerabilidade. A sociedade necessita dos bens comerciais, industriais e de serviços, mais as atividades sociais para viver, sobreviver e se relacionar. Então, é natural que algum incômodo deva tolerar: algum barulho, alguma fumaça, algum transtorno. Até esse limite, há legalidade; acima dele, a ilegalidade[viii].
5) Aplicação do Princípio da Precaução com responsabilidade. O princípio da Precaução deve ser utilizado como resposta a um problema identificado, mas, não como panacéia que impeça o desenvolvimento tecnológico ou científico.
O Princípio da Precaução é um valor importante, mas não é o único valor que deve ser levado em conta nas decisões que envolvam a proteção do ambiente, o desenvolvimento tecnológico e as necessidades materiais e imateriais da sociedade.
Por fim, todos devem estar atentos que esse Princípio da Precaução vem sendo desvirtuado a favor de interesses individuais que nenhum compromisso têm com a preservação ambiental. O Princípio da Precaução também vem sendo brandido como forma de ocultar escusos interesses de protecionismo comercial.
6) Atenção ao Princípio da Significância. Princípio da Significância é aquele que estabelece que somente os fatos ou atos que sejam de relevância para o ser humano merecem proteção jurídica.
Essa valoração, que atribui efeito a um fato, nada mais faz do que adjetivá-lo. Ao atribuir conseqüências jurídicas ao fato, cria direitos e obrigações para os administrados, razão pela qual somente pode ocorrer por via de lei em sentido estrito, diretamente ou por norma emanada de órgão expressamente delegado (como o CONAMA).
O Princípio da Significância estabelece que somente os fatos ou atos que tenham relevância para o ser humano merecem proteção jurídica. A relevância deve ser real. Uma estrela cadente é bela, mas não tem significância jurídica. Não pode ser inserida numa estrutura normativa sob pena de ridículo, porque o Direito valora racionalmente os fatos antes de elevá-los à categoria de fatos jurídicos.
O mundo dos direitos é constituído pela relações jurídicas. Compõem-se dos acontecimentos do mundo fático que sejam relevantes para a sociedade, somente as ocorrências fundamentais aos valores de convivência participam deste mundo. Podem ser construídos juízos positivos ou negativos, denominados juízos de valor.
O Direito é forma de vida intencionalmente regida por valores, dá garantia a uma situação de seguridade que deve ser justa. O fato, para ser juridicamente protegido, deve ter relevância para o bem-estar da coletividade. Deve ter sido valorado em consonância com a regra jurídica e o suporte fático.
O art. 225, IV, CR/88, exige que a instalação de obra ou atividade que possa causar significativa degradação ambiental seja precedida de prévio Estudo de Impacto Ambiental.
A Constituição Federal reforça o Princípio da Significância aplicado à proteção ambiental ao mencionar ações que impliquem "significativa" degradação ao meio ambiente. Está admitindo a valoração da interferência no ambiente.
O Princípio da Significância aplicado à proteção ambiental busca uma compatibilização do desenvolvimento econômico-social do país com a preservação da natureza. O intuito é evitar que uma obra ou atividade importante sob o ponto de vista econômico ou social seja impedida de realizar-se, baseada em degradação ambiental não relevante.
A Resolução CONAMA 001/86 reafirma o Princípio da Significância aplicado à proteção ambiental, expondo de maneira exemplificativa os casos em que haverá necessidade do EIA, se e quando houver significativa possibilidade de degradação ambiental. Nas hipóteses do art. 2º da citada Resolução, o estudo é obrigatório, por considerá-las, a partir de um juízo prévio de valor, significativamente impactantes ao meio ambiente.
A Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, ocorrida no Rio de Janeiro, em 1992, enfatizou o Princípio da Significância aplicado à proteção ambiental. Proclamou em seu Princípio XVII que todas as propostas que produzirem um impacto mais significante ao meio ambiente estariam sujeitas a decisões de competência da autoridade nacional.
7) Medidas extremas, como interdições sumárias, somente em caso de ocorrência de risco qualificado ou desrespeito contumaz à ordem jurídica ambiental. Esse princípio parte da percepção de que é o setor produtivo - de serviços, comercial ou industrial - que gera progresso e sustenta o Estado, e, por isso, deve ser respeitado. Esse conceito está estampado no Agravo de Instrumento n.º 232.916-7.00[ix], julgado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, na equilibrada lição do Desembargador LÚCIO URBANO:
"Nenhuma dúvida que salutar a defesa do meio ambiente, em cuja messe o Ministério Público de Minas Gerais, felizmente, anda empenhado, de modo vigoroso, impondo-se, por isso mesmo, o respeito de todos.
"Se de um lado é benéfica a defesa do meio ambiente, de outro lado igualmente benéfica é a atividade empresarial, porque dela advêm recursos traduzidos em impostos, como também a solução do problema do desemprego.
"Ambos, portanto, são muito importantes, sem se divisar supremacia de um sobre o outro.
"Não se deve alimentar conflito entre tais interesses, mas conciliá-los.
"A suspensão imediata e liminar da atividade de uma empresa, em razão de poluição do meio ambiente, deve ser imposta somente diante de risco qualificado. (...)
"Certo é que se precisa de ambas as atividades: meio ambiente saudável e empresa geradora de riqueza."
Julgando Agravo de Instrumento originário da Comarca de Guarujá, o Tribunal de Justiça de São Paulo traz interessante lição no voto do Relator:[x]
"Embora louvável, portanto, a tenacidade de quantos desfraldem a bandeira da defesa ecológica, principalmente dos ilustres órgãos do Ministério Público integrantes da equipe de proteção do meio ambiente, a aplicação dessas leis, pelo Judiciário, reclama criteriosa análise de cada caso concreto considerado, com minudente dissecação de todos os ângulos apresentados, a fim de que, aquilo que deve ser uma conquista no sentido do avanço do Homem, rumo ao seu melhor destino, não venha a constituir empecilho à sua caminhada".
Busca do desenvolvimento e proteção ambiental sem demagogia
A proteção do ambiente nunca foi excludente ou empecilho do desenvolvimento e do lucro. Ao contrário, o racional aproveitamento dos recursos naturais potencializa os benefícios que podem ser extraídos dos recursos que a natureza colocou à disposição da humanidade.
Os verdadeiros inimigos do ambiente são:
1. Leis e regulamentos sem qualidade[xi]. Algumas regras jurídicas são elaboradas sem cuidado e ao sabor da pressão ou mídia do momento. Criam polêmica, dificuldade de aplicação e favorecem a judicialização da questão ambiental.
2. Politização da questão ambiental: a política toma lugar da visão técnica, econômica e social em assunto tão relevante para o destino da Nação;
3. Ausência de qualidade e agilidade na gestão ambiental pública;
4. Municípios que não investem em saneamento básico. Nosso País consolida sua posição de esgoto a céu aberto, em flagrante prejuízo das comunidades mais pobres.
A realidade é que, em primeiro lugar, absoluto, aparece o Estado-Poluidor, que permite que milhões de toneladas de esgotos não tratados sejam jogados em nossos rios anualmente. As estatísticas são alarmantes. O jornal do Projeto Manuelzão, de novembro de 2004, p. 10, informa que "apenas 5,2% (isso mesmo, apenas 1/20 avos) de poluentes coletados em Minas Gerais são tratados antes de serem despejados nos rios".
Dos 15 milhões de metros cúbicos de esgotos produzidos no Brasil por dia, somente 5,1 milhões recebem algum tipo de tratamento (já considerando o tratamento primário, quando se retira apenas a parte sólida do esgoto). Se se considerar o tratamento secundário, as estatísticas desabam ainda mais).
Em segundo lugar, vem a atividade agropecuária descontrolada, que devasta um campo de futebol a cada quatro minutos. A partir daí surgem as queimadas e a destruição da mata ciliar. Toneladas de solos removidos inadequadamente assoreiam os rios. Toneladas de agrotóxicos poluem o lençol freático e os cursos d'água. Numa entrevista publicada no Jornal de Casa de 06.11.99, um representante de uma das mais conceituadas ONGs ambientais declarou: "P: Hoje o setor agrícola é o mais atrasado em termos de política ambiental? R: A agricultura brasileira, nestes 500 anos, vem sendo feita na base da política de terra arrasada. (...) Aqui em Minas, onde conheço melhor, a agricultura malfeita e predatória responde, no mínimo, por 60% da degradação ambiental".
Conclusão
Nenhum cidadão pode defender a intervenção desregrada no meio ambiente. Mas, também, não pode fingir que não percebe a ineficiência, os desmandos e os oportunismos que ocorrem em torno da questão ambiental.
Enquanto na Comunidade Européia a renda per capita é cerca de US$ 34 mil, no Brasil é cerca de R$ 3 mil (11 vezes menor). No Brasil, há 27 milhões de pessoas vivendo com menos de meio salário mínimo mensais. Há famílias inteiras tirando seu sustento de lixões - cerca de 25 mil pessoas - disputando a comida com os urubus. Dados recentes mostram que pelo menos 7,5 mil pessoas residem em lixões no Brasil. Já há lixão em São Paulo para o qual há fila de espera.
Há necessidade urgente de afastar os mecanismos que impedem que a questão ambiental seja uma aliada do desenvolvimento.
O Brasil caminha rápido para o ponto de equilíbrio, em razão do amadurecimento acelerado que todos vêm experimentando. A direção aponta para o aprimoramento do Princípio do Desenvolvimento Sustentável, que nada mais é do que o esforço de todos para a compatibilização do desenvolvimento econômico e social com o uso racional dos recursos naturais.
O momento é de trabalho e cooperação de todos na busca da solução dos conflitos ao invés de alimentá-los. Isso, sim, em favor do País e das futuras gerações.
-------------------------------------------------------------------------------- [i] Advogado formado pela UFMG. Especializado em Direito Ambiental. É autor dos seguintes livros: Comentários ao Código de Mineração (2ª Ed. Aide, 1996). Revista de Direito Minerário (Editora Mineira, 1997- Coordenador). Direito Ambiental Brasileiro (Ed. Aide. 1998). Código de Mineração Anotado e legislação complementar mineral e ambiental em vigor (2ª Ed. Mandamentos, 2002). Dicionário de Direito Minerário. Inglês-Português (Ed. Revista de Direito Minerário, 2002). Recurso Especial e Extraordinário (Ed. Mineira, 2002). Os recursos cíveis e seu processamento nos Tribunais. (Editora Mineira, 2003). Dicionário de Direito Ambiental e Vocabulário técnico de Meio Ambiente (Editora Mineira, 2003 - Coordenador). Direito Ambiental aplicado à mineração (Ed. Mineira, 2005). Dentre outras atividades, é Coordenador e orientador do Programa Formação e Aperfeiçoamento de Negociadores Ambientais e coordenador da Câmara de Avaliação de Indenizações e Medidas Compensatórias Ambientais. Coordenador e instrutor do curso de Gestão de Crises Ambientais da ÉTICA AMBIENTAL. www.williamfreire.com.br. [ii] Livro V, Título LXXV. [iii] De uma maneira geral, pode-se afirmar que cerca de oitenta por cento de toda poluição nacional são produzidas pela ausência de saneamento básico e por atividades agropecuárias irregulares. Às demais atividades sociais e produtivas cabem os vinte por cento restantes. [iv] In Revista de Direito Ambiental, vol. 03, p.332. [v] Jurisprudência Mineira 125/183. [vi] RJTJRS 133/364. [vii] Nessa linha de raciocínio, forçoso é reconhecer que ninguém, em sã consciência, defende o descaso ambiental. Por outro lado, o Brasil necessita de avançar nas conquistas socioeconômicas. Isso impõe, urgentemente, criar um modelo em que se favoreça o desenvolvimento sustentável e a eficiência na Administração Pública. [viii] A jurisprudência já percebeu esse conceito: "A responsabilidade objetiva pelo dano ambiental deve ser contextualizada, pois sempre haverá um custo ao ambiente com obras como a ora atacada, mas, aí, não cabe falar em dano ambiental, mas sim, em preço ambiental (TRF 4ª Região. Embargos de Declaração na Apelação Cível n.º 0422034-7. Acórdão RIP 04220347. 3ª Turma. Unidade Federal: Santa Catarina. Data da decisão: 13/03/1997. DJ 21/05/97, p. 036077). [ix] TJMG. Agravo de Instrumento n.º 232.916-7.00. Relator: Des. Lúcio Urbano. DJMG 10.04.04. [x] TJSP. Agravo de Instrumento nº 107.989-1. 5a Câmara Cível. Julgado em 08/06/896. Leis e regulamentos malfeitos, gerando polêmica, dificuldade na sua aplicação. in RT 646/60. [xi] Otto Von Bismarck:"Se o povo soubesse como são feitas as leis e as salsichas, não dormiria tranqüilo".
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Terça-feira, Maio 16, 2006
ARTIGO ESPECIAL: COMÉRCIO EXTERIOR DEPENDE DE MERCADO INTERNO FORTE.
MERCADO INTERNO FORTE É CONDIÇÃO PARA SUSTENTABILIDADE DO CRESCIMENTO DAS EXPORTAÇÕES
SÍLVIO ABREU CAMPOS Consultor de Comércio Exterior da FECOMÉRCIO-MG.
Diante da euforia com os resultados do nosso comércio exterior, justificada por números como a duplicação das exportações no espaço de apenas 3 anos , é bom lembrar que para sustentá-lo precisamos construir um mercado interno forte que dê respostas adequada a esse crescimento. O mercado externo nunca deve ser visto como alternativa para um mercado consumidor interno fraco e inapto a absorver a produção nacional (em razão do baixo poder aquisitivo da maioria da população, da queda na renda e das pífias taxas de crescimento experimentadas pelo país nesses últimos anos), mas deve ser encarado como forma de alocar os excedentes e desenvolver a produção interna. Países com o perfil do Brasil precisam crescer a taxas elevadas, como aquelas observadas nos países do sudeste asiático. Não podem ter qualquer receio de ostentar percentuais de crescimento próximos dos 10% e seguidamente, como está fazendo a Argentina, nosso vizinho e parceiro no Mercosul, para não falar em países como a China e a Índia, que vêm exibindo taxas médias de crescimento exponenciais há quase meio século. Entretanto, não há como crescer assim , desprezando deliberadamente os pré-requisitos para que isso de fato ocorra. Não há como conceber uma perspectiva desta, num cenário onde a taxa de juros descontada a inflação supera os doze pontos percentuais contra apenas 2 pontos de média mundial, a carga tributária se aproxime dos 40%, contra média de 16 a 17% na maioria dos países emergentes. Nosso investimento não passa de 20% do PIB, contra quase o dobre desse percentual na China. Não podemos continuar a reboque do que acontece no mundo. Nosso comércio externo cresce, mas o faz, sobretudo nas ondas de uma fase de duradoura liquidez internacional que vem acarretando expansão da economia e demanda mundiais. No entanto, se esse crescimento superlativo brecar de repente, onde alocaremos toda nossa produção? Há muito temos alertado para a necessidade de construirmos um mercado interno forte e inclusivo de uma horda de subconsumidores brasileiros que estão ainda à margem. E isso se faz, sobretudo com forte investimento em educação, preparando e qualificando melhor os nossos trabalhadores, realizando melhorias na infra-estrutura ( energia, transporte, logística, etc) e reformando os nossos anacrônicos sistemas de estruturação do Estado. É verdade, que não faltam também pontos positivos, a começar pelo grande e privilegiado espaço geográfico com que fomos aquinhoados, denso de recursos naturais e pela criatividade e senso de inovação peculiar a nossa gente.
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Sexta-feira, Maio 19, 2006
ARTIGO ESPECIAL: COMO ESCAPAR DA FOME DO GOVERNO POR IMPOSTOS?
Temos defendido, de maneira insistente, que a melhor solução para sairmos do círculo vicioso de freqüentes aumentos da carga tributária (já no seu limite) para cobrir as despesas dos Governos nos diversos níveis federativos, a necessidade um intenso ajuste pelo lado de suas respectivas despesas, racionalizando-as ao máximo, notadamente em face da descomunal gastança e desperdício de recursos em atividades-meio e que deveriam ser canalizados para melhor aproveitamento nas atividades fins do Estado em seus diversos desdobramentos administrativos. É preciso, com a maior urgência , dotar a anacrônica ,burocrática e emperrada máquina estatal de instrumentos de controle e métodos de gestão mais modernos , eficientes e eficazes, como já bem apercebido por alguns administradores públicos, com excelentes resultados práticos. O excessivo peso da tributação no Brasil, fortemente calcada na produção e nos salários, é sabidamente um dos maiores entraves à maior competitividade das nossas empresas e à proliferação de investimentos, funcionando como fator inibidor do crescimento, geração de novos postos de trabalho e renda, de que tanto necessitamos para o resgate inadiável da enorme e histórica dívida social que vai se acumulando ao longo dos anos. O método simplista e desgastado de se aumentar impostos, com enorme sacrifício de toda sociedade, para cobrir despesas sem questionar a perdulária gerência dos recursos arrecadados, fez com que a carga tributária chegasse a suplantar aos 38% do PIB, sem que se tenha uma contraprestação em serviços públicos de qualidade, que volume tão descomunal de dinheiro a legitima exigir. Ao reverso, o que se observa, é um Estado engessado na sua capacidade de investir, exibindo para os cidadãos e para as empresas que pagam a conta, uma relação custo-benefício muito pobre e uma carência crônica de recursos mesmo para a realização do essencial. Que o digam aqueles que dependem da saúde, segurança , transportes em todos os modais , etc. Para ilustrar a necessidade emergencial dessa mudança de enfoque no ajuste fiscal, ou seja, de cortar efetivamente gastos supérfluos e azeitar a máquina administrativa estatal para à concreção eficiente dos resultados que dela se espera com o menor custo possível, como de resto procede todo empresário lúcido, tomemos apenas um dado divulgado recentemente divulgado pelo Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), que por sua vez nos dá conta de que a União queimou em 2005, nada menos que R$ 88,6 milhões somente com cópias cópias reprográficas, conhecidas como "xerox". Esse montante é superior a todos os investimentos realizados no mesmo ano pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) , que cuida dos principais programas sociais mais importantes do governo federal e daria para financiar nada menos que 10.000 unidades de moradias populares ou quase cinco mil veículos do tipo popular. Segundo o site "www.contas abertas.com.br", ao custo de R$ 0,15 cada cópia, isso significa que, por dia, 1.617.525 cópias, que dá uma média diária de 46.215 xerox por órgão dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. "Se revertidas em recursos, no ano passado, tais cópias poderiam ter arcado com todos os investimentos dos ministérios do Meio Ambiente, de Minas e Energia, dos Esportes, do Trabalho e Emprego e da Previdência Social juntos. O melhor é que, se isso tivesse ocorrido, ainda sobraria de troco para os cofres públicos cerca de R$ 15,9 milhões"
Fácil concluir, que não se trata de cantilena de empresário, mas da necessidade que emerge de fatos como este, de promover um amplo processo de modernização da gestão administrativa de todo o aparelho estatal buscando maior eficiência do controle de gastos, de sorte a que sobrem recursos para investir, sem necessidade de penalizar a sociedade com aumentos desnecessários da carga tributária.
Sílvio Abreu Campos - Consultor de Comércio Exterior da FECOMÉRCIO-MG.
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Quinta-feira, Junho 29, 2006
Artigo enviado pelo leitor Paulo Ely, que foi gerente do extinto Banco de Crédito Real em Barbacena, Juiz de Fora e Rio de Janeiro. Ele pede apenas 5 minutos de nossa atenção. Vale conferir!
CINCO MINUTOS
No parque, uma mulher sentou-se ao lado de um homem.
Ela disse:
- Aquele ali é meu filho, o de suéter vermelho deslizando no escorregador.
- Um bonito garoto - respondeu o homem. E completou: - Aquela de
vestido branco, pedalando a bicicleta, é minha filha.
Então, olhando o relógio, o homem chamou a sua filha.
- Melissa, o que você acha de irmos?
- Mais cinco minutos, pai. Por favor. Só mais cinco minutos!
O homem concordou e Melissa continuou pedalando sua bicicleta, para
alegria de seu coração.
Os minutos se passaram, o pai levantou-se e novamente chamou sua filha:
- Hora de irmos, agora?
Mas, outra vez Melissa pediu:
- Mais cinco minutos, pai. Só mais cinco minutos!
O homem sorriu e disse:
- Está certo!
- O senhor é certamente um pai muito paciente - comentou a mulher ao seu lado.
O homem sorriu e disse:
- O irmão mais velho de Melissa foi morto no ano passado por um
motorista bêbado, quando montava sua bicicleta perto daqui.
Eu nunca passei muito tempo com meu filho e agora eu daria qualquer
coisa por apenas mais cinco minutos com ele.
Eu me prometi não cometer o mesmo erro com Melissa.
Ela acha que tem mais cinco minutos para andar de bicicleta.
Na verdade, eu é que tenho mais cinco minutos para vê-la brincar...
Em tudo na vida estabelecemos prioridades.
Quais são as suas?
Lembre-se:nem tudo o que importante é prioritário, e nem tudo o que é
necessário é indispensável!
Dê, hoje, a alguém que você ama mais cinco minutos de seu tempo.
Eu parei 5 minutos para encaminhar esta mensagem a você
E você, pode perder 5 minutos para passá-la adiante?
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Segunda-feira, Junho 5, 2006
ARTIGO ESPECIAL de Henrique Badaró. Para pensar na cama!
TOLERÂNCIA ZERO, VIGILÂNCIA 100%
(*) Henrique Prado Badaró
Em 1993 quando foi eleito Prefeito de Nova York, Rudolph W. Giuliani implementou o mais famoso e eficaz programa de combate à violência urbana denominado "tolerância zero". Ao criar um sistema informatizado de acompanhamento estatístico dos crimes e dando mais poder aos Delegados espalhados pelas várias delegacias da cidade, para tomar decisões rápidas e utilizarem as mais modernas técnicas de combate à violência, o alcaide conseguiu reduzir, na sua gestão, os crimes de maneira geral em 57%, sendo que homicídios caíram 65%. O acompanhamento semanal das estatísticas permitiu ao comando da Polícia de Nova York identificar "tendências" de aumento de criminalidade antes que virassem "ondas de criminalidade". Numa visita à página na internet da Polícia de Nova York, vamos ver coisas interessantes como a seção de "elementos mais procurados" com suas fotos estampadas para toda a população ver [1], além das estatísticas aqui mencionadas. Quero chamar atenção para o fato de que não basta as forças de segurança atuarem contra a violência. A população tem que participar ativamente.Como? Denunciando. A criação e o aumento de números de disque-denúncia já foi um grande avanço, estabelecendo um canal para que a sociedade possa ajudar a polícia a capturar e trancafiar criminosos. Como dizem por aí, quando a mulher está esperando o filho, não existe "meio grávida". Ou você está do lado do crime ou do lado do bem. Vamos denunciar mesmo. Fique atento às movimentações de sua rua. Qualquer situação suspeita comunique imediatamente à polícia. Li nos jornais que São Paulo "produz" 500 presos por mês. Quantos não serão produzidos por aqui também?. Para se contrapor a esta situação, os Governos têm que atuar implementando ou incrementando programas voltados para os jovens, dando-lhes uma educação de qualidade, capacitação profissional, propiciando laser e tudo o mais que uma pessoa precisa nesta faixa etária. Vamos fazer nossa parte. A polícia impõe "tolerância Zero" e nós "Vigilância 100%". (*) Economista – MBA – University of Saint Thomas – USA – Presidente da ONG Oportunidade.
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Segunda-feira, Junho 26, 2006
ARTIGO ESPECIAL do doutor WILLER PÓS para nosso BLOG. Compartilho com você!
MEIO AMBIENTE E DEMOCRACIA.
Willer Pos* Diretor de Meio Ambiente da Anglogold Ashanti South-America.
Os dados do PIB das melhores economias do planeta, publicados no mês passado, confirmam uma tese interessante. Quanto mais sólidas forem as bases democráticas de um país, melhor é o seu desempenho ambiental. Em outras palavras, países com fortes políticas nas áreas de saúde pública, educação, equidade social e com fácil acesso aos mecanismos básicos de cidadania (todos os indícios de uma democracia estabelecida), demonstram um melhor quadro de indicadores ambientais. Vale destacar que a tese não é nova. Em 1998, o economista Amartya Sen ganhou Prêmio Nobel de Economia, pela sua teoria "Desenvolvimento com Liberdade", na qual, resumidamente, tem-se que: "os fins e os meios do desenvolvimento exigem que a perspectiva da liberdade seja colocada no centro do palco". E os dados estão aí para todos verem.
Na sua maioria, os países da comunidade européia, com democracias consolidadas, possuem ótimo desempenho na área ambiental. O mesmo ocorre na Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos e Japão. Todos estão entre os quinze primeiros na lista dos melhores PIBs, que se coadunam com elevados índices de desenvolvimento socialmente justo e ambientalmente equilibrado. No quarto e décimo primeiro lugares da lista estão China e Brasil, respectivamente. Ambos com sérios problemas no campo da justiça social, que refletem e são reflexos de problemas destes países no campo do desenvolvimento com o necessário equilíbrio ambiental.
A China tem um desempenho ambiental medíocre. Faltam a ela o combustível que leva à melhoria ambiental e a participação social, inexistente num regime autocrático. A receita inicial para a melhoria das questões sócio-ambientais na China não é simples. O total controle estatal sobre a produção e as escolhas sociais são um impeditivo para a economia de mercado, para a distribuição de renda, para uma discussão pública mais bem fundamentada sobre as questões ambientais, e, por conseqüência, um impeditivo à competição. Sem esses elos, meio ambiente sequer entra em cena.
O Brasil, apesar de estar entre os onze melhores PIBs, também não desempenha um bom papel na área ambiental. Mas os motivos são outros. Possuímos um arcabouço legal, tanto para meio ambiente quanto para recursos hídricos, de fazer inveja a países de primeiro mundo bem como uma jovem, mas sólida, democracia. Mas falhamos nos aspectos institucionais. Não temos visto, nos últimos anos, iniciativas claras para o fortalecimento das nossas instituições públicas. Aliás, mais recentemente, o que assistimos no país, são ações que parecem indicar o perigoso caminho do desconstrutivismo por um ideal utópico. Neste cenário, há falta de planejamento político-estratégico em todos os campos (social, econômico e ambiental) e programas de execução em longo prazo. Por outro lado, temos negligência dos serviços públicos nos campos mais essenciais, como educação, saúde e infra-estrutura. A participação social fica fortemente comprometida, pois é um cenário gerador de exclusão.
Assim, tanto a pobreza como a tirania são fontes de privação de liberdades. Marginalizam, retirando de cada um a oportunidade e a capacidade de debater sobre os valores nas escolha das suas prioridades e de real participação na seleção desses valores. De novo perde o meio ambiente. Nesta lógica, perde também o setor empresarial, que na sua maioria, por possuir uma política universalizada e coerente com seus fundamentos corporativos, acaba tendo que assumir funções públicas para atuar de forma globalizada, com uniformidade de princípios. Em outras palavras, é o setor empresarial, de forma anacrônica, que assume papel de estado provendo infra-estrutura básica para municípios, educação e até participando no processo de reforma agrária, mesmo depois de recolher aos cofres públicos a mais aviltante taxa de impostos e tributos do planeta. Vale dizer que não raro, tais ações são impostas pelos processos de licenciamento ambiental, como se para o bem da proteção e do cuidado com os nossos recursos naturais, valesse a moeda de troca do assistencialismo social.
Aqui, talvez esteja uma das grandes diferenças entre os países listados com melhores PIBs e o Brasil.
É por isso que, não só a democracia, expressa na liberdade das escolhas dos governantes pelo voto -pois nessa somos campeões- é importante, mas também a democracia libertária que pressupõe o fortalecimento da organização republicana. Ou seja, uma democracia que traga cidadania, inclusão social, respeito às instituições democráticas, cumprimento das leis e autonomia entre os três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Esta sim, traz verdadeiro ganho ambiental.
Tentar a solução dos problemas ambientais brasileiros sem implementar instrumentos de planejamento que façam a conexão entre o social e econômico, é como ajudar a coçar o cachorro com pulgas. Alivia, mas não resolve. Pautar meio ambiente de forma isolada, não traz ganho ambiental. Tentar, por meio dos instrumentos da gestão ambiental, realizar os necessários ajustes para a justiça social, não fará com que alcancemos o desejável desenvolvimento sustentável. E, apesar da expressiva participação do setor empresarial, não podemos esquecer que essa é, por excelência, uma atividade de estado.
Nunca conseguiremos um meio ambiente ecologicamente equilibrado com as atuais taxas de desemprego, com a exclusão social, com crianças fora da escola e uma saúde pública que ainda deixa brasileiros morrerem de dengue, malária e doenças de veiculação hídrica pela falta de saneamento básico. Enfim, o Brasil será uma grande e respeitada nação, quando varrermos desse país a miséria, a exclusão social, dando dignidade ao nosso povo. Nada polui mais que a desesperança, que mata os sonhos e endurece os corações. Para uma correta gestão ambiental não é necessário bravatas pseudo-ideológicas, mas, fraternidade, educação, saúde e equidade social, e, acima de tudo, desenvolvimento como liberdade. PhD em Química Ambiental pela Georgia Tech-USA
Diretor de Meio Ambiente da Anglogold Ashanti-South America
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Segunda-feira, Julho 3, 2006
Artigo Especial: A GESTÃO DO CONHECIMENTO. Compartilho com você, principalmente empresário e executivo. É uma alerta sobre um procedimento que está mudando profundamente a maneira de como gerir os negócios no mundo!
MAURO CARRUSCA - Engº (MCS Tecnologia e Negócios). Vivemos um momento sem precedentes… A história do homem está ligada à história das máquinas, que nos ajudam a projetar e montar equipamentos, já falam, ouvem e agora estão ensinando a pensar, mas não raciocinar! A tecnologia veio para ajudar na eliminação de riscos e grandes esforços. Está presente no nosso dia a dia, no telefonema, nos transportes, nas comunicações, nos computadores, na saúde, etc. Hoje seria impossível imaginar a vida sem o uso constante da tecnologia. Uma época da "informação e da comunicação". ... mas o
progresso não pode prescindir da participação ativa do ser humano! Nada o substituirá (suas emoções, seus sentimentos ...) mas deverá sim, se adaptar aos avanços tecnológicos, e estar em constante aperfeiçoamento. Conhecer implica necessariamente postura crítica diante da cultura massificada, vulgarizada e banalizada. A pura armazenagem de conhecimentos é uma erudição sem sentido, já que um clique do computador enche-nos a tela de informações, porém transformar estas informações em conhecimentos, só depende de nós! Uma época da "gestão do conhecimento". O conhecimento tácito torna-se o grande vilão nas empresas! Devemos procurar identificar como a tecnologia, no seu conceito mais amplo, e em particular a Tecnologia de Informação (TI), podem ser usadas como recurso estratégico, atuando como uma ferramenta de gestão empresarial na melhoria dos processos, para se obter informações e gerar conhecimentos, contribuindo para melhorar o desempenho da empresa em relação à sua gestão operacional e de negócios, nas relações com os Clientes, Colaboradores, Fornecedores e Parceiros.
Sob esta ótica, teremos sim vantagens competitivas, mas se fizermos o uso correto da tecnologia, como uma atividade meio e não fim, com postura diferenciada na forma de encarar o negócio e, através de seus recursos, implantar uma "gestão de relacionamento", que seja eficaz, que identifique e valorize a ação do ser humano em toda a cadeia de valor, do colaborador ao cliente. maurolcarr@ig.com.br
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Sexta-feira, Julho 7, 2006
MEMÓRIAS DE REPÓRTER DE TV. Assistindo o programa gratuito do PMDB, pela TV, junto com o governador Tancredo Neves e dona Risoleta, no Palácio das Mangabeiras.
Você já teve o privilégio de assistir TV, com nada mais, nada menos, que o dr. Tancredo Neves e sua simpática mulher a saudosa dona Risoleta? E sendo servido de salgadinhos e suco de laranja por ela? Se você for parente ou amigo íntimo do casal não vale responder: sim! Pois este repórter, agora também um blogueiro, teve este privilágio. Foi assim: noite fria, vento forte. 1984. Tancredo de olho no Colégio Eleitoral. Nosso diretor de jornalismo na Rede Globo Minas, Lauro Diniz, acertou com o J.D.Vital, chefe da Assessoria de Comunicação do governador Tancredo Neves, para que nós pudéssemos produzir uma reportagem durante o Programa Nacional, gratuito, do PMDB em rede nacional, com o governador assistindo o programa.
Lá fomos nós. Eu e a equipe da Globo. O cinegrafista Alípio Martins, câmera no ombro, jeito discreto, mas atento a todos os gestos e reações do dr. Tancredo. Só que o governador pediu para que deixássemos para o final da transmisão da TV para fazermos as imagens e então gravar a entrevista. É claro que a contragosto, concordei. Não havia outro jeito. Começa o programa. O saudodo deputado Ulysses Guimarães, ancora o programa. Aparece em cena no final e cada pronunciamento colhido pela equipe de TV do PMDB. Dr. Ulysses iniciava cada aparrição com a palavra NÃO. Não a esta política econômica, Não ao Colégio Eleitoral, Não ao regime militar e, assim foi durante os 60 minutos de programa televisivo. Não, Não, Não...
Dona Risoleta entra e sai a cada momento reabastecendo nossos pratinhos de salgadinhos e suco de laranja. Eu observo o então governador Tancredo Neves. Ele coçava a orellha, ora a direita, ora a esquerda. Acaricia o nariz, não fala nada. Só resmunga. Eu espero. Ví que ele estava incomodado com a linha desenvolvida pelo programa do PMDB na TV. Olho para meu relógio. Será que vai dar tempo para gravar a entrevista e mandar pelo satélite para o Jornal da Globo, no Rio? Olha, naquele tempo não havia ainda o celular, E-mail. ( penso hoje, como conseguia viver sem eles).
Acaba o programa. Nos levantamos. Eu indago: vamos gravar dr. Tancredo? A luz é acesa, câmera ligada, microfone em ação. Mas o governador se atencipa e diz não vou gravar entrevista sobre este assunto. Por favor desligue o equipamento. Desligamos. Aí o dr. Tancredo disse: NÃO VOU GRAVAR NENHUM COMENTÁRIO, EM SINAL DE PROTESTO, PORQUE NENHUM PEMEDEBISTA MINEIRO TEVE ESPAÇO NO PROGRAMA. Obrigado meu filho, e boa noite. Mas, governador... E ele emendou: foi um prazer ter a sua companhia e de sua equipe e repetiu polidamente: boa noite para todos! Respondí: boa noite! E voltei à redação da Rede Globo. Sem a reportagem. Foi um " furo" ao contrário.
Assim era ele, o dr.Tancredo. Tinha a exata medida do momento de falar e de se calar! Afinal, nós como repórter político, sabíamos que o governador habilidosamente conduzia um processo de transição delicadíssimo, que passaria pelo Colégio Eleitoral, aonde mais tarde ele derrotou Paulo Maluf. Qualquer fala, gesto, aparentemente simples que fosse, poderia criar obstáculo intransponível, ainda mais num canal de TV como a Globo, líder de audiência. Na verdade, o adversário dele, dr. Tancredo, era o próprio dr. Ulysses, o Sr. Diretas. Tancredo preferiu se calar. Não por medo, mas por estratégia, hoje compreendendo! Comentário: se fosse hoje eu colocaria tudo no meu BLOG. Só que estávamos em 1984. Ou seja, 22 anos atrás... que blog, que tecnologia, que nada.
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Segunda-feira, Julho 17, 2006
IPVA em atraso pode ser parcelado a partide hoje. Fique atento!.
Os mais de 800 mil proprietários e proprietárias de carros, em Minas, que estão com o IPVA atrasado, podem parcelar em até 12 vezes o seu débito com o Estado. Mas, as parcelas não podem ser inferiores a 100 reais.UMa dica para ter mais informações é acessar o site da Asssembléia de Minas: www.almg.gov.br
Plenário
O Plenário da Assembléia Legislativa realiza reuniões ordinárias às terças, quartas e quintas-feiras, às 14 horas, podendo ser convocado extraordinariamente, quando necessário, em dias e horários diversos dos fixados para as reuniões ordinárias. São realizadas ainda reuniões especiais, para homenagens e comemoração de datas festivas.
Todas as reuniões são públicas e podem ser acompanhadas das galerias por qualquer pessoa. Consulte aqui a ordem do dia, os editais de convocação das reuniões extraordinárias e especiais, assim como os resultados das reuniões. |
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Quarta-feira, Setembro 6, 2006
ARTIGO ESPECIAL, "Momento de Profunda Reflexão", escrito pelo presidente do SINPAPEL, Antônio Eduardo Baggio. Confira. Vale a pena!

Momento de profunda reflexão
Mais um semestre se encerra e com ele as esperanças de um ano de crescimento expressivo do mercado de celulose, papel, papelão ondulado e seus artefatos se vê seriamente comprometido.A perversa política econômica em vigência no país, que mantém uma elevadataxa de juros, pagando um tributo escorchante e dissimulado à banca internacional, é a razão basilar dentre outras tantas, da nossa expectativa de crescimento pífio para este ano de 2006.
Com o forte afluxo de dólares - via mercados especulativos como o da bolsa de valores - na nossa economia, contaminando os créditos em dólares duramente conquistados via produção industrial e agrícola, a indústria e o agronegócio deste país se vêem compelidos a ter que transformar estes créditos dentro de prazos fixados pelo Banco Central, para pagarmos nossos impostos, salários e matérias-primas em reais, cada vez mais artificialmente valorizados, propiciando às autoridades monetárias a delícia do proselitismo arrostado do resgate dos títulos cambiais às custas do trabalho das empresas Brasileiras.
A economia do país se beneficia de superávits na balança comercial às custas de contratos que os empresários tem que honrar, de investimentos irreversíveis maturados em anos de implantação, de cotações de commodities favoráveis episodicamente e da exportação de petróleo pesado.
O mundo real no qual se inserem as indústrias siderúrgicas, têxteis, calçadistas, automobilísticas e de auto-peças e as de base agrícola e muitas outras grandes empregadoras intensivas de mão-de-obra, tem que se contentar com o mercado interno. A cotação artificial do dólar - às custas do crescente endividamento via títulos públicos que são remunerados com as maiores taxas de juros do mundo – não permite às empresas destes e de tantos outros setores, manter seus clientes duramente conquistados no exterior e por via de conseqüência acaba inibindo os investimentos e a criação de novos postos de trabalho dentro do país, fazendo jorrar no mercado interno uma sobre-oferta de produtos que deprime os preços além do necessário, fazendo subsidiariamente a delícia dos índices consolidados nos indicadores de inflação.
É esta produção excedente - com a cotação do dólar em níveis reais –é que deveria estar sendo carreada para o exterior, gerando mais divisas e postos de trabalho, num círculo virtuoso.Entretanto temos assistido nos últimos tempos aos escárnios dos poderesconstituídos da nação que trata a indústria e a sociedade como alheios, ignorantes e impotentes ao perpetrarem verdadeiros assaltos aos cofres públicos e às consciências das cabeças iluminadas que deveriam ter o descortino, o dever ético e moral de defender a sociedade Brasileira.
Reformas longamente ansiadas pela sociedade como as reformas das legislações eleitoral, trabalhista, tributária e fiscal, com probidade administrativa e menor gasto público são somente miragens brandidas pelos políticos em época de eleições.Enquanto remunerarmos os aplicadores nacionais e internacionais com as maiores taxas de juros do planeta, não haverá ninguém, em nenhum segmento da sociedade que conseguirá mudar o atual status quo.E nossos filhos e netos continuarão pagando pelas nossas fraquezas, conluios e omissões.Não devemos perder a capacidade de nos indignarmos sempre.
Somente nós, enquanto eleitores, poderemos reunir forças para infringir-lhes a perda dos seus privilégios, indicando a todos o rumo da moralidade, ética, justiça, competência e respeito aos valores ansiados pela sociedade Brasileira.Por isso cidadãos e empresários, devemos exercer o nosso direito sagrado do voto e não nos esquecermos nunca em quem votamos, para podermos acompanhar o seu desempenho e cobrar-lhe atitudes dignas de representante do povo.
A verdadeira democracia impregna os atos de respeito às coisas diversas, como tem nos demonstrado um jovem Governador, e esse respeito antecedea moralidade, a ética e a probidade.Os próximos anos da nossa democracia serão de fundamental importância para moldar o caráter do povo Brasileiro e forjar uma verdadeira nação, e sua participação e seu voto consciente tem muito a ver com tudo isto com ou semreforma da atual e canhestra legislação eleitoral.
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Terça-feira, Outubro 17, 2006
O jornalista, escritor e vice-presidente da Associação Comercial de Minas, Lindolfo Paoliello é, para nossa satisfação, o mais novo colaborador do nosso BLOG. Lindolfo é uma das melhores e mais criativas cabeças destas Minas Gerais, além de uma figura humana amena e instigante em suas observações. Agradeço e recomendo ler a crônica dele, escrita especialmente para você que nos prestigia com seu acesso ao BLOG do JOÃO. Bom proveito!
FALANDO FRANCAMENTE
Lindolfo Paoliello
A pergunta foi feita pelo entrevistado de um humorista de TV, que respondeu:
- Está bem. Desde que você devolva as minhas...
O uso equivocado de expressões como essa integra o festival de besteiras que assolam o País e teria deixado feliz da vida o cronista Sérgio Porto, nos bons tempos em que criou o famoso "Febeapá". Acho que é tempo de advertir a nossa fina elite que são erradas expressões como:
- Ir de encontro a – Em frases assim: "Estou feliz porque vejo que o que fiz vai de encontro às suas idéias". Frase na qual o que se queria dizer era exatamente o contrário, isto é: uma pessoa fez alguma coisa que estava de acordo com as idéias de outra. O certo seria "ao encontro de".
– Em frases assim: "Estou feliz porque vejo que o que fiz vai de encontro às suas idéias". Frase na qual o que se queria dizer era exatamente o contrário, isto é: uma pessoa fez alguma coisa que estava de acordo com as idéias de outra. O certo seria "ao encontro de".
- Penso de que – Se não me engano foi Lula quem lançou essa pérola eu teve ampla aceitação. A preposição "de" não cabe, evidentemente, na frase.
– Se não me engano foi Lula quem lançou essa pérola eu teve ampla aceitação. A preposição "de" não cabe, evidentemente, na frase.
- A nível de – Essa é epidêmica. Está presente em todos os projetos, entrevistas, conferências, etc. "A nível de projeto gostaríamos de dizer que..." Não dá mesmo. Perguntem à equipe do Aurélio.
– Essa é epidêmica. Está presente em todos os projetos, entrevistas, conferências, etc. "A nível de projeto gostaríamos de dizer que..." Não dá mesmo. Perguntem à equipe do Aurélio.
- De maneiras que – Ai meu ouvido. Vamos maneirar, no singular.
Ai meu ouvido. Vamos maneirar, no singular.
Essas são erradas de fato. Mas há outras que, apesar de certas, incomodam pelo uso repetitivo. Tudo é "transparente" e se faz em "parceria", tudo se destina ao "social" menos, infelizmente, o dinheiro, e é chique falar dos "diversos segmentos da sociedade". Todos estão unanimente praticando, sem saber do que se trata o bench-marking. Como ninguém diz coisa com coisa e muito menos pratica, qualquer um que fale bonito ou tome alguma atitude é "estadista". Em terra de Clodovil, quem tem um olho é Roosevelt. Vou ficando por aqui para não chatear o leitor; já vi que não acordei em bom dia. Mas para que ninguém se esqueça, recorte a síntese que logo abaixo, tire cópias, dê aos seus amigos. É a corrente do "Febeapá". A nível de rápido comentário penso de que o trem está feio. O trem de modo geral, sem querer particularizar ou ofender. De maneira que temos um governo bom à beca, em que tudo o que faz vai de encontro ao que aspiramos. Todos os segmentos da sociedade trabalham em parceria, embora um dos parceiros sempre ganhe um pouquinho mais na brincadeira. Mas justiça seja feita: são todos transparentes e é tudo pelo social. Está aí o Dr. Antônio Carlos Magalhães,que é um estadista e não me deixa mentir. Adeuzinho. Arre! lindolfo@paoliello.com.br
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Quinta-feira, Outubro 26, 2006
Recomendo a coluna da jornalista barbacenenense, Paula de Oliveira Andrada, que já trabalhou conosco na TV Assembléia, aqui em BH. A coluna vem do site www.marciobertola.com.br E vale apena ler a estória do famoso Caldo de Mocotó do Bar do Nonô. Confira!
Sede pelo Caldo "Morrerá por falta de disciplina, e perder-se-á pelo excesso da sua loucura" (Provérbios 5, 23)
Sem o mocotó não haveria caldo, sem o caldo não haveria histórias. Mas no bar do Nonô a situação é favorável, o caldo de mocotó é farto e as histórias também. Por semana, são em média 300 mocotós que garantem o caldo durante as 24 diárias de funcionamento do bar do Nonô, de segunda a sábado. O processo de produção começa na segunda-feira, quando os mocotós chegam à casa da dona Alaídes, viúva do Nonô, na rua Pigmatita, no bairro Caiçaras, zona oeste de Belo Horizonte. A fartura toma conta do ambiente, uma cozinha nos fundos da casa, familiar, aconchegante, exclusiva para a preparação dos mocotós. Brevemente eles irão se transformar em caldo e serão saboreados por diferentes pessoas. Farão parte da vida delas, seja de dia ou à noite, num intervalo para se pegar um ônibus, ou num bate-papo acompanhado à Caracu. Mas essas pessoas que consomem o caldo nem sempre imaginam o que está por trás da substância pronta que encontram no caneco. De segunda para terça, os mocotós ficam descongelando. Às três horas da manhã de terça-feira, dona Alaídes, dois filhos e um ajudante começam a limpeza dos pés. Dona Alaídes está sentada, vestindo o avental e uma touquinha de lã na cabeça. A faca em punho mostra a habilidade e a experiência na manipulação dos mocotós. Com facilidade, ela corta, raspa e limpa os pés. Após a limpeza são cortados em cinco partes: duas unhas, a panturrilha e a canela dividida ao meio. Depois de cortadas, as canelas são cerradas e o excesso de tutano - gordura que fica dentro do osso - é retirada. Segundo Clelson Corrêa, um dos donos do bar, é o excesso de tutano que deixa o caldo gorduroso e enjoativo, por isso ele deve ser retirado. As partes cortadas são lavadas, escorridas e salgadas. O próximo passo é a fritura. As panelas com óleo bem quente vão dando o tom dourado nas peças fateadas. O barulho da fritura vindo das panelas conjugado ao som da faca raspando o mocotó preenchem o ambiente, somam-se ao cheiro forte dos elementos que vão resultar no caldo. O que sobra da produção, nem sempre vai para o lixo. O óleo da fritura e o tutano são doados por Dona Alaídes aos conhecidos e amigos. Alguns aproveitam o tutano para fazer remédio de bronquite, outros para dar banho de brilho no cabelo. O óleo pode ser reaproveitado para cozinhar. Depois de fritos, os mocotós são embalados em sacos e resfriados. Resultado: o pé do boi desfez-se em pedaços, ganhou nova cor, está próximo de transformar-se no líquido viscoso e temperado. Mas não é tão simples, agora começa a segunda etapa, o processo de produção passa para o bar do Nonô. Vamos voltar à rua Tupis, ou se preferir à avenida Amazonas. Tanto faz, qualquer uma das entradas dá acesso ao bar. Os sacos com o mocotó são mandados da casa de Dona Alaídes para o bar, de acordo com a demanda. Mas ela retruca: "Lá é buteco, não é bar", diz. Na cozinha, só trabalham os quatro irmãos, com horários revezados. Somente eles sabem o segredo do tempero, coisa de família. E é lá, no andar de cima, que a confecção do caldo continua. Subidas as escadas de madeira, panelas de alumínio, caixas de cerveja Caracu e muito cheiro de mocotó compõem o cenário. No buteco, o mocotó resfriado passa por um cozimento. Parte dele é cozida até ficar com textura mais firme e é reservada, o restante cozinha até desmanchar. Depois de frio, ele é batido no liqüidificador originando um caldo grosso. A substância é então adicionada a uma panela com água fervente temperada e à medida que vai cozinhando mais, vai ganhando o sabor e a tonalidade amarelada. Ao chegar no ponto, as partes do mocotó reservadas são colocadas no caldo. Está pronto! Agora, as panelas de alumínio, redutos do caldo, vão descendo para o andar de baixo para satisfazer as bocas nervosas que estão ali no balcão do Nonô, todas ansiosas para degustar aquela substância cremosa com pedaços de mocotó e satisfazer suas vontades. Pessoas diferentes, com histórias curiosas. É o caso de Tânia. O cheiro do caldo de mocotó, o barulho das colheres batendo no caneco, o vaivém das latas de caldo subindo e descendo por uma corda parecem incomodá-la. Ela está ali, no balcão do Nonô, conversando e lutando contra a vontade de sentir o sabor daquele caldo. A vaidade, até o momento, fala mais alto. "Estou tentando fazer regime, o caldo é muito calórico", confessa. Tânia se sente em casa no Bar do Nonô, está com o marido e um amigo. A cerveja no copo mostra que a vaidade às vezes fracassa. Mas no dia-a-dia, ela faz Tânia cometer loucuras. Nos últimos meses, ela conta ter gastado mais de R$ 100,00 com remédios e cremes caríssimos. A culpa aparece em seguida: "Tem hora que eu páro e penso que isso é pecado. Tenho outras prioridades e acabo gastando com a vaidade", revela. Pecado é algo que faz parte da vida de Tânia. Segundo ela, a partir do momento que sabe-se que não pode e faz, é como violar uma lei.
De acordo com o psicanalista Celso Rennó, a vaidade é algo que está diretamente ligada a imagem. E a vaidade estando relacionada com a imagem, estará relacionada com algum ideal. Tânia demonstra isso muito bem ao estabelecer para si mesma um ideal de dar conta do regime, muito mais do que o de ficar magra e bonita. O bate-papo no Bar do Nonô, regado a cerveja e ao "cheiro" do caldo, acompanha o ritmo do jogo de futebol que está sendo transmitido na TV. Como num jogo, revela surpresas, lances inesperados ...e foi assim que Tânia, embalada pela reflexão de si mesma, começa a descobrir um outro hábito freqüente e pecaminoso na sua vida: a Gula. Este pecado ocorre quando o indivíduo tem prazer através da comida e da bebida os elege elementos de satisfação pessoal. O guloso pode renunciar à companhia de outras pessoas em detrimento à companhia da comida e da bebida e isso tem implicações morais, pessoais e também conseqüências sociais. O olhar guloso que Tânia lança para um caldo que passa é rapidamente reprimido pela alma vaidosa. Mas o ideal de Tânia vai contra a corrente de seus impulsos, daquilo que a psicanálise chama de pulsão. Ela revela que, apesar de ser vaidosa, come demais, abre a geladeira constantemente à procura de alento. Os lanches, que ela mesma compra para a filha levar para a escola, servem de isca para essa atitude, que ela confessa ser pecaminosa. "Abro a geladeira. Olho. Penso. Fecho e torno a abrir de novo. Como um pedacinho e depois não páro, é um impulso", descreve. A gula, segundo o psicanalista Celso Rennó, "é uma pulsão, digamos, oral, e como tal, ela só quer ser satisfeita". No caso de Tânia, por exemplo, segundo o psicanalista, ela pode estar sendo satisfeita pelo excesso de comida ou pelo excesso do uso de medicamentos. Depois de comer, cresce-lhe no coração algo parecido com o remorso, uma ira de si. Ela lembra a cena como se a reproduzisse: "Depois que como, sento, fico irada por causa da vaidade. Para Rennó, a associação de vaidade e gula, mediada pelo ideal de "dar conta do regime", acaba desenvolvendo uma frustração, na medida em que, mesmo que não rompa seu propósito, Tânia está continuamente desejando. Esta idéia de que ela não conseguiu abolir o desejo acaba por trazer à tona um pequeno intervalo entre o que ela gostaria de fazer (ideal de dar conta do regime) e o que é possível (real). Tânia, segundo o psicanalista, parece suportar muito pouco estes limites da realidade e lidar mal com as suas próprias limitações, fazendo com que ela busque aumentar ainda mais suas exigências acerca do ideal almejado. Este intervalo produz a culpa e a ira por não ter sido possível cumprir seu desejo. Freqüentadora da Igreja Metodista, Tânia tem o hábito de fazer orações. À noite, antes de dormir, ela pede a Deus para acabar com a gula que sente. Ao analisar a relação entre os pecados que a perseguem, ela percebe que o pedido que faz é um pouco contraditório. "Questiono se eu peço isso a Deus de coração mesmo, ou se é por causa da vaidade", diz. Enquanto Tânia se sente culpada por tomar apenas um caldo, Orlando da Silva Cortes havia tomado quatro, enquanto aguardava o amigo no balcão do Nonô para ir embora. Coisa natural na vida dele. "Ainda bem que você chegou, se não eu ia ter que tomar mais caldo", disse ao amigo. Fã incontestável do caldo de mocotó do Nonô, Orlando conta que o que mais o atrai no caldo é o tempero. "Se tivesse cadeira no Nonô, eles não iam conseguir me tirar daí". Os quatro caldos naquela quinta-feira à noite eram apenas aperitivos. Orlando mora longe do bar do Nonô e com certeza iria jantar ainda naquela noite. Segundo ele, a panela de comida que encontra em cima do fogão quando chega em casa, nem sempre é suficiente para satisfazer o seu apetite, mesmo com os caldos digeridos anteriormente. "Tomar quatro caldos prá mim é o mesmo que um. Tomei e estou leve", conta. Segundo ele, quanto mais toma, mais aumenta a vontade. "Como igual frieira brava. Pareço menino agüado, quanto mais dá mais eu quero". Orlando é mestre de obras, moreno e de grande porte: 130kg distribuídos em 1,90 metro. A cada época trabalha em locais diferentes, dependendo da obra. Mas o trabalho é o único lugar onde não gosta de comer. Ele conta que se comer não dá conta de trabalhar depois. Uma marmita com comida para almoçar na obra é algo inconcebível para ele. "Prefiro não levar, pois sei que não vai dar". É esta a filosofia de Orlando. Ele diz preferir ficar sem comer nada a ter de comer pouco. Um caldo, um pão, um prato de comida nunca bastam, segundo ele, só servem para assanhar o estômago. Mas quatro caldos ainda não é o recorde de Orlando. Renato Moreira da Silva, um dos vendedores do Nonô, já atendeu o mestre de obras numa dessas manhãs da vida e fez a maior venda de todos os tempos para um único cliente. Orlando tomou 24 doses de conhaque alcatrão, o que corresponde a duas garrafas, oito coca-colas e oito caldos de mocotó. Renato conta que ele ficou no bar das 10h da manhã às 14h. "Me dá mais um conhaque", é a frase que ficou marcada para o vendedor. Crélio Corrêa, um dos filhos do Nonô, estava na gerência do bar nesta tarde. Ele se lembra que Orlando estava acompanhado de um amigo magro, que também se encheu de caldo e conhaque. Eles falaram muito antes de ir embora e demoraram para pagar a conta. A saída dos dois ficou marcada na memória de Crélio. Orlando, que mal se agüentava, carregou o amigo pelo braço. O sujeito magro se esforçava para colocar os pés no chão, mas Orlando seguia atravessando a rua dos Tupis. Logo abaixo, perto da avenida Paraná, os dois caíram em cima de uma barraca de camelô. "Deu polícia", recorda Crélio. Histórias engraçadas permeiam o cotidiano do mestre de obras. A fome constante e o impulso incontrolável pela comida já resultaram em apelidos como "Jamanta" e "Latão". A relação com a família também guarda momentos engraçados. A esposa e os filhos são evangélicos, só ele não aderiu à religião. No começo foi difícil aceitar, mas agora diz-se acostumado. A esposa se preocupa com ele, pensa que poderá passar mal de tanto comer. Mas isso nunca aconteceu, nem mesmo os exames que fez, de sangue e colesterol, acusaram irregularidades. Orlando admite que come em excesso, por impulso incontrolável, mas diz não sentir culpa por isso. De acordo com o psicanalista Celso Rennó, a proibição é a primeira condição para que uma pessoa cometa um pecado. Quando não há o sentimento de culpa, decorrente da proibição, não existe falta para esse sujeito. "Em diferentes culturas, por exemplo, o conceito de gula é diferente. Um francês que for a uma churrascaria no Brasil vai achar um absurdo e identificar que todos os brasileiros são gulosos. Entretanto, como Orlando, as pessoas comem muito e não sentem culpa nenhuma, a não ser que passem mal. Se não, isso não as atinge", explica Rennó . Ele diz que o que faz com que o sujeito tenha a sensação de pecado é a transgressão da lei, fundamentalmente, porque há uma certa medida do limite: até aqui é permitido, daqui para frente não é. Embora não se sinta culpado por comer compulsivamente, em alguns momentos Orlando questiona suas atitudes de comilança. Ele tenta buscar a origem do seu comportamento e acaba refletindo sobre os tempos de criança em que viveu em um orfanato e passou fome. "Ás vezes acho que como assim porque já passei fome", conta. Celso Rennó diz que para Orlando não existe a proibição, porém é o mal estar decorrente do excesso de comida que o leva a questionar o seu próprio comportamento. E o fato de Orlando dizer que não sente culpa mostra que ele quer dar conta do seu mal estar. Segundo Rennó, a historia do orfanato, onde passou fome, tem certamente uma forte influência no comportamento dele hoje, nos levando a pensar que uma gula nunca é um simples pecado capital, mas se estrutura em elementos subjetivos que tem sua raiz na própria historia de cada sujeito. Mas afirmar se Orlando é guloso? "Por um lado sem duvidas, basta verificar, pelo seu relato, como ele come! Por outro lado, parece que Orlando já tem na comilança um ponto de identidade, algo assim como um sobrenome: ele é Orlando, o comilão", afirma Celso Rennó. Orlando sente prazer através da comida e a elege elemento de satisfação pessoal. Como um verdadeiro "bom de prato", é capaz de renunciar à companhia de outras pessoas em detrimento à companhia da comida. A saída da esposa para a igreja é algo que o deixa feliz, não pelo fato em si, mas pela liberdade de comer sozinho, sem a presença de ninguém para podá-lo. Quando se vê sozinho, Orlando come feliz, sem parar, até não agüentar mais. "Se tiver uma panela de galinhada, por exemplo, e o pessoal demorar a voltar, ficam sem", conta rindo. Com a barriga cheia, ele se deita no sofá, preenchido e satisfeito. A preguiça chega, toma conta, traz um sono pesado como a galinhada do jantar.
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Sexta-feira, Dezembro 15, 2006
Mensagem que recebemos do senador Aelton Freitas do PL de Minas. Agradecemos!
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Quarta-feira, Janeiro 3, 2007
ARTIGO ESPECIAL: Dom WALMOR OLIVEIRA DE AZEVEDO Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte. Vale ler e REFLETIR!
A Pessoa humana, coração da Paz

O tempo que se conta é o tempo que passa muito velozmente. Nenhuma contagem de tempo, no entanto, controla a velocidade do tempo que passa. A contagem do tempo é uma medida que baliza minuto, hora, dia e ano. Esta velocidade do tempo que passa causa surpresa, expressada na admiração de se constatar que mais um ano deste tempo já se passou. Embora sem nenhuma influência sobre o tempo que passa, a contagem do tempo torna-se uma referência importante para avaliações, medições, definição de metas, retomada de propósitos, abertura e fechamento de ciclos ou atenção que se deve prestar às dimensões importantes da vida de todos e de cada um. De novo, vai ser primeiro de janeiro. Na contagem do tempo é o sétimo ano deste terceiro milênio do tempo contado no tempo da era cristã.
Neste horizonte, o Papa Bento XVI faz ecoar sua mensagem para a celebração do dia mundial da paz, dia do começo da contagem do tempo de um novo ano, 2007, com esta pertinente temática, a pessoa humana, coração da paz. A consideração da pessoa humana como coração da paz tem como objetivo recolocar o sentido e a necessidade do respeito permanente e incondicional a cada pessoa. Este respeito incondicional, em tudo e em todas as circunstâncias, funcionará sempre como a grande alavanca sustentadora da promoção da paz. Isto significa compreender e adotar como princípio o respeito incondicional a cada pessoa como um compromisso intocável. Cada pessoa há de ser vista sempre como referência única gerando no coração de cada outro um sentido profundo e fecundo de reverência, o que por sua vez gera no coração daquela pessoa diante da outra, pela singularidade e importância de cada qual, um sentido de respeito e querer bem. Neste sentido de respeito e querer bem é que se fecundam as atitudes e compromissos para se alcançar um humanismo integral indispensável no horizonte de todas as culturas, povos e nações. O Santo Padre o Papa Bento XVI, por isso mesmo, entre os destinatários todos de sua mensagem de paz, convida a voltar o olhar especialmente para os que se encontram na tribulação e no sofrimento. Aqueles que vivem ameaçados pela violência e pela constrição das armas e todos os que são espezinhados na sua dignidade, no aguardo de um urgente resgate humano e social.
Sem deixar de fazer esta mensagem chegar ao coração dos governantes e responsáveis primeiros pelos destinos das nações, levando em conta sua força de poder e decisão, bem assim às mulheres e homens de boa vontade, o Papa Bento XVI focaliza especialmente as pessoas em situação de risco. Sua mensagem considera particularmente os sofrimentos que atentam contra a segurança e a dignidade da pessoa. Aí está uma convicção importante do quanto é indispensável para retraçar o novo horizonte da humanidade em se considerando a necessidade urgente de exercitar-se no olhar a si mesmo e a cada pessoa como coração da paz. Sem desconsiderar os macros projetos que configuram os destinos da humanidade e a organização mundial, é indispensável considerar cada pessoa, coração da paz, de novo e cada vez, no olhar sobre si mesmo e sobre o outro, de modo a gerar a insubstituível sensibilidade que garante nos corações este respeito e o sentido de compromisso com a vida de todos.
A lembrança especial das crianças, particularmente aquelas cujo futuro está comprometido pela exploração e pela maldade de adultos sem escrúpulos, recoloca a tônica importante de uma inocência que não pode faltar à humanidade. Esta tônica da inocência é, na verdade, a capacidade do coração de se compreender e agir como obreiro da justiça e da paz. Sem esta inocência prevalecerão sempre, nos relacionamentos e na gerência dos funcionamentos institucionais, as dinâmicas perversas que envenenam e matam a vida. Aquelas que só conseguem priorizar os próprios interesses em detrimento da justiça e da paz, comprometendo o bem maior e a consideração do conjunto das coisas. O ponto de partida é, pois, a eleição e o compromisso com um humanismo integral que terá sempre seu ponto de partida no respeito a cada pessoa. É no respeito a cada pessoa que se fecundam a promoção e a construção da paz. Esta construção e promoção da paz têm uma estreita relação com as premissas da compreensão da pessoa. É central, pois, como força de princípio, compreender e considerar em tudo e em todas as circunstâncias que o indivíduo humano possui a dignidade de pessoa, por ter sido criado à imagem e semelhança de Deus. Cada indivíduo não é, pois, simplesmente alguma coisa. Cada pessoa é alguém, capaz de se conhecer, de se possuir e de se dar e para a comunhão com os outros. Esta, continuará o Papa Bento XVI aprofundando, é a admirável perspectiva que hospeda a fonte que mostra o ser humano na sua capacidade de amar e de fazer progredir o mundo, renovando-o na justiça e na paz. Este é o ponto de partida na aposta pela e para a PAZ. Dom Walmor Oliveira de Azevedo Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte
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Segunda-feira, Janeiro 15, 2007
Planejamento e ação, com tolerância zero, mudam situação da violência em Nanuque, divisa de Minas com o Espírito Santo e Bahia, no Vale do Mucuri. Leia o ARTIGO ESPECIAL que nos foi enviado pelo nosso amigo e leitor do BLOG, o delegado especial de Polícia, ROBERTO SOUZA CAMPOS. Para ler e pensar!
Quando chegamos em Nanuque, em 26 de julho de 2001, havia 41 presos na Cadeia Pública local. Por outro lado, a cidade sofria com uma onda de assaltos à mão armada, alguns até com vítimas fatais, furtos de veículos e roubos a caminhoneiros nas estradas. Num trabalho conjunto desta 40ª DRPC, chefiada por este Delegado Regional, e da 95ª CIA da PM, chefiada pelo Major Jorge Augusto, sem preocupação com qualquer arroubo com o vedetismo, tudo feito com o apoio das nossas chefias, mas bem discretamente, nestes cinco anos e meio, elevamos a nossa população carcerária, sem a ocorrência de nenhuma rebelião, a picos de até 150 presos na Cadeia Pública desta Comarca, apesar de toda a movimentação carcerária normal do período, com saídas de presos para penitenciárias, cadeias de outros estados, ou legalmente liberados pela Justiça. As quadrilhas, chefiadas por bandidos desumanos, cruéis e sanguinários, como Adriano, Chacal, Lolô, Valdete, Isac, Juscelino, etc, todos, especializados em assaltos nos estados de Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo, foram totalmente desbaratadas. Hoje, há mais de três anos, não se registra sequer um furto de veículo nem nesta comarca, nem na área desta Regional, que é composta de dez municípios; a data do último assalto a banco, e que foi devidamente apurado e os bandidos presos, perdeu-se de vista; a última tentativa de sequestro, da qual foram vítimas os gerentes da CEF e familiares seus, também foi devidamente apurada, e todos os marginais presos em menos de 72 horas, sendo que três dos integrantes da quadrilha, foram presos na madrugada imediatamente seguinte ao dia do fato, na cidade de Serra dos Aimorés, a cinco quilômetros deste município, por uma equipe, composta por policiais civis e militares, comandada diretamente por este DRPC, logo após resgatarmos os reféns.
Hoje, na comarca de Nanuque, que compreende também o município de Serra dos Aimorés, a criminalidade está reduzida a um índice baixíssimo, perfeitamente tolerável. Os raros fatos criminosos, que aqui acontecem, são próprios da falibilidade da nossa natureza humana, apesar desta comarca se situar numa região hipoteticamente vulnerável, por se limitar diretamente com os Estados da Bahia e do Espírito Santo.
Fazemos este registro, não por vaidade ou por desejo de promoção pessoal, mesmo porque o mérito é de todos nós, Policiais Civis e Militares desta comarca, mas tão somente para que tenhamos a consciência de que, apesar da frouxidão do nosso ordenamento jurídico penal, da sua ineficiência e absoluta condescendência com a criminalidade, ainda se é possível fazer um trabalho virtuoso em prol da segurança das comunidades a que servimos. Aqui, meu caro amigo João Carlos, estaremos sempre a postos - e convenhamos nisto- plantando a semente de uma cidade onde se possa respirar e viver com amor.
ROBERTO SOUZA CAMPOS Delegado Regional de Polícia Civil NANUQUE/MG.
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Quinta-feira, Janeiro 18, 2007
ARTIGO ESPECIAL enviado ao nosso BLOG DE NOTÍCIAS pelo Assessor Judiciário do TTRIBUNAL DE JUSTIÇA de Minas Gerais. É bom conferir o que ele escreveu! E atenção dr. Adriano: continue a nos acessar e mande-me mais artigos. Obrigado!
Solução de conflitos nos Juizados Especiais *Adriano da Silva Ribeiro
A Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 5 de outubro de 1988, prevê na norma do artigo 98, inciso I, a criação, pelos estados e pela União, de Juizados Especiais, providos por juízes togados, ou togados e leigos, competentes para a conciliação, o julgamento e a execução de causas cíveis no valor de até 40 salários mínimos e infrações penais de menor potencial ofensivo, mediante procedimentos oral e sumaríssimo.
Sete anos depois da promulgação da Constituição Federal, sobreveio a Lei Federal nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, dispondo sobre os Juizados Especiais Cíveis e Criminais nos Estados. O objetivo é a conciliação, na área cível, ou a transação penal, na criminal, a fim de se buscar, sempre, o acordo ou o consenso das partes. Portanto, o ato de conciliar pretende a harmonização dos litigantes ou pessoas, mediante acordo homologado pelo juiz.
Nesse sentido, se permitiu a participação de uma terceira pessoa, cuja função intitula-se de Conciliador – bacharel em direito ou não – na solução de conflitos. Exerce fundamental papel, pois seu desempenho conciliatório resulta, muitas vezes, na composição amigável da demanda.
Lembro, a propósito da expressão "conciliador", o que afirma o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa: "Propenso a conciliar ânimos, opiniões; conciliante, conciliativo; homem conciliador, é ele que resolve os dissídios em família".
Além de não haver necessidade de conhecimentos técnicos em direito, a função exige tendência conciliatória e elevado interesse pelo fascinante instituto da conciliação. Este auxiliar, no caso da Justiça, precisa entender a relevância de sua função.
Na prática, embora pareça tarefa simples, não o é, pois o conciliador é o primeiro juiz da causa. O conciliador que se empenha, na atividade, terá o encargo de conter o animus das partes, às vezes alterados. Conduzirá o ato processual, explicará o procedimento, provocará o diálogo, a fim de se obter a solução do conflito.
Nos Juizados Especiais, exercer a conciliação requer imparcialidade. A compreensão também é importante, e para obtê-la é necessário ouvir as partes. Sobretudo manter-se concentrado, de modo a tornar-se exemplo para que os envolvidos no conflito saibam como ouvir uns aos outros. Permitir às partes exporem os fatos, mediante justificativa do seu comportamento. Esta oportunidade franqueará um acordo que, outrora impossível, torna-se viável.
Importante listarmos as vantagens da conciliação: possibilita soluções criativas; deixa nas mãos das partes a decisão; não admite a ruptura entre os litigantes; permite uma relação de proximidade entre as partes e a Justiça; favorece a economia e celeridade processual; viabliza a reconciliação entre inimigos minimizando a tensão social; ameniza o inconformismo da parte vencida e, principalmente, que o litígio permaneça em estado latente; é excelente alternativa da pacificação social; evita a sentença, considerada solução imposta e, fundamentalmente, impede a sobrecarga nos tribunais.
O recrutamento de conciliadores, para os Juizados Especiais Cíveis e Criminais, está previsto na norma do artigo 7º, da Lei n 9.099/95. Devem ser escolhidos, preferencialmente, entre bacharéis em direito, portanto, nada impede que estagiários de direito aprovados com critérios previamente estabelecidos exerçam esta função. Em diversas audiências também atuam graduandos nos cursos de psicologia e serviço social. Há, para tanto, entre o Tribunal de Justiça do Estado de Minas e algumas Universidades, convênios com a finalidade de cooperação técnico-didática na área de estágio supervisionado.
Aliás, essa experiência beneficia ambas as partes: o estagiário exercita a prática de teorias aprendidas por muitos semestres na faculdade e tem ainda a oportunidade de conviver e aprender diretamente com juízes, escrivães, funcionários das secretarias de juízo e advogados, além das partes que atuam na disputa; para o Juizado Especial, é a oportunidade de colher novas idéias, fôlego, dedicação e disposição para o auxílio na prestação jurisdicional de qualidade e com mais eficiência.
O Conselho Nacional de Justiça, em recente enunciado administrativo, também aprimora a atuação do bacharel em direito na função de conciliador, ao considerar atividade jurídica o exercício como juiz leigo ou conciliador no Sistema dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais, desde que não inferior a 16 horas mensais.
Portanto, sem empenho do conciliador, dificilmente o resultado obtido será um acordo. As principais qualidades, naturalmente, são: ter boa comunicação; saber ouvir; perceber a comunicação não-verbal; ser empático; aceitar as diferenças; possuir equilíbrio emocional e preparar-se para a audiência. Mas o empenho e as qualidades do conciliador não podem significar forçar as partes contra sua vontade, em situações, às vezes, constrangedoras.
A tarefa do conciliador será, sempre, adubar as sementes da solidariedade, da justiça e da paz. E, para isso, é fundamental haver sintonia com a missão e com os valores defendidos pelo Juizado Especial de Minas e de outros estados do país.
Não é à toa que o Conselho Nacional de Justiça, sob a liderança da ministra Ellen Gracie Northfleet, presidente do Supremo Tribunal Federal, defende a conciliação como uma das prioridades para a Justiça brasileira. Em movimento nacional, lançado dia 8 de dezembro do ano passado, o CNJ divulgou a campanha "Conciliar é legal", slogan que vai permear diversas ações com foco na solução de conflitos já distribuídos ou não nos Juizados Especiais e nas varas Cíveis e de Família da 1ª Instância, além daqueles sob a responsabilidade dos informais Juizados de Conciliação.
Minas Gerais novamente serve de exemplo para o país. Como bem disse o desembargador Orlando Carvalho, presidente do Tribunal de Justiça do Estado: "Minas está construindo sua própria história de promoção da cultura da paz, por meio da conciliação. Conciliar é legal e faz bem. Nossos Juizados Especiais são exemplos disso".
*Adriano da Silva Ribeiro Assessor judiciário do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG); Graduando em Direito da PUC Minas Betim e membro associado do Instituto de Hermenêutica Jurídica
REPERCUSSÃO do ARTIGO ESPECIAL do dr. Adriano Ribeiro: |
#1. Rodrigo Lott - (balondor@yahoo.com) Muito pertinente o artigo do dr. Adriano Ribeiro. A conciliação é uma forma de evitar os litígios, onde não mais existirão vencedores e nem vencidos. Textos como estes devem ser amplamente divulgados, pois é sempre tempo de conciliar. Parabéns dr. Adriano, o TJMG deve orgulhar-se de funcionários como o senhor.
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#2. Valéria - (Email não informado) Parabéns Dr. Adriano, o Sr. abordou o tema com louvor. Também penso que a conciliação é o caminho não só para as partes mas também para a Justiça. Aprecio muito seus textos, sempre profundos, ricos em conteúdo porém de fácil assimilação. O Sr. é um exemplo para os servidores públicos.
#3. Rogério Lisboa - (rogeriolisboa_adv@hotmail.com) Sábias palavras Dr. Adriano. É através de gestos como esses que conciliaremos primeiro nossas atitudes e levaremos a paz social tão desejada por todos. É urgente a necessidade que todos têm de ver seu judiciário atuando de forma celere sem contudo perder seu caráter conciliador e é através da conciência da importante função que exercem os conciliadores que seremos bem recebidos e de melhor forma conduzidos em nossas demandas. Espero que este artigo possa chegar às mãos de cada conciliador, não só em Minas Gerais, mas em todo nosso querido e necessitado Brasil. Abraços!
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Sábado, Julho 7, 2007
ARTIGO ESPECIAL escrito pelo nosso amigo, o dr. Willer Pós, diretor de Meio Ambiente da Anglogold Ashanti. Vale observar os detalhes das informações e das argumentações da mente brilhante do dr. Willer sobre um assunto que mexe lá no fundo de nossas consciências. Vale conferir!.
MEIO AMBIENTE, PRESERVATIVOS E POLÍTICAS PÚBLICAS.
*Willer Pós
Freqüentemente, e até por dever de ofício, o governo anuncia ações nas mais diversas áreas de interesse público. Entretanto, seja na área de segurança, educação, infra-estrutura ou saúde pública, raramente se observa nas iniciativas governamentais a interface com a vertente ambiental. Na verdade, a área ambiental ainda é vista muito mais como um setor agregado, no qual se dificulta e burocratiza os processos de implementação de projetos das áreas pública e/ou privada.
Uma gestão integrada com o meio ambiente traz ganhos patentes para a sociedade. Dois bons exemplos disso são as políticas de limpeza pública, em que a orientação para reciclagem faz do Brasil um dos países que mais são reciclados plásticos e metais no mundo e, as ações da iniciativa privada, principalmente as mineradoras, mesmo em minoria, que implementam açòes na área de educação ambiental, com trabalhos realizados junto às escolas públicas locais.
Na área de saúde pública, o descompasso com a área ambiental é marcante. Um dos exemplos mais flagrantes da desvinculação com as questões ambientais está associado às campanhas contra a Aids e doenças sexualmente transmissíveis (DST). Desde 1985, tem-se preconizado que a melhor arma contra a contaminação pelo HIV, uma vez que a abstinência é impensável, é o uso de preservativos. Só no Brasil, dados preliminares demonstram que cerca de um bilhão de unidades de preservativos foram usados em 2003. A esse dado se computam a distribuição gratuita do governo, ONG's e vendas no varejo. As vendas são responsáveis por mais de 50% dessa estimativa. Segundo informações tomadas nos balcões de farmácias e drogarias, os preservativos são os itens, por unidade, mais vendidos.
Os EUA distribuíram próximo de 1,8 bilhões de unidades em 2003. A China, com uma população de aproximadamente 1,3 bilhões de habitantes, não só distribui preservativos, como também é um dos maiores exportadores desse artefato para o mundo. Considerando que, em média, cada preservativo pesa 3 gramas, são milhares de toneladas de borracha natural de altíssima qualidade (todo material usado na fabricação de preservativos é de grau médico) que no Brasil, não tido uma correta destinação final. E aí vai um dado interessante, no Brasil, grande parte do material usado na fabricação de preservativos vem das reservas extrativistas do Acre, onde se tem o critério da sustentabilidade como alma mater.
Entretanto, grande parte desse material acaba nas tubulações dos vasos sanitários e, conseqüentemente, nas estações de tratamento de esgoto (caso exista), criando grandes dificuldades na operação, com sensível aumento de custos. Isso tudo sem se levar em conta o potencial de contaminação já que todos os preservativos estão envoltos em lubrificantes à base de silicone e alguns até com substâncias espermicidas. Certamente, esses dados fariam Chico Mendes rolar na tumba.
A nossa grande dificuldade está na busca de alternativas para reutilização desse material. O próprio preconceito quando a esse resíduo de uso sexual dificulta qualquer política de reciclagem. Imaginem, óculos de natação ou mesmo luvas feitos com borrachas recicladas de preservativos: você usaria? Obviamente, tudo isso não passa de exercício mental. Na verdade, a mesma mídia, que sob orientação do Ministério da Saúde, preconiza com freqüência um ritual para uso dos preservativos com gestos e pessoas insinuantes, poderia, com a mesma naturalidade, orientar os usuários quanto ao descarte correto após o uso.
Outra sugestão seria a inclusão junto à embalagem de uma segunda embalagem, onde o preservativo, após o uso, poderia ser devidamente embalado e descartado. Enquanto não acham solução para este simples problema, inclusive a busca para reutilização desse precioso material, digo a borracha, milhões de preservativos continuarão sendo descarregados em vasos sanitários pelo Brasil a fora. Certamente, as várias vertentes religiosas poderão, com esses argumentos, ter mais um aliado contra este instrumento acessorio de prazer e coibição da fertilidade humana. Mas o assunto está longe de ser resolvido na esfera da justiça divina e/ou por ações de cunho moralista-religioso.
Cabe sim, ao poder publico, orientar os usuários para um descarte sadio e ambientalmente correto, com a mesma energia com que o fazem para o seu uso. E cabe, também, aos centros de pesquisas e universidades, principalmente as públicas, que, hoje em regime de latência econômica e conseqüentemente de cabeças pensantes, ser imaginativas e trazer alternativas para a sociedade. Enquanto isso não ocorre, estaremos convivendo com a visualização diária dessas "embalagens do amor" espalhadas por escuras praças publicas, dando trabalho aos varredores e operadores de estações de tratamento de esgoto. Parece que ninguém vai querer botar a mão nesse negócio.
*WILLER PÓS: O autor é PhD em Química Ambiental pela Georgia Institute of Technolog-USA, diretor de Meio Ambiente da Anglogold Ashanti para a América Latina, Conselheiro da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária - ABES-MG e Ex-Presidente da Fundação Estadual de Meio Ambiente - Feam-MG.
whpos@hotmail.com
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Segunda-feira, Agosto 6, 2007
ARTIGO ESPECIAL. Vem do nosso colaborador o ex-superintendente do Banco do Brasil, em Minas, o montesclarense WAGNER GOMES.
Uma nova elite se consolida?
Wagner Gomes
Imagino que na concepção positivista, o termo elite, possa não ter qualquer conotação ideológica. Creio mesmo que todas as elites são genuínas, desde que se possa a elas conferir um apoiamento considerável da coletividade que representam. No entanto, o que percebemos ao ouvir o termo, citado por quantos o usam pejorativamente, é que a elite representa uma coisa ruim, um movimento excludente e de estratificação social. Quem assim a percebe, tem uma visão que ela se encontra no alto da pirâmide social, quase invariavelmente em uma posição de liderança e exercendo pressão para ali se manter.
Pareto, conhecido sociólogo ítalo-francês elaborou um magistral tratado de sociologia, através do qual nos induzia a pensar, em todas as épocas e lugares, que o Estado é dinamizado por dois setores sociais, ou seja, uma elite que governa e outra que é governada.
Nunca havia pensado, então, nessa elite formadora de todas as outras elites, a que é governada e que elege os seus representantes. Etimologicamente, elite pode ser o que há de melhor, assim como, também, pode ser eleger, ou escolher. Nesse contexto, a verdadeira elite é essa que se forma à margem das elites tradicionais, dos políticos, burocratas, líderes empresariais e líderes sindicais. Racionalizando, em nosso Brasil, o povo, cansado de esperar por atitudes e valores políticos básicos diretamente referidos a questões de justiça e igualdade, percebeu que poderia destronar uma elite dirigente que, em sua visão coletiva, se tornara esclerosada e corrompida, identificando em Lula um movimento tendente a estabelecer uma nova ordem.
E Lula, assimilando esse clima, consegue em seu primeiro mandato reunir programas de transferência condicional de renda, que já existiam, antes, no Brasil. Em 1995, o então governador do Distrito Federal, Cristóvam Buarque, implementou o Bolsa Escola em Brasília, garantindo renda às famílias que realmente mantivessem seus filhos da escola. Durante o governo Fernando Henrique, foram criados programas com a mesma matriz, mas com alcance nacional: o Bolsa Escola é o mais famoso deles. No governo Lula, aqueles programas (Bolsa Escola, Cartão Alimentação, Bolsa Alimentação e Auxílio Gás) foram reunidos, ampliados e rebatizados com o pomposo nome de Bolsa Família, adquirindo, desta forma uma nova roupagem.
Pois bem, nesse exato momento, o Presidente Lula com seu aguçado senso de oportunidade, se deu conta de que estava, definitivamente, dando vida a mais extraordinária de todas as elites, constituída pelos seus governados e que, ao mesmo tempo, assim subliminarmente motivados, elegeriam seus governantes nos próximos pleitos. Algo assim, muito parecido com a ditadura da maioria, antes silenciosa, se é que ela exista.
É preciso reconhecer, hoje, que grupos, antes desprivilegiados, argumentam que a negligencia na análise, formulação e implementação de políticas sociais possam estar sendo sanadas. Assim, percebem nesse governo uma visão que vivencia e interpreta a pobreza e a desigualdade. Aí, com esse sentimento que os une, formou-se essa elite sob a égide daquilo que o candidato Lula apregoava, ou seja: a esperança venceu o medo. Com esse movimento se torna, então, possível romper-se o fosso, antes intransponível, entre a classe pobre, robustecida pelo achatamento da classe média, e as demais classes sociais.
O povão mudou sua consciência e hoje não mais assume passivamente o papel de massa de manobras de antigos formadores de opinião. Desta forma, pensam mais ou menos assim: “cada um de nós, se coletivarmos decisões, pode ser e fazer o que quiser.” E a grande pergunta que se apresenta, em cada eleição, diz respeito ao que se pode esperar nos próximos quatro anos. Ou quem sabe, cinco anos, em um futuro próximo. Afinal a reeleição vem sendo questionada de cima para baixo, sem que os governantes sequer pensem em promover um plebiscito. A elite política continua, como sempre fez, desprezando a opinião do povo.
E quem descobrir essa resposta conseguirá, também, descobrir o querer coletivo. Assimilar esse anseio é meio caminho andado para obter o voto da elite eletiva. Sem sombra de dúvida, o Presidente Lula foi quem primeiro captou essa integração do inconsciente coletivo, transformando-a em votos, e se tornando imune ao ambiente de corrupção detectado com ênfase nas CPIs e veiculado, insistentemente, pelos jornais e revistas de norte a sul do País, em pleno processo eleitoral.
Também, em Minas Gerais, o Governador Aécio Neves, tem demonstrado que descobriu esse caminho. Conseguiu formar um elo emocional entre corações e mentes dos habitantes de nosso Estado, alinhando o seu pensamento político aos anseios de uma população. Nesse particular enxergo, em nosso Governador Aécio, um pouco de Winston Churchill quando dizia: “Você cria o seu próprio universo ao longo do caminho”.
Temas que, com certeza, pontuarão as próximas eleições, estarão sendo assimilados pela elite eletiva, e creio se destacarão os seguintes: expansão dos gastos sociais visando erradicar a pobreza e reduzir as desigualdades, implementar a participação do trabalhador nos lucros, desregulamentar a economia – incluído nesse bojo a reforma tributária, aumentar a eficiência dos serviços públicos, uma política sistematizada para o biodiesel como forma de proteger o meio ambiente, uma efetiva política de segurança com visíveis resultados a serem alcançados no combate a criminalidade, tudo isso permeado por ampla reforma política.
Millôr Fernandes, por outro lado, apregoa que ser gênio é fácil - difícil é achar quem o reconheça. O nosso próximo Presidente, necessariamente, deverá ser um gênio a ser reconhecido por essa mais fantástica elite, que é o povão.
Quem viver, verá!
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Terça-feira, Setembro 25, 2007
ARTIGO ESPECIAL enviado ao nosso BLOG DE NOTÍCIAS por Fábio Caldeira, secretário muncipal da Regional Oeste de Belo Horizonte. Confira!
PROPOSTA PARA A REFORMA POLÍTICA Fábio Caldeira Castro Silva Advogado, diplomado em políticas públicas para o desenvolvimento pelo BID, em Washington, mestre em ciência política, doutor em direito pela UFMG, professor universitário, secretário municipal da Regional Oeste em Belo Horizonte Não obstante a reforma política praticamente ter ido para as calendas gregas, a OAB fez sua parte. Sempre presente nos momentos de crise, que trazem reflexos à ordem pública e ao sistema democrático, a entidade apresentou ao Congresso Nacional sugestões para alterar o ordenamento político-eleitoral nacional. Segundo o seu presidente, Cezar Britto, "a reforma política é fundamental para a nação como o ar que nós respiramos; ela é tida como a rainha de todas as reformas, porque é quem traça a vida da cidadania".
Três pontos merecem destaque, a saber: fidelidade partidária, financiamento público de campanha e sistemas proporcionais de votação. O instituto da fidelidade partidária está intimamente ligado ao fortalecimento dos partidos políticos e da democracia. Nosso sistema eleitoral não contém nenhuma medida que proíba os detentores de mandato de mudarem de partido.
Também não há vinculação da ação parlamentar dos deputados às questões programáticas do partido. Deve ser ressaltado que não há nas democracias mais avançadas do mundo normas específicas de fidelidade partidária. O que há são, além de aspectos culturais, regras inibidoras de migrações partidárias, como o voto distrital ou o sistema de listas fechadas.
Nos Estados Unidos, o poder está dividido entre dois partidos, o democrata e o republicano, sendo que as bancadas regionais têm grande força. Em alguns casos, os democratas do Sul votam com os republicanos em matérias sobre organização social, enquanto estes, em alguns momentos, votam com aqueles em temas econômicos.
Deve ser ressaltado que não há punição aos respectivos parlamentares. A troca de partidos entre os políticos é quase nula, em decorrência da longa tradição de democratas e republicanos. Em relação à Alemanha, a questão da fidelidade partidária é remetida ao estatuto partidário. Há um profundo comprometimento dos políticos com a legenda à qual fazem parte. Portanto, na Alemanha, partidos sólidos e sistema eleitoral (voto distrital misto) favorecem a estabilidade e intimidam a infidelidade partidária.
É de fácil percepção que o sistema brasileiro conduz a uma personificação eleitoral, em detrimento dos partidos políticos. O voto nominal em lista aberta dificulta a solidificação partidária. Além disso, promove-se uma competição política desagregadora entre candidatos de um mesmo partido, fragilizando-o ainda mais.
No sistema de lista fechada, o eleitor só pode votar no partido, na ordem determinada por este em convenção, não podendo manifestar sua preferência por determinado candidato da lista. É inegável seu caráter benéfico ao fortalecimento dos partidos políticos. Sua adoção deve ser seguida de algumas regras, para evitar a chamada ditadura das direções partidárias.
Como aspectos culturais e fraca institucionalização do sistema brasileiro não recomendam a implementação de processo semelhante, uma boa e simpática alternativa seria a adoção do chamado "distritão", ou seja, eleições parlamentares pelo sistema majoritário, em que seriam abolidos os fatídicos e medíocres cálculos do quociente eleitoral partidário, sendo, no caso de Minas Gerais, eleitos os 53 deputados federais e os 77 deputados estaduais mais votados, independentemente do partido.
Já a relação entre dinheiro e eleição é polêmica e relevante em todas as democracias. No atual sistema pátrio, a Lei nº 9.504/97 permite o financiamento privado, limitado, no caso de pessoa física, a 10% dos rendimentos brutos auferidos no ano anterior ao da eleição. Em relação à pessoa jurídica, a lei fixou o limite de doações em 2% do faturamento bruto do ano anterior à eleição. Já há um financiamento público das campanhas eleitorais, que é a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV, em que as emissoras abatem dos impostos a pagar o tempo disponibilizado aos partidos e coligações.
Uma proposta bem interessante seria a de introdução de um sistema de financiamento misto, em que a doação de recursos por pessoas físicas e jurídicas ficaria permitida apenas a um fundo do TSE, que seria dividido entre os partidos, conforme a respectiva bancada federal escolhida por voto na eleição anterior. Ficariam proibidas, portanto, doações feitas diretamente aos partidos e aos candidatos. Isso facilitaria a fiscalização e a prestação de contas, além, é claro, de evitar o comprometimento de recursos federais para fins eleitorais, que poderiam ser aplicados em saúde e educação.
Disse Tancredo Neves, em 1981, referindo-se a mudanças na legislação eleitoral: "A hora é grave. As decisões têm que ser tomadas com grandeza, pensando no futuro do Brasil, ou então, estaremos deixando escapar a grande oportunidade de lhe darmos os meios adequados de se estabilizar, legitimando o poder". Lamentavelmente, essas mesmas palavras ditas em período ditatorial servem para o momento atual. E mais uma oportunidade se foi.
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Quinta-feira, Setembro 27, 2007
ARTIGO ESPECIAL enviado ao nosso BLOG DE NOTÍCIAS pelo deputado federal do PSDB mineiro,PAULO ABI-ACLEL, vice-líder da minoria no Congresso Nacional.
O VELHO CHICO AGONIZA E PEDE SOCORRO!!!
Em julho de 1994, o então ministro de Estado da Integração Social, Aluízio Alves, assinou a Portaria nº. 505, que dispõe sobre o funcionamento do Grupo de Coordenação de Ações Integradas para o desenvolvimento e supervisão do Projeto de Transposição da Águas do Rio São Francisco. Desde então, o assunto vem se transformando em uma das mais polêmicas questões nacionais.
A realidade hídrica brasileira, principalmente no que se refere à oferta e ao uso das águas, sempre foi assunto de interesse nos debates sobre as condições de vida da população no semi-árido brasileiro. Incluem-se aí regiões sofridas do Norte mineiro. Contudo, com a crise no abastecimento, a água passou a ser considerada "O ouro líquido do 3º milênio".
É nesse contexto que se discute a transposição do Rio São Francisco. Atualmente, existem dois cenários bem definidos em relação ao tema. O primeiro é o do imediatismo, caracterizado pela ânsia de fazer aflorar água, nos terrenos castigados pela constante seca que assola aquela região tão penalizada do país. Tal cenário esboça interesses políticos que devem, no entanto, ser repensados, visando analisar com responsabilidade as conseqüências impostas ao meio ambiente. Um dos problemas apontados pelos especialistas é que as autoridades insistem em encarar o São Francisco como rio supridor de matéria-prima, sendo que, segundo os técnicos, ele atua apenas como condutor.
O segundo é o cenário da ponderação, caracterizado por preocupações técnico-científicas com relação às limitações das fontes hídricas na condução do processo de transposição. Talvez, o ideal seria conjugar uma parcela de cada um, visando alcançar um denominador comum, capaz de atender as expectativas da população, sem, contudo, alterar o ecossistema local.
A bacia do rio São Francisco tem área aproximada de 640 mil km², onde se localizam 420 municípios. Nos 97 que estão em suas margens, residem cerca de 14 milhões de pessoas. Dos seus 168 afluentes, 99 são perenes e, desses, 12 correm em território mineiro, entre eles o rio das Velhas e o Paraopeba que recebem boa parte dos esgotos da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Cerca de 30% dos rejeitos dessas cidades e de outras 400 contribuem para poluir o Velho Chico com coliformes fecais, ferro, manganês, fenóis, óleos, graxas e até arsênico e mercúrio, subprodutos da extração do ouro e outros minerais.
Outro problema enfrentado pelo São Francisco diz respeito aos desmatamentos. As siderúrgicas mineiras consomem, anualmente, cerca de 6 milhões de toneladas de carvão vegetal, dos quais 40% são provenientes das derrubadas de matas nativas. Com isso, estima-se que foram destruídas, aproximadamente, 75% da vegetação regional e 95% das matas ciliares dos rios no seu alto curso.
Em Minas Gerais, nos últimos 30 anos, 50% da vegetação dos cerrados foram transformados em carvão. Nas regiões onde são plantados soja e café irrigados, a expansão das lavouras tem contribuído para o aumento dos desmatamentos, principalmente os efetuados próximos as nascentes.
De acordo com a Declaração Universal dos Direitos da Água, esse recurso natural "faz parte do patrimônio do planeta. Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos". Contudo, na prática, a situação tem sido bem diferente.
Com o crescimento acelerado dos núcleos urbanos, o recurso hídrico vem sendo utilizado de forma não sustentável. Além da ameaça de esgotamento da quantidade disponível, a qualidade da água está cada vez mais comprometida, devido à poluição de origem doméstica e industrial. É bem evidente que o recurso hídrico está se tornando um dos bens mais disputados do planeta, e, como tal, deve ser respeitado. Paulo Abi-Ackel Deputado Federal (PSDB)
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Sábado, Outubro 6, 2007
MEMÓRIAS DE UM REPÓRTER DE TV - capítulo 1 - João Carlos Amaral.
Assistindo o programa gratuito do PMDB, pela TV, junto com o governador Tancredo Neves e dona Risoleta, no Palácio das Mangabeiras.
Você já teve o privilégio de assistir TV, com nada mais, nada menos, que o dr. Tancredo Neves e sua simpática mulher a saudosa dona Risoleta? E sendo servido de salgadinhos e suco de laranja por ela? Se você for parente ou amigo íntimo do casal não vale responder: sim! Pois este repórter, agora também um blogueiro, teve este privilágio. Foi assim: noite fria, vento forte. 1984. Tancredo de olho no Colégio Eleitoral. Nosso diretor de jornalismo na Rede Globo Minas, Lauro Diniz, acertou com o J.D.Vital, chefe da Assessoria de Comunicação do governador Tancredo Neves, para que nós pudéssemos produzir uma reportagem durante o Programa Nacional, gratuito, do PMDB em rede nacional, com o governador assistindo o programa.
Lá fomos nós. Eu e a equipe da Globo. O cinegrafista Alípio Martins, câmera no ombro, jeito discreto, mas atento a todos os gestos e reações do dr. Tancredo. Só que o governador pediu para que deixássemos para o final da transmisão da TV para fazermos as imagens e então gravar a entrevista. É claro que a contragosto, concordei. Não havia outro jeito. Começa o programa. O saudodo deputado Ulysses Guimarães, ancora o programa. Aparece em cena no final e cada pronunciamento colhido pela equipe de TV do PMDB. Dr. Ulysses iniciava cada aparrição com a palavra NÃO. Não a esta política econômica, Não ao Colégio Eleitoral, Não ao regime militar e, assim foi durante os 60 minutos de programa televisivo. Não, Não, Não...
Dona Risoleta entra e sai a cada momento reabastecendo nossos pratinhos de salgadinhos e suco de laranja. Eu observo o então governador Tancredo Neves. Ele coçava a orellha, ora a direita, ora a esquerda. Acaricia o nariz, não fala nada. Só resmunga. Eu espero. Ví que ele estava incomodado com a linha desenvolvida pelo programa do PMDB na TV. Olho para meu relógio. Será que vai dar tempo para gravar a entrevista e mandar pelo satélite para o Jornal da Globo, no Rio? Olha, naquele tempo não havia ainda o celular, E-mail. ( penso hoje, como conseguia viver sem eles).
Acaba o programa. Nos levantamos. Eu indago: vamos gravar dr. Tancredo? A luz é acesa, câmera ligada, microfone em ação. Mas o governador se atencipa e diz não vou gravar entrevista sobre este assunto. Por favor desligue o equipamento. Desligamos. Aí o dr. Tancredo disse: NÃO VOU GRAVAR NENHUM COMENTÁRIO, EM SINAL DE PROTESTO, PORQUE NENHUM PEMEDEBISTA MINEIRO TEVE ESPAÇO NO PROGRAMA. Obrigado meu filho, e boa noite. Mas, governador... E ele emendou: foi um prazer ter a sua companhia e de sua equipe e repetiu polidamente: boa noite para todos! Respondí: boa noite! E voltei à redação da Rede Globo. Sem a reportagem. Foi um " furo" ao contrário.
Assim era ele, o dr.Tancredo. Tinha a exata medida do momento de falar e de se calar! Afinal, nós como repórter político, sabíamos que o governador habilidosamente conduzia um processo de transição delicadíssimo, que passaria pelo Colégio Eleitoral, aonde mais tarde ele derrotou Paulo Maluf. Qualquer fala, gesto, aparentemente simples que fosse, poderia criar obstáculo intransponível, ainda mais num canal de TV como a Globo, líder de audiência. Na verdade, o adversário dele, dr. Tancredo, era o próprio dr. Ulysses, o Sr. Diretas. Tancredo preferiu se calar. Não por medo, mas por estratégia, hoje compreendendo! Comentário: se fosse hoje eu colocaria tudo no meu BLOG. Só que estávamos em 1984. Ou seja, 22 anos atrás... que blog, que tecnologia, que nada.
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Sábado, Outubro 6, 2007
MEMÓRIAS DE UM REPÓRTER DE TV - capítulo 2 - João Carlos Amaral.
Nas várias vezes que o ex-governador do Rio, Leonel Brizola veio a Minas nós estávamos lá o entrevistado, como repórter da Rede Globo. Nos palanques, nas coletivas animadas e engraçadas, cheias de ironia que só Brizola sabia dar, nós acompanhávamos cada gesto, cada detalhe. "O velho caudilho", como era conhecido entre nós, jornalistas de política, não deixava pedra sobre pedra, quando se tratava dos adversários e/ou até mesmo inimigos políticos.
O curioso é que na maioria das vezes que acompanhamos as entrevistas coletivas do ex-governador Brizola, a matéria não ia para o ar na Rede Globo. Como assim?. Era o seguinte: Brizola não perdia a oportunidade de estocar o saudoso dono da Globo, dr. Roberto Marinho. É que Brizola não conseguia esconder, e nem fazia a menor força para esconder sua mágoa, com os Marinho, a queme ele atribuia má vontade, na eleição dele ao governo do Rio de Janeiro, que gerou o caso Proconsult - que os fatos da época registrados pela mídia, diziam que a Globo tentou ajudar numa suposta manobra para retirar de Brizola a eleição ( verdade ou não, é o que crônica política registrou à época).
Daí, sem mais nem menos, Brizola no meio de uma declaração saía com um comentário maldoso sobre a Rede Globo e o dr. Roberto Marinho. Nós, como repórter Político da Rede Globo, ficávamos de saia justa, sem o que dizer. Segurávamos firmes o microfone e não arredávamnos pé, sempre com o coração na mão, constrangidos, sem poder nada dizer. Cumpriámos a nossa missão, já pensando: como é que o editor vai dar esta entrevista falando mal do dono da casa? Eram tempos difíceis. E mais, acabava a coletiva e os colegas da mídia sempre provocavam: o governador Brizola disse que a Globo não vai por a entrevista no ar. E aí, João Carlos? ...
Lembro-me uma dessas entrevistas. Foi no Auditório da Assembléia Legislativa de Minas. Lá estávamos nós. Como era uma coletiva daquelas formais, colocamos os mcrifones em coimna da mesa, lotando ma frente do ex-governador Leonel Brizola. Recebí a orientação só para gravar. Não fazer nenhuma pergunta para não provocar nenhum dos corriqueiros comentários mnaldosos de Brizola sobre a Globo. Tudo ia bem.
De repente, a repórter do jornal O Globo, nossa colega Sulamita, se levanta, pega o microfone colocado à disposiç~çao dos repórteres. Se identifica e pergunta: dr. Brizola, o presidente Sarney disse que desta vez a economia vai deslanchar. Como é que o sr. analisa a fala do presidente da República?
Olha minha filha - disse Brizola irônico, com sua fala arrsatada - nessa nem o dr. Roberto Marinho acredita! E emendou, mesmo ele se4m o principal avalaista do governo Sarney! Reação imeadiata, a repórter de O Globo foicopu vermelha, sem o que dizer. E como eu era o repórter da TV Globo na coletiva todos olharam em minha direção, inclusive o ex-governador Brizola, que emendou: olha quero ver você clocar está no ar! e riu...
Foi amaioir saia justa que já vesti, sem querer é claro! Enfirei o rabo entre as pernas, como se diz aqui em Minas, peguei a equipe e mais uma vez, jurei para mim mesmo: quando eu sair da Globo foi contar este episódio. Confesso mque fiquei com raiva do dr. Brizola, mas entendí, Como dizia o presidente Tancredo Neves, " POLÍTICA NÃO É PARA AMADOR", é preciso ter estômago.
Pensei: é mesmo, político e repórter político também! E como a briga era "entre cachorros grandes", peguei a fita, coloquei debaixo do braço e levei para nossa redação, ainda na rua Rio de Janeiro no bairro de Lourdes, aqui em Beagá.
Brizola foi "profético": a entrevista, é claro, não foi para o ar. Mas a fita foi gerada na íntegra para o alto comando da Rede Globo no Rio de Janeiro, para conhecimento dos chefes. Hoje, com internet, os Blogs, os E-mails, como como é que seria a reação dos formadores de opinião? E mais: reconheço que se eu fosse o dono da Globo não tinha como colocar no ar uma entrevista ofensiva e, digamos, gratuita, movida pela raiva - justificável ou não - não sei, do dr. Brizola. Ficou para mim a lição: sem sangue frio, sem ética, sem coragem de suportar saias justas não dá para ser repórter, muito menos de TV.
Faço este registro, para dar uma fotografia da época. Mostrar o estilo de um político, em um mundo sem globalização, sem rede mundial de comunicação. De um mundo aonde o telex, sem E-mail, sem You Tube. O fax tinha acabo de chegar ao mercado e as duas rádios que eram porta-vozes das duas maiores nações do planeta eram a Voz da Amáerica, em Washington e a Rádio Moscou em Moscou, em plena guerra fria. Um registro histórico, que só ficou na minha memória e dos josrnalistas e políticos - muitos já mortos - que estavam naquele auditório da Assembléia Legislativa naquela tarde longinqua dos idos de meados dos anos 80.
EM TEMPO: a fita com a coletiva de Brizola, certamente, está nos arquivos da Rede Globo no Rio de Janeiro. E um dia, quem sabe, vai virar estória, de um tempo que ensaiva a democracia, haviam só quatro canais de TV no País, com a Globo absolutamente na frente e, nós repórter políticos ensaiavamos os primeiros passos na carreira. Uma vitrine - a Globo era e ainda é - fundamental para um jovem que buscava a fama, o reconhecimento. É como disse Fernando Pessoa;" tudo vale a pena se alçma não é pequena". E a minha era grande! A nossa paciência bem maior. Mas, valeu a pena!
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Sexta-feira, Outubro 12, 2007
ARTIGO ESPECIAL
MEMÓRIAS DE UM REPÓRTER DE TV João Carlos Amaral.
Nas várias vezes que o ex-governador do Rio, Leonel Brizola veio a Minas nós estávamos lá o entrevistando, como repórter da Rede Globo. Nos palanques, nas coletivas animadas e engraçadas, cheias de ironia que só Brizola sabia dar, nós acompanhávamos cada gesto, cada detalhe. "O velho caudilho", como era conhecido entre nós, jornalistas de política, não deixava pedra sobre pedra, quando se tratava dos adversários e/ou até mesmo inimigos políticos.
O curioso é que na maioria das vezes que acompanhamos as entrevistas coletivas do ex-governador Brizola, a matéria não ia para o ar na Rede Globo. Como assim? Era o seguinte: Brizola não perdia a oportunidade de estocar o saudoso dono da Globo, dr. Roberto Marinho. É que Brizola não conseguia esconder, e nem fazia a menor força para esconder sua mágoa, com os Marinho, a quem ele atribuia má vontade na eleição dele ao governo do Rio de Janeiro, que gerou o caso Proconsult - que os fatos da época registrados pela mídia, diziam que a Globo tentou ajudar numa suposta manobra para retirar de Brizola a eleição ( verdade ou não, é o que crônica política registrou à época).
Daí, sem mais nem menos, Brizola no meio de uma declaração saía com um comentário maldoso sobre a Rede Globo e o dr. Roberto Marinho. Nós, como repórter Político da Rede Globo, ficávamos de saia justa, sem o que dizer. Segurávamos firmes o microfone e não arredávamnos pé, sempre com o coração na mão, constrangidos, sem poder nada dizer. Cumpriámos a nossa missão, já pensando: como é que o editor vai dar esta entrevista falando mal do dono da casa? Eram tempos difíceis. E mais, acabava a coletiva e os colegas da mídia sempre provocavam: o governador Brizola disse que a Globo não vai por a entrevista no ar. E aí, João Carlos? ...
Lembro-me uma dessas entrevistas. Foi no Auditório da Assembléia Legislativa de Minas. Lá estávamos nós. Como era uma coletiva daquelas formais, colocamos os mcrifones na mesa, lotando a frente do ex-governador Leonel Brizola. Recebí a orientação só para gravar. Não fazer nenhuma pergunta para não provocar nenhum dos corriqueiros comentários maldosos de Brizola sobre a Globo. Tudo ia bem.
De repente, a repórter do jornal O Globo, nossa colega Sulamita, se levanta, pega o microfone colocado à disposiçao dos repórteres. Se identifica e pergunta: dr. Brizola, o presidente Sarney disse que desta vez a economia vai deslanchar. Como é que o sr. analisa a fala do presidente da República?
Olha minha filha - disse Brizola irônico, com sua fala arrastada - nessa nem o dr. Roberto Marinho acredita! E emendou: mesmo ele sendo o principal avalista do governo Sarney! Reação imediata: a repórter de O Globo focou vermelha, sem o que dizer. E como eu era o repórter da TV Globo na coletiva, todos olharam em minha direção, inclusive o ex-governador Brizola, que emendou: olha quero ver você colocar está no ar! e riu...
Foi a maior saia justa que já vesti, sem querer é claro! Enfirei o rabo entre as pernas, como se diz aqui em Minas, peguei a equipe e mais uma vez, jurei para mim mesmo: quando eu sair da Globo foi contar este episódio. Confesso que fiquei com raiva do dr. Brizola, mas entendí, Como dizia o presidente Tancredo Neves, " POLÍTICA NÃO É PARA AMADOR", é preciso ter estômago.
Pensei: é mesmo, político e repórter político também! E como a briga era "entre cachorros grandes", peguei a fita, coloquei debaixo do braço e levei para nossa redação, ainda na rua Rio de Janeiro no bairro de Lourdes, aqui em Beagá.
Brizola foi "profético": a entrevista, é claro, não foi para o ar. Mas a fita foi gerada na íntegra para o alto comando da Rede Globo no Rio de Janeiro, para conhecimento dos chefes. Hoje, com internet, os Blogs, os E-mails, como como é que seria a reação dos formadores de opinião? E mais: reconheço que se eu fosse o dono da Globo não tinha como colocar no ar uma entrevista ofensiva e, digamos, gratuita, movida pela raiva - justificável ou não - não sei, do dr. Brizola. Ficou para mim a lição: sem sangue frio, sem ética, sem coragem de suportar saias justas não dá para ser repórter, muito menos de TV.
Faço este registro, para dar uma fotografia da época. Mostrar o estilo de um político, em um mundo sem globalização, sem rede mundial de comunicação. De um mundo sem Internet, E-mail, sem You Tube. O fax tinha acabo de chegar ao mercado e as duas rádios que eram porta-vozes das duas maiores nações do planeta eram a Voz da América, em Washington e a Rádio Moscou em Moscou, em plena guerra fria. Um registro histórico, que só ficou na minha memória e dos josrnalistas e políticos - muitos já mortos - que estavam naquele auditório da Assembléia Legislativa naquela tarde longinqua dos idos de meados dos anos 80.
EM TEMPO: a fita com a coletiva de Brizola, certamente, está nos arquivos da Rede Globo no Rio de Janeiro. E um dia, quem sabe, vai virar história, de um tempo que ensaiva a democracia, haviam só quatro canais de TV no País, com a Globo absolutamente na frente e, nós repórter políticos ensaiavamos os primeiros passos na carreira. Uma vitrine - a Globo era e ainda é - fundamental para um jovem que buscava a fama, o reconhecimento. É como disse Fernando Pessoa;" tudo vale a pena se alma não é pequena". E a minha era grande! A nossa paciência bem maior. Mas, valeu a pena!
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Domingo, Outubro 21, 2007
Daqui a um ano lançaremos o livro " Memórias de um Repórter de TV". Semanalmente vamos escrever os textos do futuro livro. Você que acessa nosso BLOG DE NOTÍCIAS tem a oportunidade de ler cada página em primeira mão aqui no nosso espaço. Confira!
ARTIGO ESPECIAL
MEMÓRIAS DE UM REPÓRTER DE TV João Carlos Amaral.
Nas várias vezes que o ex-governador do Rio, Leonel Brizola veio a Minas nós estávamos lá o entrevistando, como repórter da Rede Globo. Nos palanques, nas coletivas animadas e engraçadas, cheias de ironia que só Brizola sabia dar, nós acompanhávamos cada gesto, cada detalhe. "O velho caudilho", como era conhecido entre nós, jornalistas de política, não deixava pedra sobre pedra, quando se tratava dos adversários e/ou até mesmo inimigos políticos.
O curioso é que na maioria das vezes que acompanhamos as entrevistas coletivas do ex-governador Brizola, a matéria não ia para o ar na Rede Globo. Como assim? Era o seguinte: Brizola não perdia a oportunidade de estocar o saudoso dono da Globo, dr. Roberto Marinho. É que Brizola não conseguia esconder, e nem fazia a menor força para esconder sua mágoa, com os Marinho, a quem ele atribuia má vontade na eleição dele ao governo do Rio de Janeiro, que gerou o caso Proconsult - que os fatos da época registrados pela mídia, diziam que a Globo tentou ajudar numa suposta manobra para retirar de Brizola a eleição ( verdade ou não, é o que crônica política registrou à época).
Daí, sem mais nem menos, Brizola no meio de uma declaração saía com um comentário maldoso sobre a Rede Globo e o dr. Roberto Marinho. Nós, como repórter Político da Rede Globo, ficávamos de saia justa, sem o que dizer. Segurávamos firmes o microfone e não arredávamnos pé, sempre com o coração na mão, constrangidos, sem poder nada dizer. Cumpriámos a nossa missão, já pensando: como é que o editor vai dar esta entrevista falando mal do dono da casa? Eram tempos difíceis. E mais, acabava a coletiva e os colegas da mídia sempre provocavam: o governador Brizola disse que a Globo não vai por a entrevista no ar. E aí, João Carlos? ...
Lembro-me uma dessas entrevistas. Foi no Auditório da Assembléia Legislativa de Minas. Lá estávamos nós. Como era uma coletiva daquelas formais, colocamos os mcrifones na mesa, lotando a frente do ex-governador Leonel Brizola. Recebí a orientação só para gravar. Não fazer nenhuma pergunta para não provocar nenhum dos corriqueiros comentários maldosos de Brizola sobre a Globo. Tudo ia bem.
De repente, a repórter do jornal O Globo, nossa colega Sulamita, se levanta, pega o microfone colocado à disposiçao dos repórteres. Se identifica e pergunta: dr. Brizola, o presidente Sarney disse que desta vez a economia vai deslanchar. Como é que o sr. analisa a fala do presidente da República?
Olha minha filha - disse Brizola irônico, com sua fala arrastada - nessa nem o dr. Roberto Marinho acredita! E emendou: mesmo ele sendo o principal avalista do governo Sarney! Reação imediata: a repórter de O Globo focou vermelha, sem o que dizer. E como eu era o repórter da TV Globo na coletiva, todos olharam em minha direção, inclusive o ex-governador Brizola, que emendou: olha quero ver você colocar está no ar! e riu...
Foi a maior saia justa que já vesti, sem querer é claro! Enfirei o rabo entre as pernas, como se diz aqui em Minas, peguei a equipe e mais uma vez, jurei para mim mesmo: quando eu sair da Globo foi contar este episódio. Confesso que fiquei com raiva do dr. Brizola, mas entendí, Como dizia o presidente Tancredo Neves, " POLÍTICA NÃO É PARA AMADOR", é preciso ter estômago.
Pensei: é mesmo, político e repórter político também! E como a briga era "entre cachorros grandes", peguei a fita, coloquei debaixo do braço e levei para nossa redação, ainda na rua Rio de Janeiro no bairro de Lourdes, aqui em Beagá.
Brizola foi "profético": a entrevista, é claro, não foi para o ar. Mas a fita foi gerada na íntegra para o alto comando da Rede Globo no Rio de Janeiro, para conhecimento dos chefes. Hoje, com internet, os Blogs, os E-mails, como como é que seria a reação dos formadores de opinião? E mais: reconheço que se eu fosse o dono da Globo não tinha como colocar no ar uma entrevista ofensiva e, digamos, gratuita, movida pela raiva - justificável ou não - não sei, do dr. Brizola. Ficou para mim a lição: sem sangue frio, sem ética, sem coragem de suportar saias justas não dá para ser repórter, muito menos de TV.
Faço este registro, para dar uma fotografia da época. Mostrar o estilo de um político, em um mundo sem globalização, sem rede mundial de comunicação. De um mundo sem Internet, E-mail, sem You Tube. O fax tinha acabo de chegar ao mercado e as duas rádios que eram porta-vozes das duas maiores nações do planeta eram a Voz da América, em Washington e a Rádio Moscou em Moscou, em plena guerra fria. Um registro histórico, que só ficou na minha memória e dos josrnalistas e políticos - muitos já mortos - que estavam naquele auditório da Assembléia Legislativa naquela tarde longinqua dos idos de meados dos anos 80.
EM TEMPO: a fita com a coletiva de Brizola, certamente, está nos arquivos da Rede Globo no Rio de Janeiro. E um dia, quem sabe, vai virar história, de um tempo que ensaiva a democracia, haviam só quatro canais de TV no País, com a Globo absolutamente na frente e, nós repórter políticos ensaiavamos os primeiros passos na carreira. Uma vitrine - a Globo era e ainda é - fundamental para um jovem que buscava a fama, o reconhecimento. É como disse Fernando Pessoa;" tudo vale a pena se alma não é pequena". E a minha era grande! A nossa paciência bem maior. Mas, valeu a pena!
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Domingo, Outubro 28, 2007
ARTIGO ESPECIAL, enviado ao nosso BLOG DE NOTÍCIAS por Wagner Gomes. Ele é mineiro de Montes Claros e foi superintendente do Banco do Brasil em Minas.
Norte de Minas: Estariam aqui os Emirados Árabes do futuro? Wagner Gomes
Quando se lê o noticiário mais recente, percebe-se que empresas de todo o mundo estão interessadas na construção de refinarias de biodiesel no Brasil. Há menos de um mês, o Primeiro Ministro da Itália, Romano Prodi, firmou acordo com o Presidente Lula nesse sentido. O Brasil virou moda na bioenergia, pois é detentor do mercado mais avançado do mundo, com mais de 30 mil postos de abastecimento que vendem etanol puro ou misturado com gasolina na proporção de 20 a 25 por cento do biocombustível.
A partir de 2008, o País pretende determinar a mistura obrigatória de 2 por cento de biodiesel no diesel comercial. Por conta de tudo isto, nosso mercado tornou-se um alvo de grandes investidores domésticos e internacionais, nos últimos anos. Players do porte de George Soros, Mitsui e Mitsubishi e, mais recentemente, interessados da gigante China, anunciam sua disposição de participar desse empreendimento monumental.
Recentemente, esteve em Minas Gerais, onde foi recebido pela Secretária de Estado Extraordinária para o Desenvolvimento dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri e do Norte de Minas, deputada Elbe Brandão, e pelo Presidente do Indi, Reginaldo Arcuri, o Sr. Paul Bottril – Director of Busines Development da D1 Oils Plc -, sediada no Reino Unido, acompanhado do empresário sino-brasileiro Mike Lu da Curcas Diesel do Brasil, em visita exploratória que pode mudar o destino do Norte de Minas. Os prefeitos municipais de Capitão Enéas e Janaúba estiveram também reunidos com aludidos empresários, e puderam conhecer seus planos para a nossa região.
Ambos possuem interesse específico na obtenção do biodiesel em larga escala, a partir do Jatropha curcas L, mais conhecido entre nós como pinhão manso. A empresa britânica D1 Oils ( http://www.d1plc.com) necessita, a cada ano, agregar 140.000ha. de pinhão manso ao seu processo produtivo, e oferece, para assegurar esse crescimento, contratos de longo prazo para compra dessa matéria prima, a quantos desejarem participar desse empreendimento. E não descarta a hipótese de investimentos na região, caso a usina de beneficiamento que a Petrobrás se propõe a montar, aqui, seja insuficiente para o escoamento da produção.
Desde a reunião em Kyoto de 1997, havia a recomendação das autoridades ambientais ali reunidas, para que se procurassem dirigir esforços para a substituição de fontes energéticas fósseis, pelas fontes energéticas renováveis. E nesse sentido, o Brasil lançou o seu programa Nacional de Biodiesel, cuja obtenção pode se dar a partir do pinhão manso, que já possui plantio experimental em nossa região, supervisionado pela Epamig e NNE Minas Agroflorestal, com apoio do Governo do Estado.
Outra região que vem, em caráter experimental, ensaiando seus primeiros passos para o cultivo em larga escala dessa oleaginosa é a de Jales, em São Paulo, cuja infra-estrutura é, sem sombra de dúvidas, melhor que a nossa. Lá, a Universidade Federal de São Carlos mantém centro de pesquisas, já com estudos em estágio avançado sobre o pinhão manso.
Nossa região encontra-se diante do bonde da história, podendo, se optar por nele embarcar, mudar radicalmente o seu futuro, fazendo daqui os Emirados Árabes das fontes de energia renovável. Creio que é chegada a hora de nossas autoridades se reunirem sob os auspícios da Associação dos Municípios da Área Mineira da Adene – Amans e estudarem essa perspectiva seriamente, em conjunto com os órgãos de planejamento do Estado de Minas Gerais.
A propósito, dentre as características apontadas pelos pesquisadores que distinguem o pinhão manso das demais oleaginosas na obtenção do biodiesel, destacam-se:
a viscosidade do óleo de pinhão manso é a que mais se aproxima da viscosidade do óleo diesel convencional, constituindo esse aspecto grande vantagem sobre a mamona;
está entre as oleaginosas de maior produtividade na obtenção de óleo (litros por hectare);
a planta é das mais resistentes a condições edafoclimáticas pouco favoráveis (baixa umidade, temperatura elevada);
gera, como subproduto na obtenção do óleo, substrato ("torta") rico em produtos de fertilização agrícola (cálcio, fósforo e potássio). O Brasil é carente em reservas de potássio;
o pinhão manso não tem, ao contrário da soja, por exemplo, utilidade na indústria de alimentos, podendo estar seu cultivo destinado, portanto, totalmente à fabricação de biodiesel. A união européia condena a utilização de produtos agrícolas alimentares na fabricação de combustíveis. A postura da união européia poderá tornar-se uma tendência mundial;
trata-se de cultura permanente, que não exige, portanto, os ciclos de replantio típicos das culturas temporárias;
o pinhão manso pode ser cultivado simultaneamente com outro produto agrícola em pequenas propriedades, viabilizando com seu rendimento, a manutenção de uma agricultura familiar.
Desta forma, por admitir a coexistência com outras culturas em pequenas propriedades, o plantio do pinhão manso vem sendo considerado como atividade propícia para se desenvolver como se fora um conceito de desenvolvimento regional integrado e sustentado, em sintonia, portanto, com a preservação e equilíbrio ambientais.
Nesse sentido, criticam-se, em contraposição, as grandes culturas como a da soja e da cana, que se constituem em monoculturas, incompatíveis, portanto, com os princípios de desenvolvimento integrado e equilibrado, hoje valorizados em nível mundial em face das ameaças que se apresentam à preservação ambiental. Culturas como a do pinhão manso também atenderiam ao objetivo de caráter social de dar oportunidade de geração de renda ao pequeno agricultor.
Importante ressaltar que a produção de biodiesel a partir de pinhão manso encontra-se em processo de validação nos Ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário, condição necessária para o deslanche de projetos nessa área.
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Terça-feira, Outubro 30, 2007
"O PAÍS DE CHUTEIRAS!" Hotelaria. Repercute em BH a decisão da FIFA de conceder ao Brasil o privilégio de sediar a Copa de 2014. Hoje, o gerente-geral do CEASER BUSINESS Belvedere - fica em frente ao BH Shopping - Maarten Van Sluys enviou ARTIGO ESPECIAL ao nosso BLOG DE NOTÍCIAS falando do impacto da escolha do Brasil para ser a sede da Copa de 2014.
 Tenham a mais absoluta certeza que os destinos deste país, em especial nosso segmento de negócios (turismo), ganha a partir de hoje (mérito inquestionável de Ricardo Teixeira) a MAIOR oportunidade que já tivemos em fazer do Brasil uma potência turística de larga sustentabilidade.
 Agora depende de nossa capacidade organizativa, nossa capacidade política e uso de nossos recursos intelectuais. Sabemos receber bem as pessoas e isto já temos em nosso DNA.  A contar de HOJE teremos milhares de minutos na mídia mundial nos quais nossos atuais aspectos negativos (como sempre foram) mas também positivos serão exibidos. Isto nos gerará um ganho de imagem incomensurável.
 Digo isso pois estive em 2 copas (Itália e Estados Unidos) e 1 Olimpíada (Barcelona) e posso afirmar que, em especial no caso de Barcelona poderemos transformar para SEMPRE nosso país como opção interessante para o turismo.
 Nossos recursos naturais dispensam comentários.
 Não pensem que vamos ganhar por somente 30 dias (duração da Copa), vamos ter negócios desde já pois a Copa do mundo começa logo após ser anunciada.
 Empregos, mídia, negociações, entendimentos... It´s Show time !!!
 Vamos usar deste bordão criado pelos "pais" do espetáculo (os americanos) para fazer a coisa bem feita e do nosso jeito.
 Vamos ao trabalho amigos !!!
 Ainda escreverei e falarei muito sobre este tema para o qual tenho algumas teses muito consistentes.
Maarten Sluys, gerente-geral do Ceaser Park Hotel em Belo Horizonte - Minas Gerais.
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Terça-feira, Outubro 30, 2007
ARTIGO ESPECIAL, enviado ao nosso BLOG DE NOTÍCIAS, pelo advogado tributarista Dalmar Pimenta. Confira!
REFORMA TRIBUTÁRIA, UMA UTOPIA *Dalmar Pimenta
Nos últimos 12 anos, várias foram as propostas encaminhadas ao Congresso Nacional para realização da Reforma Tributária. Nenhuma foi aprovada! Neste ano de 2007 (limiar de novas eleições) novamente um dos assuntos que vem dominando o discurso do Governo Federal é, Reforma Tributária. Na verdade, com este discurso de "Zeca Lorenço" o Governo Federal quer é aprovar a emenda constitucional que prevê a prorrogação da vigência da CPMF e a desvinculação de 20% da arrecadação federal.
Esta é a verdadeira Reforma Tributária do Governo Federal. O resto é mera utopia. Fato é que o próprio Governo Federal reconhece, através do Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda as dificuldades em se realizar a tão sonhada e esperada Reforma Tributária ao dizer que: "o que queremos é desburocratizar o sistema tributário e, como conseqüência, aumentar a base de contribuintes". Tenham paciência, isto é Reforma Tributária????
Como diz o Prof. José Souto Maior Borges, "enquanto existir este monstrengo chamado ICMS, vamos continuar a fazer remendos na legislação tributária". O grande problema do ICMS é que ele é de competência dos Estados. São 27 legislações diferentes e que concorrem entre si. Acabar com esta "balburdia" é sim, realizar uma Reforma Tributária.
Mas onde está a força do Governo Federal para alterar este quadro? Infelizmente, para realizar a Reforma Tributária haverá que ter o apoio de todos os Governadores, pois, afinal, somos uma Federação. O Governo Federal também reconhece (pelo menos nos discursos) a necessidade de uma reforma do sistema tributário nacional, pois sabe que a nossa carga tributária é bem superior a carga tributaria de outros Países com economias similares que dão a seus súditos um melhor retorno em questões fundamentais como saúde, educação, infra-estrutura e saneamento básico.
Porém, teme em concordar com mudanças que possam colocar em risco o atual patamar de arrecadações sucessivas. Não se vê um esforço claro e organizado para se alterar o atual cenário. Entretanto, para não se imiscuir de sua obrigação, elabora, incentiva a discussão e encaminha projetos para o Congresso Nacional, com o único objetivo de dizer à sociedade tomou as iniciativas e apoiou as reformas, mas, o Congresso.... os Governadores....os Prefeitos. É o velho novo ditado: "se collar, collou". Lembrem-se, que o último projeto de reforma tributária proposto pelo Governo Federal, após longos e insistentes debates resultou apenas e tão somente na prorrogação da desvinculação da rendas da União (DRU) e da safada da CPMF.
A parte do projeto que visava a efetiva reforma do sistema constitucional tributário soou como verdadeiras palavras "jogadas ao vento". Não nos iludamos mais uma vez! Na verdade, com esta nova proposta, querem apenas prorrogar a CPMF. Ingênuos são aqueles que acreditam ainda em uma Reforma Tributária. Acordem!!! Por favor, acordem!!! Reforma Tributária não mantêm os cartões de plástico do Governo Federal (bolsa família, bolsa escola, etc.etc.). O que mantêm este absurdo que vem criando uma verdadeira "bolha assassina" de endividamento das classes menos favorecidas é a CPMF. Esta é a verdadeira Reforma Tributária do Governo Federal. Tanto isto é verdade que o Min. Guido Mantega já enviou o recado de que não havendo prorrogação da CPMF o Governo será forçado a aumentar tributos. A contrario sensu, porque não disse que realizaria a Reforma Tributária.
Pelas entrelinhas da fala do Senhor Ministro, o Governo Federal quer dizer que não tem a menor intenção de reduzir de maneira significativa, no curto prazo, o tamanho da carga tributária que nós brasileiros pagamos. Traduzindo para o português: Não haverá Reforma Tributária. Novamente o antigo discurso da Reforma Tributaria se repete. Pensar em uma efetiva e real Reforma Tributária que reduza carga e simplifique o sistema é utopia. Aprovada a prorrogação da CPMF, que com o Congresso Nacional que temos hoje, com certeza não há duvidas de sua aprovação, o Governo Federal virá com o velho discurso de que está fazendo o possível, mas o Congresso... os Governadores.... os Prefeitos..., mas, porém, prorrogando e criando novos mecanismos que propiciem o aumento de sua arrecadação.
Não é de se estranhar se a reforma tributária tão desejada pela sociedade nunca sair do papel (se é que ela exista no papel). Neste cipoal de normas que se tornou a legislação brasileira, necessitamos antes mudar a mentalidade de nossos governantes. Na verdade, o Brasil precisa rever toda a sua cultura tributária. O Grande jurista José Souto Maior Borges já dizia que: "Esperamos a reforma tributaria como se ela fosse instaurar o paraíso na terra. No entanto, se for ver a essência das propostas apresentadas, é sempre aumento da carga tributária".
Está cada vez mais evidente que a proposta do Governo Federal é manter os superávits primários, objetivando não assustar os investidores e, correndo na paralela, garantir as verbas necessárias para execução do PAC e ampliar recursos para investimentos nos decisivos anos eleitorais que se aproximam através de seus programas sociais (bolsa família, etc. etc.).
Em vista de tudo isto, brasileiros, é melhor esquecermos de vez este sonho de Reforma Tributária e pensarmos em como rechear nossas burras para pagar a CPMF. Também nós em nossos devaneios, somos de opinião e quiçá também seja a de nossos Governantes, que estamos no melhor momento para se realizar uma Reforma Tributaria estruturada e com mudança de mentalidade, pois estamos com a economia e a arrecadação em vertiginosa expansão, sem que o Governo corra o risco de perder receita. Vamos ansiosamente aguardar! Dalmar Pimenta * Advogado tributarista em Belo Horizonte, sócio do escritório DALMAR PIMENTA ADVOGADOS ASSOCIADOS.
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Segunda-feira, Novembro 5, 2007
ARTIGO ESPECIAL enviado ao nosso BLOG DE NOTÍCIAS pelo consultor empresarial, o mineiro de Montes Claros, Wagner Gomes. Ele foi superintendente do Banco do Brasil em Minas. Para PENSAR!
Um amor do outro mundo Wagner Gomes
Sempre que me assalta a dúvida se existe vida após a vida, e pelo significado enigmático e simbólico, me lembro de um artigo do Professor José de Souza Martins - professor titular de Sociologia da Faculdade de Filosofia na USP, publicado, há tempos, no "O Estado de São Paulo" e intitulado "Último Adeus", que se referia a uma escultura de Alfredo Oliani.
O que me chamou a atenção, além da história, foi a foto de autoria de Sérgio Castro, que ilustra a reportagem, retratando o conjunto escultórico Último Adeus, que está fincado no Cemitério de São Paulo, logo à direita de quem entra pelo portão principal, na Rua Cardeal Arco Verde. Ali se localiza o túmulo de Antônio Cantarella, falecido próximo ao Natal de 1942, com 65 anos, e de sua esposa Maria Cantarella, dez anos mais nova, que somente veio a falecer em 1982.
De uma ternura dilacerante, a escultura de Oliani foi descrita pelo Professor Jose de Souza Martins, como sendo uma das nossas mais finas e mais belas representações da dor da separação, pois a nega na intensidade carnal do encontro entre um homem e uma mulher. Ainda nos dizeres do professor, o motivo principal do conjunto escultórico de Oliani é uma comovente expressão de sentimento de amor na vida dos dois. Um homem atlético, nu, reclina-se apaixonadamente sobre o corpo de uma mulher jovem e bela, para beijá-la.
Ela está morta. A esposa, sobrevivente do casal, pede ao artista uma escultura que celebre abertamente o sentido profundo de sua união com o marido, reconhecendo-o ainda vivo em sua vida, depois dele morto, e ela própria morta sem a companhia dele. Não reluta na confissão de sua paixão. A relação se inverte: a viúva declara-se morta e declara o marido de seu imaginário conjugal ainda vivo e no seu pleno vigor. A extraordinária beleza do túmulo do Casal Cantarella está na eloqüente recusa da anulação do corpo e da sexualidade pela morte, e na comovente declaração de amor sem disfarce, de Maria por Antônio, o Antonino, o Nino.
Por curiosidade, li os dizeres ali inscritos, que traziam essas informações: "Ó Nino, meu esposo, meu guia e motivo eterno de minha saudade e de meu pranto. Tributo de Maria" e "Aqui repousa Maria Cantarella ao lado de seu inseparável e amado esposo". Isso me fez lembrar do autor Achille Campanile, que brincava com a morte em seus textos, dela extraindo momentos cômicos, mas também de ternura. Creio que, sob sua visão, Maria Cantarella, ao perder o amado, internalizou a sensação de que ele viveria por todo o resto de sua eternidade.
Quando Maria morreu, pensava-se que sua morte colocaria um ponto final naquela história, dissolvendo o encantamento daquele amor. Mas que nada, tornou-se um elemento místico e lendário na família, que ajuda a divulgar a crença, erigida no sangue que perderam, que aquele amor cresceu e fortificou, sobrepondo-se à própria morte.
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Segunda-feira, Novembro 5, 2007
Artigo Especial enviado ao nosso BLOG DE NOTÍCIAS pelo jornalista e dramaturgo mineiro WESSERY ZAGO.
Cartas ao Rei é uma crônica escrita pelo jornalista Wessery Zago que assina com o pseudônimo lord Vasco Romano do Ataíde (Marquês do Abaeté). Em cartas ao Rei o jornalista narra ao Príncipe Charles e Camila Paker os acontecimentos semanais no Brasil.
Contato: 31 93424832
Cartas ao Rei
Senhor meu Rei,
Senhor meu Rei,
Senhor meu Rei,
Do equidistante - e nem por isso menos seu - reinado de planícies e serras do sudeste do país, transcrevo, novamente, os últimos acontecimentos dessa terra - onde se plantando tudo dá - e aproveitando a oportunidade que este humilde súdito de pele branca, corpo esguio, cabelos louros e olhos de cor próxima à esmeralda tem, para lhe fazer um apelo.
Primeiramente, espero que esta - que lhe escrevo de próprio punho - , o encontre bem e com saúde. Rogo à Deus que seu reino continue em pleno funcionamento e suas capacidades físicas e morais permaneçam em atividade.
Alteza! É com o coração partido, nó na garganta e tristeza nos olhos - que parecem ter perdido um pouco do brilho no olhar - que vos digo que os homens dessa terra não tem mais respeito pelo seu próximo. Tudo, Alteza, por causa de dinheiro
Vossa Alteza não vai acreditará mas, esses vossos escrupulosos súditos estão envenenando o leite brasileiro. Soda cáustica e acetona são incorporados ao principal alimento das crianças, dessa vossa província, simplesmente para alterar o prazo de validade do produto.
Sei que essa notícia lhe abaterá a alma mas, infelizmente meu Rei, imploro que perdoe-me pela insolência de expor minha opinião e minha visão pessoal do que meus olhos captaram: "acredito poderoso Rei que os derivados desse precioso "ouro branco" , também, estejam contaminados".
Tento de todas as formas defender - com vontade, orgulho, unhas e dentes - esse vosso povo. E parece-me que toda minha angústia sentida, transforma-se em raiva e, minha vontade é de enfiar com voracidade as mãos nos peitos desses animais e arranca-lhes seus corações que, ainda pulsando, passa eu esmagá-los sem qualquer piedade.
Este humilde, distante e não menos apaixonado súdito, em sua vã percepção, conta-lhe que mantem-se calado e esperançoso, por compreender as dificuldades pelas quais esse seu povo passa no momento.
Os dias são difíceis, complicados e atribulados e com o anúncio do aumento do gás brasileiro e uma nova promessa de solução definitiva do apagão aéreo por parte de do ConselheiroNelson Jobim, acredito que no auge de sua sabedoria real se assustará ao saber que nada se poderá fazer para abrandar o sofrimento desse seu povo.
Recebi sua carta informando-me sobre a internacionalização do álcool brasileiro. Vossa Alteza tem mesmo razão: "a construção do alcooduto entre a província de Paulina (condado de São Paulo) e a província de Senador Canedo (condado de Goiás) passando pela província do Uberaba é uma obra fundamental para levar o combustível até o porto e exportá-lo ao Japão e outros reinos, como nossa querida Inglaterra". Acredito Senhor meu Rei: "em 2011 o álcool brasileiro ganhará o mundo".
A Copa do Mundo de 2014 será mesmo aqui. Imploro à Vossa Alteza que convide o Rei Pelé.
As boas novas, ainda, são as chuvas.
Senhor meu Rei! Termino meu relato aqui, deixando-o com a certeza de que o amor de seu súdito e a vontade de ver vossa Alteza e Camila continuam vivas e sempre presentes, pois conto-lhe apenas o que ví, presenciei e, como seu sincero e sempre servo, achei por bem narrar.
Deus salve o Rei;
De seu servo do Sudeste; Deus salve o Rei;
De seu servo do Sudeste; De seu servo do Sudeste;
Lord Vasco Romano do Ataíde
Marquês do Abaeté! Lord Vasco Romano do Ataíde
Marquês do Abaeté! Marquês do Abaeté!
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Quarta-feira, Novembro 21, 2007
ARTIGO ESPECIAL. Vem do nosso amigo, Wagner Gomes, que foi superintendente do Banco do Brasil em Minas. E é mineiro de Montes Claros.
O PODER E O SONHO Wagner Gomes
Domingo, dia 07 de outubro, assisti em Montes Claros a uma cerimônia bem significativa. Tratava-se da benção das novíssimas instalações da Concessionária Honda, em estilo futurista e arrojado, espelho da mentalidade de seu idealizador.
E enquanto o Padre João Batista cumpria o ritual litúrgico, quatro palavras por ele citadas em seqüência me trouxeram à lembrança toda a trajetória do Paulo César Mota Santiago: "caminho, vida, verdade e ressurreição".
Cenas como o seu começo - um pequeno negócio na área de revenda de carros usados - trinta e três anos atrás, creio eu, passando por sua evolução lenta e gradual, quando comprou a boate Cogumelos e a transformou no eixo de sucesso Tropicália-Roda Viva. Naqueles tempos, Nydia, sua esposa, o acompanhava pelas madrugadas, apoiando decididamente o Rei da Noite Montes-clarense, que se desdobrava como anfitrião, para atender uma clientela que foi transformada em grandes amigos.
Essa mesma Nydia, que nos mostraria, mais tarde, o sereno comportamento de uma grande dama, no enfrentamento de crises, somente vencidas com a cumplicidade de seu companheirismo e demonstração explícita de imensos laços de ternura. Sentindo seus horizontes limitados, Paulo César resolve enfrentar novos desafios. Em 1987 se muda para o Rio de Janeiro, lá fincando, com garra e coragem, os pilares de uma pequena empresa especializada na intermediação e vendas de carros, novos e usados, cujo negócio foi prosperando. Era o início efetivo de um caso de sucesso. Aquilo que os americanos denominam de "self made man".
Em sua trajetória, apóia o seu irmão Árlen Santiago na carreira política. Este, por sua vez, com sua personalidade peculiar, ao contrariar alguns interesses, provoca iradas manifestações de rancor, onde alguns chapas-brancas - que se julgavam Dons Quixotes de lugar nenhum -, tentaram corromper ativamente os fatos, transformando vítimas em alvos de uma conspiração de algo que jamais existiu.
Por volta de 2000, os irmãos Santiago enfrentam um período doloroso, onde gritava o silêncio dos amigos, e as noites passavam sem que o sono chegasse. E ao raiar um novo dia, com ele vinha uma nova dor. Ao imitarem a trajetória clássica do herói mitológico que desce ao limbo e volta para refazer a sua história, ambos conseguem enriquecer suas próprias biografias fazendo com que suas convicções e suas verdades desarmassem cada armadilha que encontraram. Claro que tudo aquilo poderia influenciar, negativamente, os negócios. Foi preciso força e determinação para fazer com que aqueles percalços se transformassem em estímulos para novas conquistas.
Lembro-me de, naquela época, ter telefonado ao Paulo César para lhe transmitir minha solidariedade e, sobretudo, minha amizade. Dele, então, ouvi: "jamais eu decepcionarei um amigo meu". Dito e feito. Paulo César, qual fênix, ressurgiria mais forte e destemido, tornando-se um empresário de grande sucesso, enquanto Árlen Santiago obteria estrondosa votação, sendo eleito Deputado Estadual, cargo a que foi reconduzido sucessivamente, desde então. No último pleito, por exemplo, obteve a maior votação da história de um Deputado Estadual pelo Norte de Minas. Já PCS sempre abraçou as causas sociais, e utilizando-se de seu prestígio pessoal, ajudou a promover shows beneficentes em prol de vinte e cinco instituições filantrópicas de Montes Claros.
Artistas renomados como Roberto Carlos, Jô Soares, Chico Anísio, Tom Cavalcanti e outros, aqui aterrissaram a seu convite e reuniram multidões, cuja renda proveniente dos espetáculos minorava o sofrimento dos menos favorecidos. Essa sua permanente preocupação com o aspecto social fez com que, recentemente, a Casa de Saúde Santa Bernadete, que abriga pessoas carentes acometidas de câncer, passasse a ser beneficiada com um por cento do montante dos produtos e serviços contratados junto aos seus fornecedores, durante a construção da Pirâmide Veículos.
Na cerimônia da benção das instalações da Concessionária Honda, ouvi, com atenção, seu sócio gestor dizer que sua motivação era buscada em modelos e casos exemplares de superação, citando Herbert Viana e o fenômeno Ronaldo. Falou de sua alegria pelo recorde na construção física das belíssimas instalações recém-inauguradas e da surpresa que isso provocou aos executivos da Honda.
Emocionou-se e emocionou-nos ao falar em seu intento de adotar a praça em frente à concessionária e que leva o nome de seu pai. Seu projeto empresarial no ramo automotivo, revelou-nos naquela oportunidade, abriga, hoje, quatorze familiares comprovadamente capazes, respaldando os seus valores de raiz. E conclama aos demais para que dele se aproximem. Também, em sua fala, expressou sua vontade de realizar algo maior, sua determinação em superar os limites, de alcançar o topo, e de quebra demonstrou seu imenso amor à sua terra ao se manifestar sobre suas preocupações com os rumos da gestão do município.
Esse é o retrato de Paulo César Mota Santiago, amigo de todos os amigos, que não se importa com a condição social, fama e prestígio de cada pessoa que conquista sua simpatia. A todos eles abre sua residência e escancara o seu coração, com igual desprendimento. Mas passou despercebido ao nosso PCS, talvez pela sua humildade, que assim como Herbert Viana e o fenômeno Ronaldo, ele também se tornou um exemplo de superação a ser seguido, por todos nós, como fonte de motivação.
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Quarta-feira, Dezembro 5, 2007
ARTIGO ESPECIAL enviado ao nosso BLOG DE NOTÍCIAS por Wagner Gomes, que foi superintendente do Banco do Brasil em Minas. Ele é mineiro de Montes Claros no norte de Minas.
SUSTENTABILIDADE: UM NOVO TEMPO Wagner Gomes Um termo novo, aliado a uma prática que passa a ser exigida pela consciência de toda a coletividade, começa a eclodir pelos quatro cantos do planeta. Refiro-me ao desafio do crescimento econômico sustentável, cuja prática pode ser entendida como aquela que atende às necessidades da geração atual, sem gerar um passivo ambiental para as gerações que nos sucederem.
Ou seja, os resíduos resultantes dos processos produtivos devem ser tratados, de tal forma que o ecossistema não sofra uma degradação contínua, como hoje, ainda, vem ocorrendo.
Se olharmos todo o passado da humanidade, e pudermos visualizar a montanha de lixo produzida, em toda sua plenitude, capaz de gerar, a um só tempo, desastres ecológicos com ameaças à preservação de espécies, degradação do oxigênio via extinção de reservas florestais e poluentes jogados na atmosfera, iremos verificar que o quadro é aterrador.
O mundo perdeu uma boa oportunidade de dar a importância merecida ao debate desse tema, quando na eleição americana um de seus principais defensores, o ambientalista Al Gore, foi derrotado pelo atual Presidente Bush, cuja irresponsabilidade ambiental beira a raia da loucura. Estimular que esse conceito seja absorvido pelo mundo empresarial e produtivo passa a ser imperioso por parte dos consumidores atentos ao nosso compromisso com o futuro.
Não se trata de ilusão a formação de uma consciência coletiva, pois de alguma maneira temos que criar situações que modifiquem o ambiente de negócios das empresas. Elas deverão, em um futuro bem próximo, abrir mão da busca desenfreada da lucratividade, para destinar parte do que arrecadam a ações que visem conferir, ao planeta, anticorpos a esse processo degenerativo que o corrói.
E os reflexos causados por essa irresponsabilidade, ampla e irrestrita, do processo produtivo, já podem ser mensurados. Na capital do poderoso estado de São Paulo, por exemplo, como fruto da poluição do ar, a média de vida já é inferior, em dois anos, à média nacional. Essa mesma consciência coletiva deverá estar atenta no processo eletivo de nossos governantes.
O grande entrave que hoje se verifica é a falsa premissa que orienta nossos executivos na hora da formulação das estratégias de longo prazo das empresas: "se for adotada uma política de sustentabilidade, que valor poderia vir a ser agregado ao produto"?
A resposta, de imediato, tende para minimizar o lucro. No entanto, quando o mundo tiver consciência de que se está matando, o boicote aos produtos, frutos de tamanha insensibilidade, provocará grandes falências em organizações poderosas. Interessante notar como as empresas do ramo petroquímico, papel e celulose, siderurgia, dentre outros, já estão a demonstrar o seu engajamento e sua busca de interagir com a população da área em que atuam, visando à melhoria sócio-ambiental.
Ou alguém duvida que a Vale do Rio Doce existiria, ainda hoje, caso não destinasse à população parte de sua receita em medidas que visaram reverter o estrago que provocou? Portanto, a perenidade das empresas passa pela adoção sistematizada do processo de sustentabilidade.
O tema é tão importante, e tão atual, que o Oitavo Congresso de Governança Corporativa promovido pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa a ele se dedicou, no período de 12 a 13 de novembro de 2007. E ao participar desse Congresso pude perceber que nossas grandes empresas, ali representadas, começam a ter noção das responsabilidades socioambientais que lhe serão cobradas.
Ainda que sejam motivadas mais pela conveniência do que pela convicção, acredito que, em breve, essas práticas se tornem corriqueiras em nossas corporações. As empresas, doravante, através de seus Conselhos de Administração, deverão dirigir, para garantir o futuro de seus negócios, esforços no sentido de equilibrar as metas estabelecidas aos impactos causados no meio ambiente, com o fito de minimizar a resistência da sociedade em que atuam.
Essa postura, mais que um diferencial mercadológico, deverá balizar a estratégia dos negócios. Devemos estar atentos para que esses novos tempos sejam, efetivamente, implantados. E que não nos deixemos enganar pelas falsas aparências, geradas pelo marketing barato de quem tenta se aproveitar dessa nova onda.
O Professor de Políticas Públicas da Universidade de Columbia, em New York, Geoffrey Heal lança, usando o sentido figurado da clivagem, sua visão categórica e abalizada sobre o tema: "A conservação ambiental, tradicionalmente justificada em base moral e ética, deve ser vista como uma vitória econômica".
Comentários |
#1. Ana Clarice - (annaclarice@hotmail.com) Um artigo muito bem escrito, claro, objetivo, sobre um tema de relevante importância merecendo uma grande divulgação
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#2. Polati - (Antonio Polati) Wagner, muito oportuno e importante o seu artigo. Gostei muito. A conscientização de todos é a única opção para revertermos o quadro atual. Parabéns, Polati
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#3. Armando Simoes - (Armando Simoes) Wagner, Gostei muito. Na 2a. feira passada, participei no Rio de interessante seminário sobre "ecoeficiência" e a linha geral foi bem semelhante à do IBGC e à sua. Parabéns. Abraço. Armando Simões# 4. Erico Furtado - (ecfurtado) Caro Wagner, Excelente esse seu artigo sobre a questão do crescimento econômico sustentável. Você captou e transmitiu aos seus leitores, de forma clara e precisa, o sentimento que prevaleceu, nos painéis e debates, durante todo o Congresso do IBGC, realizado em São Paulo. Parabéns! Abraços, Érico #5. Ricardo Salerno - (ricardo.salerno) Wagner, Parabéns pelo artigo! Além de muito bem escrito, trata de um tema da maior relevância. Outro detalhe importante é que sua abordagem não foi romântica nem catastrófica. Foi objetiva e realista.
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Terça-feira, Dezembro 11, 2007
ARTIGO ESPECIAL enviado ao nosso BLOG DE NOTÍCIAS, pelo conselheiro empresarial, WAGNER GOMES, que foi superintendente do Banco do Brasil em Minas. Ele é mineiro de Montes Claros no norte de Minas e atua, principalmente na consultoria empresarial, em São Paulo. Vale ler o ARTIGO ESPECI(AL escrito poe ele, que bem poderia ser titulado como "Trocando em Miúdos". Confira!
ARTIGO ESPECIAL
Economia: Investment grade X Speculation Grade
Wagner Gomes
Quando se olha o noticiário econômico, nota-se o emprego de uma linguagem técnica e rebuscada, para explicar um movimento relativamente fácil, que os economistas teimam em torná-lo de difícil compreensão.
Afinal o que representa essa classificação e qual a razão de sua importância? O chamado grau de investimento é o reconhecimento, por parte de agências de classificação de risco de crédito (Moody’s, Standard & Poor’s e Fitch, são as principais), de que um país tem probabilidade baixa de não honrar sua dívida pública. Basicamente, as agências classificam os diferentes ativos em duas classes de riscos: grau de investimento e grau de especulação. Enquanto no primeiro o risco de crédito é muito baixo ou inexistente, no segundo, estão confinados os países em que existe um maior risco de crédito, com maior probabilidade de não honrarem seus compromissos.
Para complicar esse entendimento, denominam essa incapacidade (o popular beiço ou calote) pelo pomposo nome de “default”. Qualquer país considerado como detentor de grau de investimento é portador de credibilidade, o que facilita, e muito, a captação de recursos de longo prazo a custos baixos, no mercado internacional de capitais. É como se fora um premio concedido aos países que primam pela condução de uma política econômica responsável.
A possibilidade de que essa classificação seja concedida ao Brasil, no curto prazo, tem provocado uma onda de euforia no mercado interno. Estamos, de fato, muito próximo de alcançar essa classificação, já que todos os indicadores de solvência têm apresentado melhoria sensível nos últimos anos (trajetória cadente de endividamento, elevação das reservas internacionais, melhora na composição do endividamento, etc.). Com a recente revisão da metodologia de cálculo do PIB essa percepção se evidencia, ao constatarmos uma alteração em todas as variáveis que eram expressas como percentagem desse valor.
Com essa nova metodologia, no caso da dívida pública, a razão dívida/PIB de 2006 – que estava em 50%, recuou para perto de 45%. Esse fato fez com que representantes do governo, economistas e agências de classificação de risco, visualizassem um patamar mais baixo de endividamento, tornando o País quase apto a atingir algo conhecido no mercado financeiro internacional como “Status de Investiment Grade”.
Parece-me, no entanto, que esqueceram algumas deficiências históricas que ainda precisam ser superadas.
A precariedade das contas públicas, que ainda dependem muito da muleta continua do aumento das receitas, via impostos, sem o menor sinal de que exista uma política consistente de contenção de gastos, se torna o primeiro dos gargalos. Setores cruciais de nossa economia se ressentem de um enxoval regulatório que possa impulsionar investimentos em rodovias, ferrovias e setor elétrico, cruciais para alavancar nossa infra-estrutura.
E o que dizer da nossa justiça, lenta, sonolenta e paquidérmica? Tudo isso é reconhecido pelo próprio Governo Federal que gastou apenas 3,5% dos recursos previstos para investimentos em infra-estrutura, seja em transportes ou energia. Recentemente, o Presidente da Vale do Rio Doce, Roger Agnelli afirmou que a partir de 2011 faltarão recursos energéticos suficientes para qualquer projeto de expansão em nossa economia. Comparativamente, os custos com transporte e logística, em nosso País, equivalem a 12,75% do PIB contra 8,20% dos EUA. Outra comparação angustiante: 60% de nossa carga transportada é rodoviária, contra 26% nos EUA.
E o que mais preocupa é que a idade média de nossa frota de caminhões é de vinte anos. Enquanto o Brasil investiu, nos dois últimos anos US$ 3,6 bilhões para ampliar e/ou recuperar suas rodovias, a China está investindo US$ 70 bilhões de 2006 a 2008.
O sistema portuário, também precisa, urgentemente, além de se profissionalizar e desenvolver anticorpos que impeçam nomeações políticas no setor, resolver, de uma vez por todas, os seus problemas no que tange à precariedade dos acessos rodoviários e ferroviários.
Para que tudo ocorra, sem sobressaltos, reformas vitais nas áreas política e tributária, se implementadas, poderão agregar condições que nos conduzirão, em futuro não muito distante, ao grupo das seis maiores economias mundiais.
Ainda poderíamos agregar alguns passivos sociais, principalmente na área da educação, que deveriam fazer parte de uma verdadeira revolução silenciosa, para realmente nos sentirmos cidadãos que caminham para o primeiro mundo. Independente de que venha o reconhecimento de nosso grau de investimento, e ele virá em 2008, há que se tratar com a devida importância todas essas questões, para que o imenso sacrifício a nós imposto, desde o Plano Real, possa ter compensado chegar-se a tal estágio em nossa economia.
Somente assim, conseguiremos armar uma equação capaz de pavimentar um desenvolvimento sustentado em bases sólidas, com projetos de longo prazo, que nos viabilizará como uma grande potência.
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Terça-feira, Dezembro 18, 2007
ARTIGO ESPECIAL. Foi enviado ao nosso BLOG DE NOTÍCIAS pelo executivo WAGNER GOMES, que foi superintendente do Banco do Brasil em Minas. Hoje ele é conselheiro empresarial, e dos bons. Vale ler o artigo dele - que poderia ter o título "TROCANCO EM MIÚDOS". Confira!
Economia: Investment grade X Speculation Grade
Wagner Gomes Quando se olha o noticiário econômico, nota-se o emprego de uma linguagem técnica e rebuscada, para explicar um movimento relativamente fácil, que os economistas teimam em torná-lo de difícil compreensão. Afinal o que representa essa classificação e qual a razão de sua importância?
O chamado grau de investimento é o reconhecimento, por parte de agências de classificação de risco de crédito (Moody's, Standard & Poor's e Fitch, são as principais), de que um país tem probabilidade baixa de não honrar sua dívida pública. Basicamente, as agências classificam os diferentes ativos em duas classes de riscos: grau de investimento e grau de especulação.
Enquanto no primeiro o risco de crédito é muito baixo ou inexistente, no segundo, estão confinados os países em que existe um maior risco de crédito, com maior probabilidade de não honrarem seus compromissos. Para complicar esse entendimento, denominam essa incapacidade (o popular beiço ou calote) pelo pomposo nome de "default".
Qualquer país considerado como detentor de grau de investimento é portador de credibilidade, o que facilita, e muito, a captação de recursos de longo prazo a custos baixos, no mercado internacional de capitais. É como se fora um premio concedido aos países que primam pela condução de uma política econômica responsável. A possibilidade de que essa classificação seja concedida ao Brasil, no curto prazo, tem provocado uma onda de euforia no mercado interno.
Estamos, de fato, muito próximo de alcançar essa classificação, já que todos os indicadores de solvência têm apresentado melhoria sensível nos últimos anos (trajetória cadente de endividamento, elevação das reservas internacionais, melhora na composição do endividamento, etc.).
Com a recente revisão da metodologia de cálculo do PIB essa percepção se evidencia, ao constatarmos uma alteração em todas as variáveis que eram expressas como percentagem desse valor. Com essa nova metodologia, no caso da dívida pública, a razão dívida/PIB de 2006 – que estava em 50%, recuou para perto de 45%.
Esse fato fez com que representantes do governo, economistas e agências de classificação de risco, visualizassem um patamar mais baixo de endividamento, tornando o País quase apto a atingir algo conhecido no mercado financeiro internacional como "Status de Investiment Grade".
Parece-me, no entanto, que esqueceram algumas deficiências históricas que ainda precisam ser superadas. A precariedade das contas públicas, que ainda dependem muito da muleta continua do aumento das receitas, via impostos, sem o menor sinal de que exista uma política consistente de contenção de gastos, se torna o primeiro dos gargalos.
Setores cruciais de nossa economia se ressentem de um enxoval regulatório que possa impulsionar investimentos em rodovias, ferrovias e setor elétrico, cruciais para alavancar nossa infra-estrutura. E o que dizer da nossa justiça, lenta, sonolenta e paquidérmica? Tudo isso é reconhecido pelo próprio Governo Federal que gastou apenas 3,5% dos recursos previstos para investimentos em infra-estrutura, seja em transportes ou energia.
Recentemente, o Presidente da Vale do Rio Doce, Roger Agnelli afirmou que a partir de 2011 faltarão recursos energéticos suficientes para qualquer projeto de expansão em nossa economia. Comparativamente, os custos com transporte e logística, em nosso País, equivalem a 12,75% do PIB contra 8,20% dos EUA. Outra comparação angustiante: 60% de nossa carga transportada é rodoviária, contra 26% nos EUA. E o que mais preocupa é que a idade média de nossa frota de caminhões é de vinte anos.
Enquanto o Brasil investiu, nos dois últimos anos US$ 3,6 bilhões para ampliar e/ou recuperar suas rodovias, a China está investindo US$ 70 bilhões de 2006 a 2008. O sistema portuário, também precisa, urgentemente, além de se profissionalizar e desenvolver anticorpos que impeçam nomeações políticas no setor, resolver, de uma vez por todas, os seus problemas no que tange à precariedade dos acessos rodoviários e ferroviários.
Para que tudo ocorra, sem sobressaltos, reformas vitais nas áreas política e tributária, se implementadas, poderão agregar condições que nos conduzirão, em futuro não muito distante, ao grupo das seis maiores economias mundiais.
Ainda poderíamos agregar alguns passivos sociais, principalmente na área da educação, que deveriam fazer parte de uma verdadeira revolução silenciosa, para realmente nos sentirmos cidadãos que caminham para o primeiro mundo. Independente de que venha o reconhecimento de nosso grau de investimento, e ele virá em 2008, há que se tratar com a devida importância todas essas questões, para que o imenso sacrifício a nós imposto, desde o Plano Real, possa ter compensado chegar-se a tal estágio em nossa economia.
Somente assim, conseguiremos armar uma equação capaz de pavimentar um desenvolvimento sustentado em bases sólidas, com projetos de longo prazo, que nos viabilizará como uma grande potência. Basicamente, as agências classificam os diferentes ativos em duas classes de riscos: grau de investimento e grau de especulação.
Enquanto no primeiro o risco de crédito é muito baixo ou inexistente, no segundo, estão confinados os países em que existe um maior risco de crédito, com maior probabilidade de não honrarem seus compromissos. Para complicar esse entendimento, denominam essa incapacidade (o popular beiço ou calote) pelo pomposo nome de "default".
Qualquer país considerado como detentor de grau de investimento é portador de credibilidade, o que facilita, e muito, a captação de recursos de longo prazo a custos baixos, no mercado internacional de capitais. É como se fora um premio concedido aos países que primam pela condução de uma política econômica responsável. A possibilidade de que essa classificação seja concedida ao Brasil, no curto prazo, tem provocado uma onda de euforia no mercado interno.
Estamos, de fato, muito próximo de alcançar essa classificação, já que todos os indicadores de solvência têm apresentado melhoria sensível nos últimos anos (trajetória cadente de endividamento, elevação das reservas internacionais, melhora na composição do endividamento, etc.).
Com a recente revisão da metodologia de cálculo do PIB essa percepção se evidencia, ao constatarmos uma alteração em todas as variáveis que eram expressas como percentagem desse valor. Com essa nova metodologia, no caso da dívida pública, a razão dívida/PIB de 2006 – que estava em 50%, recuou para perto de 45%.
Esse fato fez com que representantes do governo, economistas e agências de classificação de risco, visualizassem um patamar mais baixo de endividamento, tornando o País quase apto a atingir algo conhecido no mercado financeiro internacional como "Status de Investiment Grade".
Parece-me, no entanto, que esqueceram algumas deficiências históricas que ainda precisam ser superadas. A precariedade das contas públicas, que ainda dependem muito da muleta continua do aumento das receitas, via impostos, sem o menor sinal de que exista uma política consistente de contenção de gastos, se torna o primeiro dos gargalos.
Setores cruciais de nossa economia se ressentem de um enxoval regulatório que possa impulsionar investimentos em rodovias, ferrovias e setor elétrico, cruciais para alavancar nossa infra-estrutura. E o que dizer da nossa justiça, lenta, sonolenta e paquidérmica? Tudo isso é reconhecido pelo próprio Governo Federal que gastou apenas 3,5% dos recursos previstos para investimentos em infra-estrutura, seja em transportes ou energia.
Recentemente, o Presidente da Vale do Rio Doce, Roger Agnelli afirmou que a partir de 2011 faltarão recursos energéticos suficientes para qualquer projeto de expansão em nossa economia. Comparativamente, os custos com transporte e logística, em nosso País, equivalem a 12,75% do PIB contra 8,20% dos EUA. Outra comparação angustiante: 60% de nossa carga transportada é rodoviária, contra 26% nos EUA. E o que mais preocupa é que a idade média de nossa frota de caminhões é de vinte anos.
Enquanto o Brasil investiu, nos dois últimos anos US$ 3,6 bilhões para ampliar e/ou recuperar suas rodovias, a China está investindo US$ 70 bilhões de 2006 a 2008. O sistema portuário, também precisa, urgentemente, além de se profissionalizar e desenvolver anticorpos que impeçam nomeações políticas no setor, resolver, de uma vez por todas, os seus problemas no que tange à precariedade dos acessos rodoviários e ferroviários.
Para que tudo ocorra, sem sobressaltos, reformas vitais nas áreas política e tributária, se implementadas, poderão agregar condições que nos conduzirão, em futuro não muito distante, ao grupo das seis maiores economias mundiais.
Ainda poderíamos agregar alguns passivos sociais, principalmente na área da educação, que deveriam fazer parte de uma verdadeira revolução silenciosa, para realmente nos sentirmos cidadãos que caminham para o primeiro mundo. Independente de que venha o reconhecimento de nosso grau de investimento, e ele virá em 2008, há que se tratar com a devida importância todas essas questões, para que o imenso sacrifício a nós imposto, desde o Plano Real, possa ter compensado chegar-se a tal estágio em nossa economia.
Somente assim, conseguiremos armar uma equação capaz de pavimentar um desenvolvimento sustentado em bases sólidas, com projetos de longo prazo, que nos viabilizará como uma grande potência. Basicamente, as agências classificam os diferentes ativos em duas classes de riscos: grau de investimento e grau de especulação.
Enquanto no primeiro o risco de crédito é muito baixo ou inexistente, no segundo, estão confinados os países em que existe um maior risco de crédito, com maior probabilidade de não honrarem seus compromissos. Para complicar esse entendimento, denominam essa incapacidade (o popular beiço ou calote) pelo pomposo nome de "default".
Qualquer país considerado como detentor de grau de investimento é portador de credibilidade, o que facilita, e muito, a captação de recursos de longo prazo a custos baixos, no mercado internacional de capitais. É como se fora um premio concedido aos países que primam pela condução de uma política econômica responsável. A possibilidade de que essa classificação seja concedida ao Brasil, no curto prazo, tem provocado uma onda de euforia no mercado interno.
Estamos, de fato, muito próximo de alcançar essa classificação, já que todos os indicadores de solvência têm apresentado melhoria sensível nos últimos anos (trajetória cadente de endividamento, elevação das reservas internacionais, melhora na composição do endividamento, etc.).
Com a recente revisão da metodologia de cálculo do PIB essa percepção se evidencia, ao constatarmos uma alteração em todas as variáveis que eram expressas como percentagem desse valor. Com essa nova metodologia, no caso da dívida pública, a razão dívida/PIB de 2006 – que estava em 50%, recuou para perto de 45%.
Esse fato fez com que representantes do governo, economistas e agências de classificação de risco, visualizassem um patamar mais baixo de endividamento, tornando o País quase apto a atingir algo conhecido no mercado financeiro internacional como "Status de Investiment Grade".
Parece-me, no entanto, que esqueceram algumas deficiências históricas que ainda precisam ser superadas. A precariedade das contas públicas, que ainda dependem muito da muleta continua do aumento das receitas, via impostos, sem o menor sinal de que exista uma política consistente de contenção de gastos, se torna o primeiro dos gargalos.
Setores cruciais de nossa economia se ressentem de um enxoval regulatório que possa impulsionar investimentos em rodovias, ferrovias e setor elétrico, cruciais para alavancar nossa infra-estrutura. E o que dizer da nossa justiça, lenta, sonolenta e paquidérmica? Tudo isso é reconhecido pelo próprio Governo Federal que gastou apenas 3,5% dos recursos previstos para investimentos em infra-estrutura, seja em transportes ou energia.
Recentemente, o Presidente da Vale do Rio Doce, Roger Agnelli afirmou que a partir de 2011 faltarão recursos energéticos suficientes para qualquer projeto de expansão em nossa economia. Comparativamente, os custos com transporte e logística, em nosso País, equivalem a 12,75% do PIB contra 8,20% dos EUA. Outra comparação angustiante: 60% de nossa carga transportada é rodoviária, contra 26% nos EUA. E o que mais preocupa é que a idade média de nossa frota de caminhões é de vinte anos.
Enquanto o Brasil investiu, nos dois últimos anos US$ 3,6 bilhões para ampliar e/ou recuperar suas rodovias, a China está investindo US$ 70 bilhões de 2006 a 2008. O sistema portuário, também precisa, urgentemente, além de se profissionalizar e desenvolver anticorpos que impeçam nomeações políticas no setor, resolver, de uma vez por todas, os seus problemas no que tange à precariedade dos acessos rodoviários e ferroviários.
Para que tudo ocorra, sem sobressaltos, reformas vitais nas áreas política e tributária, se implementadas, poderão agregar condições que nos conduzirão, em futuro não muito distante, ao grupo das seis maiores economias mundiais.
Ainda poderíamos agregar alguns passivos sociais, principalmente na área da educação, que deveriam fazer parte de uma verdadeira revolução silenciosa, para realmente nos sentirmos cidadãos que caminham para o primeiro mundo. Independente de que venha o reconhecimento de nosso grau de investimento, e ele virá em 2008, há que se tratar com a devida importância todas essas questões, para que o imenso sacrifício a nós imposto, desde o Plano Real, possa ter compensado chegar-se a tal estágio em nossa economia.
Somente assim, conseguiremos armar uma equação capaz de pavimentar um desenvolvimento sustentado em bases sólidas, com projetos de longo prazo, que nos viabilizará como uma grande potência. Basicamente, as agências classificam os diferentes ativos em duas classes de riscos: grau de investimento e grau de especulação.
Enquanto no primeiro o risco de crédito é muito baixo ou inexistente, no segundo, estão confinados os países em que existe um maior risco de crédito, com maior probabilidade de não honrarem seus compromissos. Para complicar esse entendimento, denominam essa incapacidade (o popular beiço ou calote) pelo pomposo nome de "default".
Qualquer país considerado como detentor de grau de investimento é portador de credibilidade, o que facilita, e muito, a captação de recursos de longo prazo a custos baixos, no mercado internacional de capitais. É como se fora um premio concedido aos países que primam pela condução de uma política econômica responsável. A possibilidade de que essa classificação seja concedida ao Brasil, no curto prazo, tem provocado uma onda de euforia no mercado interno.
Estamos, de fato, muito próximo de alcançar essa classificação, já que todos os indicadores de solvência têm apresentado melhoria sensível nos últimos anos (trajetória cadente de endividamento, elevação das reservas internacionais, melhora na composição do endividamento, etc.).
Com a recente revisão da metodologia de cálculo do PIB essa percepção se evidencia, ao constatarmos uma alteração em todas as variáveis que eram expressas como percentagem desse valor. Com essa nova metodologia, no caso da dívida pública, a razão dívida/PIB de 2006 – que estava em 50%, recuou para perto de 45%.
Esse fato fez com que representantes do governo, economistas e agências de classificação de risco, visualizassem um patamar mais baixo de endividamento, tornando o País quase apto a atingir algo conhecido no mercado financeiro internacional como "Status de Investiment Grade".
Parece-me, no entanto, que esqueceram algumas deficiências históricas que ainda precisam ser superadas. A precariedade das contas públicas, que ainda dependem muito da muleta continua do aumento das receitas, via impostos, sem o menor sinal de que exista uma política consistente de contenção de gastos, se torna o primeiro dos gargalos.
Setores cruciais de nossa economia se ressentem de um enxoval regulatório que possa impulsionar investimentos em rodovias, ferrovias e setor elétrico, cruciais para alavancar nossa infra-estrutura. E o que dizer da nossa justiça, lenta, sonolenta e paquidérmica? Tudo isso é reconhecido pelo próprio Governo Federal que gastou apenas 3,5% dos recursos previstos para investimentos em infra-estrutura, seja em transportes ou energia.
Recentemente, o Presidente da Vale do Rio Doce, Roger Agnelli afirmou que a partir de 2011 faltarão recursos energéticos suficientes para qualquer projeto de expansão em nossa economia. Comparativamente, os custos com transporte e logística, em nosso País, equivalem a 12,75% do PIB contra 8,20% dos EUA. Outra comparação angustiante: 60% de nossa carga transportada é rodoviária, contra 26% nos EUA. E o que mais preocupa é que a idade média de nossa frota de caminhões é de vinte anos.
Enquanto o Brasil investiu, nos dois últimos anos US$ 3,6 bilhões para ampliar e/ou recuperar suas rodovias, a China está investindo US$ 70 bilhões de 2006 a 2008. O sistema portuário, também precisa, urgentemente, além de se profissionalizar e desenvolver anticorpos que impeçam nomeações políticas no setor, resolver, de uma vez por todas, os seus problemas no que tange à precariedade dos acessos rodoviários e ferroviários.
Para que tudo ocorra, sem sobressaltos, reformas vitais nas áreas política e tributária, se implementadas, poderão agregar condições que nos conduzirão, em futuro não muito distante, ao grupo das seis maiores economias mundiais.
Ainda poderíamos agregar alguns passivos sociais, principalmente na área da educação, que deveriam fazer parte de uma verdadeira revolução silenciosa, para realmente nos sentirmos cidadãos que caminham para o primeiro mundo. Independente de que venha o reconhecimento de nosso grau de investimento, e ele virá em 2008, há que se tratar com a devida importância todas essas questões, para que o imenso sacrifício a nós imposto, desde o Plano Real, possa ter compensado chegar-se a tal estágio em nossa economia.
Somente assim, conseguiremos armar uma equação capaz de pavimentar um desenvolvimento sustentado em bases sólidas, com projetos de longo prazo, que nos viabilizará como uma grande potência. Basicamente, as agências classificam os diferentes ativos em duas classes de riscos: grau de investimento e grau de especulação.
Enquanto no primeiro o risco de crédito é muito baixo ou inexistente, no segundo, estão confinados os países em que existe um maior risco de crédito, com maior probabilidade de não honrarem seus compromissos. Para complicar esse entendimento, denominam essa incapacidade (o popular beiço ou calote) pelo pomposo nome de "default".
Qualquer país considerado como detentor de grau de investimento é portador de credibilidade, o que facilita, e muito, a captação de recursos de longo prazo a custos baixos, no mercado internacional de capitais. É como se fora um premio concedido aos países que primam pela condução de uma política econômica responsável. A possibilidade de que essa classificação seja concedida ao Brasil, no curto prazo, tem provocado uma onda de euforia no mercado interno.
Estamos, de fato, muito próximo de alcançar essa classificação, já que todos os indicadores de solvência têm apresentado melhoria sensível nos últimos anos (trajetória cadente de endividamento, elevação das reservas internacionais, melhora na composição do endividamento, etc.).
Com a recente revisão da metodologia de cálculo do PIB essa percepção se evidencia, ao constatarmos uma alteração em todas as variáveis que eram expressas como percentagem desse valor. Com essa nova metodologia, no caso da dívida pública, a razão dívida/PIB de 2006 – que estava em 50%, recuou para perto de 45%.
Esse fato fez com que representantes do governo, economistas e agências de classificação de risco, visualizassem um patamar mais baixo de endividamento, tornando o País quase apto a atingir algo conhecido no mercado financeiro internacional como "Status de Investiment Grade".
Parece-me, no entanto, que esqueceram algumas deficiências históricas que ainda precisam ser superadas. A precariedade das contas públicas, que ainda dependem muito da muleta continua do aumento das receitas, via impostos, sem o menor sinal de que exista uma política consistente de contenção de gastos, se torna o primeiro dos gargalos.
Setores cruciais de nossa economia se ressentem de um enxoval regulatório que possa impulsionar investimentos em rodovias, ferrovias e setor elétrico, cruciais para alavancar nossa infra-estrutura. E o que dizer da nossa justiça, lenta, sonolenta e paquidérmica? Tudo isso é reconhecido pelo próprio Governo Federal que gastou apenas 3,5% dos recursos previstos para investimentos em infra-estrutura, seja em transportes ou energia.
Recentemente, o Presidente da Vale do Rio Doce, Roger Agnelli afirmou que a partir de 2011 faltarão recursos energéticos suficientes para qualquer projeto de expansão em nossa economia. Comparativamente, os custos com transporte e logística, em nosso País, equivalem a 12,75% do PIB contra 8,20% dos EUA. Outra comparação angustiante: 60% de nossa carga transportada é rodoviária, contra 26% nos EUA. E o que mais preocupa é que a idade média de nossa frota de caminhões é de vinte anos.
Enquanto o Brasil investiu, nos dois últimos anos US$ 3,6 bilhões para ampliar e/ou recuperar suas rodovias, a China está investindo US$ 70 bilhões de 2006 a 2008. O sistema portuário, também precisa, urgentemente, além de se profissionalizar e desenvolver anticorpos que impeçam nomeações políticas no setor, resolver, de uma vez por todas, os seus problemas no que tange à precariedade dos acessos rodoviários e ferroviários.
Para que tudo ocorra, sem sobressaltos, reformas vitais nas áreas política e tributária, se implementadas, poderão agregar condições que nos conduzirão, em futuro não muito distante, ao grupo das seis maiores economias mundiais.
Ainda poderíamos agregar alguns passivos sociais, principalmente na área da educação, que deveriam fazer parte de uma verdadeira revolução silenciosa, para realmente nos sentirmos cidadãos que caminham para o primeiro mundo. Independente de que venha o reconhecimento de nosso grau de investimento, e ele virá em 2008, há que se tratar com a devida importância todas essas questões, para que o imenso sacrifício a nós imposto, desde o Plano Real, possa ter compensado chegar-se a tal estágio em nossa economia.
Somente assim, conseguiremos armar uma equação capaz de pavimentar um desenvolvimento sustentado em bases sólidas, com projetos de longo prazo, que nos viabilizará como uma grande potência. Basicamente, as agências classificam os diferentes ativos em duas classes de riscos: grau de investimento e grau de especulação.
Enquanto no primeiro o risco de crédito é muito baixo ou inexistente, no segundo, estão confinados os países em que existe um maior risco de crédito, com maior probabilidade de não honrarem seus compromissos. Para complicar esse entendimento, denominam essa incapacidade (o popular beiço ou calote) pelo pomposo nome de "default".
Qualquer país considerado como detentor de grau de investimento é portador de credibilidade, o que facilita, e muito, a captação de recursos de longo prazo a custos baixos, no mercado internacional de capitais. É como se fora um premio concedido aos países que primam pela condução de uma política econômica responsável. A possibilidade de que essa classificação seja concedida ao Brasil, no curto prazo, tem provocado uma onda de euforia no mercado interno.
Estamos, de fato, muito próximo de alcançar essa classificação, já que todos os indicadores de solvência têm apresentado melhoria sensível nos últimos anos (trajetória cadente de endividamento, elevação das reservas internacionais, melhora na composição do endividamento, etc.).
Com a recente revisão da metodologia de cálculo do PIB essa percepção se evidencia, ao constatarmos uma alteração em todas as variáveis que eram expressas como percentagem desse valor. Com essa nova metodologia, no caso da dívida pública, a razão dívida/PIB de 2006 – que estava em 50%, recuou para perto de 45%.
Esse fato fez com que representantes do governo, economistas e agências de classificação de risco, visualizassem um patamar mais baixo de endividamento, tornando o País quase apto a atingir algo conhecido no mercado financeiro internacional como "Status de Investiment Grade".
Parece-me, no entanto, que esqueceram algumas deficiências históricas que ainda precisam ser superadas. A precariedade das contas públicas, que ainda dependem muito da muleta continua do aumento das receitas, via impostos, sem o menor sinal de que exista uma política consistente de contenção de gastos, se torna o primeiro dos gargalos.
Setores cruciais de nossa economia se ressentem de um enxoval regulatório que possa impulsionar investimentos em rodovias, ferrovias e setor elétrico, cruciais para alavancar nossa infra-estrutura. E o que dizer da nossa justiça, lenta, sonolenta e paquidérmica? Tudo isso é reconhecido pelo próprio Governo Federal que gastou apenas 3,5% dos recursos previstos para investimentos em infra-estrutura, seja em transportes ou energia.
Recentemente, o Presidente da Vale do Rio Doce, Roger Agnelli afirmou que a partir de 2011 faltarão recursos energéticos suficientes para qualquer projeto de expansão em nossa economia. Comparativamente, os custos com transporte e logística, em nosso País, equivalem a 12,75% do PIB contra 8,20% dos EUA. Outra comparação angustiante: 60% de nossa carga transportada é rodoviária, contra 26% nos EUA. E o que mais preocupa é que a idade média de nossa frota de caminhões é de vinte anos.
Enquanto o Brasil investiu, nos dois últimos anos US$ 3,6 bilhões para ampliar e/ou recuperar suas rodovias, a China está investindo US$ 70 bilhões de 2006 a 2008. O sistema portuário, também precisa, urgentemente, além de se profissionalizar e desenvolver anticorpos que impeçam nomeações políticas no setor, resolver, de uma vez por todas, os seus problemas no que tange à precariedade dos acessos rodoviários e ferroviários.
Para que tudo ocorra, sem sobressaltos, reformas vitais nas áreas política e tributária, se implementadas, poderão agregar condições que nos conduzirão, em futuro não muito distante, ao grupo das seis maiores economias mundiais.
Ainda poderíamos agregar alguns passivos sociais, principalmente na área da educação, que deveriam fazer parte de uma verdadeira revolução silenciosa, para realmente nos sentirmos cidadãos que caminham para o primeiro mundo. Independente de que venha o reconhecimento de nosso grau de investimento, e ele virá em 2008, há que se tratar com a devida importância todas essas questões, para que o imenso sacrifício a nós imposto, desde o Plano Real, possa ter compensado chegar-se a tal estágio em nossa economia.
Somente assim, conseguiremos armar uma equação capaz de pavimentar um desenvolvimento sustentado em bases sólidas, com projetos de longo prazo, que nos viabilizará como uma grande potência. Basicamente, as agências classificam os diferentes ativos em duas classes de riscos: grau de investimento e grau de especulação.
Enquanto no primeiro o risco de crédito é muito baixo ou inexistente, no segundo, estão confinados os países em que existe um maior risco de crédito, com maior probabilidade de não honrarem seus compromissos. Para complicar esse entendimento, denominam essa incapacidade (o popular beiço ou calote) pelo pomposo nome de "default".
Qualquer país considerado como detentor de grau de investimento é portador de credibilidade, o que facilita, e muito, a captação de recursos de longo prazo a custos baixos, no mercado internacional de capitais. É como se fora um premio concedido aos países que primam pela condução de uma política econômica responsável. A possibilidade de que essa classificação seja concedida ao Brasil, no curto prazo, tem provocado uma onda de euforia no mercado interno.
Estamos, de fato, muito próximo de alcançar essa classificação, já que todos os indicadores de solvência têm apresentado melhoria sensível nos últimos anos (trajetória cadente de endividamento, elevação das reservas internacionais, melhora na composição do endividamento, etc.).
Com a recente revisão da metodologia de cálculo do PIB essa percepção se evidencia, ao constatarmos uma alteração em todas as variáveis que eram expressas como percentagem desse valor. Com essa nova metodologia, no caso da dívida pública, a razão dívida/PIB de 2006 – que estava em 50%, recuou para perto de 45%.
Esse fato fez com que representantes do governo, economistas e agências de classificação de risco, visualizassem um patamar mais baixo de endividamento, tornando o País quase apto a atingir algo conhecido no mercado financeiro internacional como "Status de Investiment Grade".
Parece-me, no entanto, que esqueceram algumas deficiências históricas que ainda precisam ser superadas. A precariedade das contas públicas, que ainda dependem muito da muleta continua do aumento das receitas, via impostos, sem o menor sinal de que exista uma política consistente de contenção de gastos, se torna o primeiro dos gargalos.
Setores cruciais de nossa economia se ressentem de um enxoval regulatório que possa impulsionar investimentos em rodovias, ferrovias e setor elétrico, cruciais para alavancar nossa infra-estrutura. E o que dizer da nossa justiça, lenta, sonolenta e paquidérmica? Tudo isso é reconhecido pelo próprio Governo Federal que gastou apenas 3,5% dos recursos previstos para investimentos em infra-estrutura, seja em transportes ou energia.
Recentemente, o Presidente da Vale do Rio Doce, Roger Agnelli afirmou que a partir de 2011 faltarão recursos energéticos suficientes para qualquer projeto de expansão em nossa economia. Comparativamente, os custos com transporte e logística, em nosso País, equivalem a 12,75% do PIB contra 8,20% dos EUA. Outra comparação angustiante: 60% de nossa carga transportada é rodoviária, contra 26% nos EUA. E o que mais preocupa é que a idade média de nossa frota de caminhões é de vinte anos.
Enquanto o Brasil investiu, nos dois últimos anos US$ 3,6 bilhões para ampliar e/ou recuperar suas rodovias, a China está investindo US$ 70 bilhões de 2006 a 2008. O sistema portuário, também precisa, urgentemente, além de se profissionalizar e desenvolver anticorpos que impeçam nomeações políticas no setor, resolver, de uma vez por todas, os seus problemas no que tange à precariedade dos acessos rodoviários e ferroviários.
Para que tudo ocorra, sem sobressaltos, reformas vitais nas áreas política e tributária, se implementadas, poderão agregar condições que nos conduzirão, em futuro não muito distante, ao grupo das seis maiores economias mundiais.
Ainda poderíamos agregar alguns passivos sociais, principalmente na área da educação, que deveriam fazer parte de uma verdadeira revolução silenciosa, para realmente nos sentirmos cidadãos que caminham para o primeiro mundo. Independente de que venha o reconhecimento de nosso grau de investimento, e ele virá em 2008, há que se tratar com a devida importância todas essas questões, para que o imenso sacrifício a nós imposto, desde o Plano Real, possa ter compensado chegar-se a tal estágio em nossa economia.
Somente assim, conseguiremos armar uma equação capaz de pavimentar um desenvolvimento sustentado em bases sólidas, com projetos de longo prazo, que nos viabilizará como uma grande potência. Basicamente, as agências classificam os diferentes ativos em duas classes de riscos: grau de investimento e grau de especulação.
Enquanto no primeiro o risco de crédito é muito baixo ou inexistente, no segundo, estão confinados os países em que existe um maior risco de crédito, com maior probabilidade de não honrarem seus compromissos. Para complicar esse entendimento, denominam essa incapacidade (o popular beiço ou calote) pelo pomposo nome de "default".
Qualquer país considerado como detentor de grau de investimento é portador de credibilidade, o que facilita, e muito, a captação de recursos de longo prazo a custos baixos, no mercado internacional de capitais. É como se fora um premio concedido aos países que primam pela condução de uma política econômica responsável. A possibilidade de que essa classificação seja concedida ao Brasil, no curto prazo, tem provocado uma onda de euforia no mercado interno.
Estamos, de fato, muito próximo de alcançar essa classificação, já que todos os indicadores de solvência têm apresentado melhoria sensível nos últimos anos (trajetória cadente de endividamento, elevação das reservas internacionais, melhora na composição do endividamento, etc.).
Com a recente revisão da metodologia de cálculo do PIB essa percepção se evidencia, ao constatarmos uma alteração em todas as variáveis que eram expressas como percentagem desse valor. Com essa nova metodologia, no caso da dívida pública, a razão dívida/PIB de 2006 – que estava em 50%, recuou para perto de 45%.
Esse fato fez com que representantes do governo, economistas e agências de classificação de risco, visualizassem um patamar mais baixo de endividamento, tornando o País quase apto a atingir algo conhecido no mercado financeiro internacional como "Status de Investiment Grade".
Parece-me, no entanto, que esqueceram algumas deficiências históricas que ainda precisam ser superadas. A precariedade das contas públicas, que ainda dependem muito da muleta continua do aumento das receitas, via impostos, sem o menor sinal de que exista uma política consistente de contenção de gastos, se torna o primeiro dos gargalos.
Setores cruciais de nossa economia se ressentem de um enxoval regulatório que possa impulsionar investimentos em rodovias, ferrovias e setor elétrico, cruciais para alavancar nossa infra-estrutura. E o que dizer da nossa justiça, lenta, sonolenta e paquidérmica? Tudo isso é reconhecido pelo próprio Governo Federal que gastou apenas 3,5% dos recursos previstos para investimentos em infra-estrutura, seja em transportes ou energia.
Recentemente, o Presidente da Vale do Rio Doce, Roger Agnelli afirmou que a partir de 2011 faltarão recursos energéticos suficientes para qualquer projeto de expansão em nossa economia. Comparativamente, os custos com transporte e logística, em nosso País, equivalem a 12,75% do PIB contra 8,20% dos EUA. Outra comparação angustiante: 60% de nossa carga transportada é rodoviária, contra 26% nos EUA. E o que mais preocupa é que a idade média de nossa frota de caminhões é de vinte anos.
Enquanto o Brasil investiu, nos dois últimos anos US$ 3,6 bilhões para ampliar e/ou recuperar suas rodovias, a China está investindo US$ 70 bilhões de 2006 a 2008. O sistema portuário, também precisa, urgentemente, além de se profissionalizar e desenvolver anticorpos que impeçam nomeações políticas no setor, resolver, de uma vez por todas, os seus problemas no que tange à precariedade dos acessos rodoviários e ferroviários.
Para que tudo ocorra, sem sobressaltos, reformas vitais nas áreas política e tributária, se implementadas, poderão agregar condições que nos conduzirão, em futuro não muito distante, ao grupo das seis maiores economias mundiais.
Ainda poderíamos agregar alguns passivos sociais, principalmente na área da educação, que deveriam fazer parte de uma verdadeira revolução silenciosa, para realmente nos sentirmos cidadãos que caminham para o primeiro mundo. Independente de que venha o reconhecimento de nosso grau de investimento, e ele virá em 2008, há que se tratar com a devida importância todas essas questões, para que o imenso sacrifício a nós imposto, desde o Plano Real, possa ter compensado chegar-se a tal estágio em nossa economia.
Somente assim, conseguiremos armar uma equação capaz de pavimentar um desenvolvimento sustentado em bases sólidas, com projetos de longo prazo, que nos viabilizará como uma grande potência. Basicamente, as agências classificam os diferentes ativos em duas classes de riscos: grau de investimento e grau de especulação.
Enquanto no primeiro o risco de crédito é muito baixo ou inexistente, no segundo, estão confinados os países em que existe um maior risco de crédito, com maior probabilidade de não honrarem seus compromissos. Para complicar esse entendimento, denominam essa incapacidade (o popular beiço ou calote) pelo pomposo nome de "default".
Qualquer país considerado como detentor de grau de investimento é portador de credibilidade, o que facilita, e muito, a captação de recursos de longo prazo a custos baixos, no mercado internacional de capitais. É como se fora um premio concedido aos países que primam pela condução de uma política econômica responsável. A possibilidade de que essa classificação seja concedida ao Brasil, no curto prazo, tem provocado uma onda de euforia no mercado interno.
Estamos, de fato, muito próximo de alcançar essa classificação, já que todos os indicadores de solvência têm apresentado melhoria sensível nos últimos anos (trajetória cadente de endividamento, elevação das reservas internacionais, melhora na composição do endividamento, etc.).
Com a recente revisão da metodologia de cálculo do PIB essa percepção se evidencia, ao constatarmos uma alteração em todas as variáveis que eram expressas como percentagem desse valor. Com essa nova metodologia, no caso da dívida pública, a razão dívida/PIB de 2006 – que estava em 50%, recuou para perto de 45%.
Esse fato fez com que representantes do governo, economistas e agências de classificação de risco, visualizassem um patamar mais baixo de endividamento, tornando o País quase apto a atingir algo conhecido no mercado financeiro internacional como "Status de Investiment Grade".
Parece-me, no entanto, que esqueceram algumas deficiências históricas que ainda precisam ser superadas. A precariedade das contas públicas, que ainda dependem muito da muleta continua do aumento das receitas, via impostos, sem o menor sinal de que exista uma política consistente de contenção de gastos, se torna o primeiro dos gargalos.
Setores cruciais de nossa economia se ressentem de um enxoval regulatório que possa impulsionar investimentos em rodovias, ferrovias e setor elétrico, cruciais para alavancar nossa infra-estrutura. E o que dizer da nossa justiça, lenta, sonolenta e paquidérmica? Tudo isso é reconhecido pelo próprio Governo Federal que gastou apenas 3,5% dos recursos previstos para investimentos em infra-estrutura, seja em transportes ou energia.
Recentemente, o Presidente da Vale do Rio Doce, Roger Agnelli afirmou que a partir de 2011 faltarão recursos energéticos suficientes para qualquer projeto de expansão em nossa economia. Comparativamente, os custos com transporte e logística, em nosso País, equivalem a 12,75% do PIB contra 8,20% dos EUA. Outra comparação angustiante: 60% de nossa carga transportada é rodoviária, contra 26% nos EUA. E o que mais preocupa é que a idade média de nossa frota de caminhões é de vinte anos.
Enquanto o Brasil investiu, nos dois últimos anos US$ 3,6 bilhões para ampliar e/ou recuperar suas rodovias, a China está investindo US$ 70 bilhões de 2006 a 2008. O sistema portuário, também precisa, urgentemente, além de se profissionalizar e desenvolver anticorpos que impeçam nomeações políticas no setor, resolver, de uma vez por todas, os seus problemas no que tange à precariedade dos acessos rodoviários e ferroviários.
Para que tudo ocorra, sem sobressaltos, reformas vitais nas áreas política e tributária, se implementadas, poderão agregar condições que nos conduzirão, em futuro não muito distante, ao grupo das seis maiores economias mundiais.
Ainda poderíamos agregar alguns passivos sociais, principalmente na área da educação, que deveriam fazer parte de uma verdadeira revolução silenciosa, para realmente nos sentirmos cidadãos que caminham para o primeiro mundo. Independente de que venha o reconhecimento de nosso grau de investimento, e ele virá em 2008, há que se tratar com a devida importância todas essas questões, para que o imenso sacrifício a nós imposto, desde o Plano Real, possa ter compensado chegar-se a tal estágio em nossa economia.
Somente assim, conseguiremos armar uma equação capaz de pavimentar um desenvolvimento sustentado em bases sólidas, com projetos de longo prazo, que nos viabilizará como uma grande potência.
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Sexta-feira, Janeiro 4, 2008
Economia...Economia...decifra-me ou te devoro!
ARTIGO ESPECIAL enviado ao nosso BLOG DE NOTÍCIAS, pelo conselheiro empresarial, WAGNER GOMES, que foi superintendente do Banco do Brasil em Minas. Ele é mineiro de Montes Claros no norte de Minas e atua, principalmente, na consultoria empresarial, em São Paulo. Vale ler o ARTIGO ESPECIAL escrito por ele, que bem poderia ser titulado como "Trocando em Miúdos". Confira!
ARTIGO ESPECIAL
Economia: Investment grade X Speculation Grade Wagner Gomes
Quando se olha o noticiário econômico, nota-se o emprego de uma linguagem técnica e rebuscada, para explicar um movimento relativamente fácil, que os economistas teimam em torná-lo de difícil compreensão.
Afinal o que representa essa classificação e qual a razão de sua importância? O chamado grau de investimento é o reconhecimento, por parte de agências de classificação de risco de crédito (Moody's, Standard & Poor's e Fitch, são as principais), de que um país tem probabilidade baixa de não honrar sua dívida pública.
Basicamente, as agências classificam os diferentes ativos em duas classes de riscos: grau de investimento e grau de especulação. Enquanto no primeiro o risco de crédito é muito baixo ou inexistente, no segundo, estão confinados os países em que existe um maior risco de crédito, com maior probabilidade de não honrarem seus compromissos.
Para complicar esse entendimento, denominam essa incapacidade (o popular beiço ou calote) pelo pomposo nome de "default". Qualquer país considerado como detentor de grau de investimento é portador de credibilidade, o que facilita, e muito, a captação de recursos de longo prazo a custos baixos, no mercado internacional de capitais. É como se fora um premio concedido aos países que primam pela condução de uma política econômica responsável.
A possibilidade de que essa classificação seja concedida ao Brasil, no curto prazo, tem provocado uma onda de euforia no mercado interno. Estamos, de fato, muito próximo de alcançar essa classificação, já que todos os indicadores de solvência têm apresentado melhoria sensível nos últimos anos (trajetória cadente de endividamento, elevação das reservas internacionais, melhora na composição do endividamento, etc.).
Com a recente revisão da metodologia de cálculo do PIB essa percepção se evidencia, ao constatarmos uma alteração em todas as variáveis que eram expressas como percentagem desse valor.
Com essa nova metodologia, no caso da dívida pública, a razão dívida/PIB de 2006 – que estava em 50%, recuou para perto de 45%. Esse fato fez com que representantes do governo, economistas e agências de classificação de risco, visualizassem um patamar mais baixo de endividamento, tornando o País quase apto a atingir algo conhecido no mercado financeiro internacional como "Status de Investiment Grade".
Parece-me, no entanto, que esqueceram algumas deficiências históricas que ainda precisam ser superadas.
A precariedade das contas públicas, que ainda dependem muito da muleta continua do aumento das receitas, via impostos, sem o menor sinal de que exista uma política consistente de contenção de gastos, se torna o primeiro dos gargalos. Setores cruciais de nossa economia se ressentem de um enxoval regulatório que possa impulsionar investimentos em rodovias, ferrovias e setor elétrico, cruciais para alavancar nossa infra-estrutura.
E o que dizer da nossa justiça, lenta, sonolenta e paquidérmica? Tudo isso é reconhecido pelo próprio Governo Federal que gastou apenas 3,5% dos recursos previstos para investimentos em infra-estrutura, seja em transportes ou energia.
Recentemente, o Presidente da Vale do Rio Doce, Roger Agnelli afirmou que a partir de 2011 faltarão recursos energéticos suficientes para qualquer projeto de expansão em nossa economia. Comparativamente, os custos com transporte e logística, em nosso País, equivalem a 12,75% do PIB contra 8,20% dos EUA. Outra comparação angustiante: 60% de nossa carga transportada é rodoviária, contra 26% nos EUA.
E o que mais preocupa é que a idade média de nossa frota de caminhões é de vinte anos. Enquanto o Brasil investiu, nos dois últimos anos US$ 3,6 bilhões para ampliar e/ou recuperar suas rodovias, a China está investindo US$ 70 bilhões de 2006 a 2008.
O sistema portuário, também precisa, urgentemente, além de se profissionalizar e desenvolver anticorpos que impeçam nomeações políticas no setor, resolver, de uma vez por todas, os seus problemas no que tange à precariedade dos acessos rodoviários e ferroviários.
Para que tudo ocorra, sem sobressaltos, reformas vitais nas áreas política e tributária, se implementadas, poderão agregar condições que nos conduzirão, em futuro não muito distante, ao grupo das seis maiores economias mundiais.
Ainda poderíamos agregar alguns passivos sociais, principalmente na área da educação, que deveriam fazer parte de uma verdadeira revolução silenciosa, para realmente nos sentirmos cidadãos que caminham para o primeiro mundo.
Independente de que venha o reconhecimento de nosso grau de investimento, e ele virá em 2008, há que se tratar com a devida importância todas essas questões, para que o imenso sacrifício a nós imposto, desde o Plano Real, possa ter compensado chegar-se a tal estágio em nossa economia.
Somente assim, conseguiremos armar uma equação capaz de pavimentar um desenvolvimento sustentado em bases sólidas, com projetos de longo prazo, que nos viabilizará como uma grande potência.
Comentários |
#1. Roberto Martins - (robema@bol.com.br) Prezado blogueiro João Carlos: Finalmente, alguém de bom senso e boa prosa consegue nos explicar algo dessa natureza, sem rabuscar no economês. Simples, objetivo e direto. Parabéns ao articulista. Aliás, não entendo porque a grande mídia não o contrata de imediato. Daria show nesses comentaristas que não sabem o que dizem por ai... Parabéns a ambos. O blog se engrandece com coloboradores dessa magnitude. Atenciosamente, Roberto Martins
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#2. Benjamim Araujo - (baraujo@prover.com.br) Sou leitor assíduo de suas magníficas, solídas, centíficas e inteligentes matérias. Faço delas importantes referências em em minhas escritas.
Sou sempre seu aprediz.
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#3. Marcelo Reis - (Email não informado) Todo esse enredo dissecado, constitui em interação com o leitor. Enquanto alguns escrevem para si, o Wagner Gomes dá aula de simplicidade, escrevendo para o povão. A ilusão de quem se sente especialista se desfaz diante da singeleza desse texto. Foge do enfoque cientificista, nos oferecendo a oportunidade de pensarmos de maneira simples. Não existe assunto árido para esse promissor analista da cena econômica. Parabens a ele e ao blog por nos propiciar tudo isso que nos tras ao debate e também a necessidade de uma visão mais simples do mundo, priorizando a inteligencia efetiva e não a artificial. Já era hora de encerrarmos a visão de mundo dos deterministas que deixam de fora vários aspectos ou ângulos de quem quer entender o ambiente, a sociedade ou a história, sem que lhes sejam impingidas visões completas e fantásticas. Valeu pela lição de humildade e de respeito ao leitor. Marcelo Reis
#4. Sant'Ana - (sanntana@oi.com.br) João Carlos, Todos os seus leitores agradecemos a oportunidade desta aula de economês em linguagem humana. O Wagner tem dois dons inigualáveis: a facilidade de expressão associada a enorme competência e a grande presença de espírito misturada com um incomparável senso de humor. Parabéns ao Wagner pelo artigo e a você pelo acolhimento. Sant'Ana = BH
#5. Ozanam Godoy - (ozanam@uaivip.com.br) Sem dúvida, jornalista João Carlos, a inserção de comentários de Wagner Gomes, enriquece imensamente o seu blog.Wagner, amigo e colega, sempre foi autamente competente, eis porque chegou à Superintendência do Banco do Brasil. Parabens para vocês dois.
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#7. Rigueira - (Alvimargr@yahoo.com) Adoro comentários simples e objetivos sobre Economia, coisa rara de se ver. No caso presente, li e entendi com facilidade.Parabens Wagner pela autoria;´parabens João Carlos, pela divulgação.
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#8. Bruno Davis - (Email não informado) Muito bom... é impressionante como todas essas coisas são faladas quase diariamente e ainda assim nada sai do papel!!! Um abraço, Bruno
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#9. Polati - (Email não informado) Muito bom Wagner. Você está no nível dos melhores comentaristas. Vai em frente, que uma hora vão lhe descobrir. Um abraço, Toninho
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#10. José Emilio Afonso - (zeemilioafonso@yahoo.com.br) É didático e coloca todos entendendo de economia e suas consequências. Mas se tratando de Wagner, não surpreende pois esse é crak. Vá em frente grande moquense.
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#11. Rogério Sottili - (Email não informado) Prezado Wagner, Parabéns pelo artigo. Agregaria apenas uma sugestão e uma dica de leitura: a sugestão é que, apesar da grande demanda em termos de infra estrutura, o importante é que agora, pelo menos, temos uma política que aponta na busca de atender este problema: o PAC. Mesmo que possa ser questionado quanto a sua eficácia (se dará conta ou não de toda a demanda). É evidente que uma demanda repremida de mais de 50 anos, não serão apenas com cinco ou seis anos que irá promover a infra estrutura necessária, mas a existência dessa política já um indicador altamente positivo. Quanto a dica de leitura, trata-se do artigo da Milú villella, na Folha de São Paulo de hoje, página 3. Ela fala exatamente sobre educação, chamando de revolução o que está sendo feito, o que vai ao encontro da sua legítima preocupação com relação a educação, tb abordado no seu artigo. um grande abraço e que venha 2008. rogerio sottili
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Segunda-feira, Março 10, 2008
ARTIGO ESPECIAL enviado ao nosso BLOG DE NOTÍCIAS pela especialista em Meio Ambiente, MADALENA BAHIA CASCÃO. Vale conferir!
Quando a chuva chega... by *Madalena Bahia Cascâo.
A humanidade, feito suicida, emporcalha aquilo que é a principal condição biológica para a sua sobrevivência - a água. A situação pode ser vista nos córregos e em cursos d'agua que abastecem as cidades. O lixo acumulado faz com que as enchentes se avolumem e a tudo carreguem. O povo clama contra a natureza... Ali é um caminhão que se acidenta e a carga tóxica e poluente vai para o curso d'agua, outras vezes são as barragens de contensão das mineradoras que não suportam os volumes nelas contidos e saem arrastando tudo. De que adianta manutenção em bocas de lobo se a população comporta-se como se a Educação Ambiental e a Gestão Ambiental atuassem em projetos apenas para os estudiosos, ou quando ha necessidade imperativa para cumprir com as exgencias da legialaçao. Nosso Brasil, de tantas riquezas é contemplado de norte a sul com a desfaçatez do cidadão,que por isso mesmo vem passando por situações de calamidade quando as chuvas acontecem. Hoje as populações urbanas se encontram equiparadas, não sofre somente o morador em áreas de risco, sofre o cidadão. Nas ultimas chuvas vimos carros das mais variadas marcas sendo varridos como brinquedos pelas águas, casas inundadas, barro entrando por todos os lados, muros de arrimo no chão, perdas da vida e dos bens. Todos os anos a mesma situação, o que é feito apenas minimiza o evento. A primeira e mais importante questão é saber como utilizar-se dos instrumentos ambientais para evitar-se tais situações. A primeira e mais importante resposta, impressionante e assustadora, é que a grande sujeira que muitas vezes se tenta esconder debaixo do imenso tapete de água é fruto da falta de consciência. A formação do mega-entulho, de garrafas e sacos plásticos, lixo a revelia e inadequado para a água, é atribuída a dois fatores combinados: ação humana e ação da natureza. Um quinto dos resíduos foi jogado por quem se diz consciente e inclui itens como carcaça de animais, bolas de futebol, carcaça de geladeiras, fogões, colchões, garrafas e sacolas plásticas, restos de material de construção e outros. O restante veio da terra, levado pelas enxurradas, causando o assoreamento do rio que sobe e arrasta tudo. De acordo com o Programa Ambiental da ONU, detritos de plástico constituem 90% de todo o lixo flutuante nos rios e oceanos. Estima-se que 46 mil peças de plástico provoquem anualmente a morte de mais de um milhão de aves, peixes e de outros 100 mil mamíferos. Seringas, isqueiros e escovas já foram encontrados no estômago desses animais depois de mortos. A fiscalização para evitar agressões ao meio ambiente em geral costuma ser fraca, e mais frágil ainda é a fiscalização que deveria proteger os recursos hídricos, por falta de pessoal. Uma vez boiando nos córregos e rios os resíduos passam a ser sujeira sem dono - como ponta de cigarro na rua. Ainda que se saiba a sua procedência, é impossível responsabilizar culpados. A fiscalização é teórica e ineficaz, técnicos capacitados se encontram desempregados, os concursos contemplam poucos profissionais, quantidade insuficiente para a demanda... E assim, de enchente em enchente, o Pais tenta ir em frente!
*Madalena Bahia Cascão especializou-se na UFMG em Gerenciamento de Recursos Hídricos Urbanos e na FUMEC em Gestão Ambiental.
Comentários |
#1. ana cristina - (anacristinaum@hotmail.com) Adorei seu artigo. Tudo q vc tiver relacionado pode me enviar, vou adorar.Parabéns!!! Eu fiz o meu trabalho final de graduação em arquitetura em um edificio abandonado no hipercentro de BH utilizando tecnologias de baixo impacto ambiental.É um retrofit buscando a sustentabilidade. Abraços, Ana Cristina.
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#2. Edna Rodrigues - (edrosilv@yahoo.com.br) Há que se falar , escrever , documentar , uma , mil , milhões de vezes até que todos os seres humanos conscientizem deste auto suicídio e não necessitem mais ser fiscalizados , pois serão parte ativa da luta para preservação do que lhe fundamental para sua existência. Parabéns por sua luta constante para que esta conscientização seja rápida e que aconteça. Um grande abraço.
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#3. Grace Fleury - (g_fleury@comcast.net) Infelizmente o descaso do ser humano com o seu proprio meio ambiente e assustador. Seu artigo e mais um alerta a populacao. Seria excelente que pessoas como voce se unissem no sentido de alertarem e conscientizarem a humanidade sobre o grande mal que estamos fazendo a nossa curta existencia no Planeta Terra. Realmente valeu a pena ler e conferir o seu Alerta. Parabens e Obrigada por esta luta.
#4. carmencosta - (carmencosta100@yahoo.com.br) Gostei muito da repotagem. Serve de alerta para a humanidade.E principalmente aos nossos governantes; de abrir os olhos enquanto é tempo para corrigir estes erros.E não deixa também de ter mais bom senso os empresarios ,em mudar a consciÊNCIA TAMBÉM.
#5. Denise - (denise.duarte@igam.mg.gov.br) Querida, PARABÉNS! Adorei seu artigo. Espero que muitos leiam e reflitem. O nosso planeta, há muitos anos, já clama por socorro. Precisamos realmente acordar enquanto é tempo!Bjs.Dê
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#6. Maria Geralda - (mgcbahia@yahoo.com.br) Parabéns,o artigo é abrangente e convida a refletir sobre a responsabilidade e compromisso de cada um com o ambiente que nos cerca. Sem mudanças de hábitos e atitudes estamos nos condenando a um futuro próximo de privações em todos os sentidos.
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#7. Maria Cristina - (carvalho25br@hotmail.com) Adorei o seu artigo. Você, como sempre,demonstrou muita sensibilidade e profundo conhecimento! Irei imprimir e divulgar junto aos meus alunos. Aguardaremos ansiosos pelo próximo artigo.
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#8. Sebastião Ferreira Cascão Júnior - (cascao@globo.com) Excelente artigo. Lembra e alerta para tudo o que escreveu e ainda mais: A necessidade preemente de se colocar no conteúdo da educação formal desde as primeiras letras a questão da Educação Ambiental para que internalização desses valores fiquem inerentes aos brasileiros como a matemática, a história e todas as matérias. Lembrando da lógica da matemática, percebe-se a lógica do seu artigo, gancho para um bom professor explorar. Acredito que só assim a ação humana será apropriada e adequada a natureza , consciência que fazemos parte dela e que somos vida juntos. Parabéns por seus escritos, são sábios e úteis à sociedade.
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#9. Denis Felix Claudio - (dennis.felix@metalconsult.com.br) Sua matéria foi brilhante. É de pessoas com atitude como voce que temos que tomar como exemplo. Parabéns. Atenciosamente Dennis Félix Claudio Planejamento Metalconsult Projetos e Consultoria Ltda. (031) 3441-0540 - Fax 3492-3355 dennis.felix@metalconsult.com.br |
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#10. Elizabeth Bonomi - (bethbonomi_2008@globo.com) Muito feliz a matéria escrita por Madalena, uma pessoa de altamente capacitada para dizer sobre tal assunto. Madalena você sabe o quanto eu a admiro e vejo a sua luta pelo meio ambiente você sempre sábia e dando-nos conselhos e abrilhantando com seus escritos. Um grande abraço bethbonomi_2008@globo.com
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#11. Maria de Lourdes Bahia - (lulude@gmail.com) Parabéns! Espero que todos ao lerem este artigo façam uma reflexão, afinal todos temos nossa parcela de responsabilidade.....
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#12. Luisa França - (luisabahiafr@hotmail.com) Adorei a matéria, principamente o alerta ao fato de que hoje TODAS as classes sofrem com esta falta de consciência.
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#13. Thomaz Ferreira - (TCBAHIA@senado.gov.br) Este artigo trata da mais pura e concreta realidade brasileira é um alerta do que esta acontecendo e do que pode ser feito em matéria de conscientização para assim podermos evitar perdas humanas, materiais e ambientais. O homem tem que se conscientizar que a natureza faz parte do seu meio e não simplesmente uma coisa a ser explorada com demasiada falta de coerência e irresponsabilidade se esquecendo que certas ações podem no futuro próximo trazer conseqüências graves ao mesmo.
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#14. Dulcinea Mattar - (dulcineamattar@hotmail.com) Querida Madalena, você expressou brilhantemente o que vai no coração de milhões de pessoas que estão conscientes da necessidade de medidas urgentes para com o nosso meio ambiente. Nosso planeta clama por harmonia e estamos em alerta. Parabéns
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#15. Suzely Ortênzio - (suzely@hotmail.com) Este problema de chuva, "lixo" e "bocas-de-lobo" entupidas merece atenção especial tanto por parte da população e, principalmente, das autoriades, por se tratar de um assunto sério! As consequências têm sido devastadoras na maioria das médias e grandes cidades do país. Quantas vidas têm sido ceifadas pelas correntezas nas épocas de chuvas! A autora, cuja sensibilidade conheço bastante, retrata a situação muito bem em seu artigo. Merece ampla divulgação. Cumprimento à autora e ao jornalista João Carlos Amaral, um reporter de raça!
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#16. Ademir Fialho - (coame@coame.com.br) 1) Madalena, excelente !!! 2) Só não gostei da frase: "O povo clama contra a natureza" 3) Darci Ribeiro um dia me disse: "Ecologia é comer três vezes por dia" Pense na profundidade. Abraços, Ademir Fialho
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#17. Tania Elizabeth - (tania@encontrar.com.br) E uma agonia perceber que esta luta contra a sujeira e a favor do meio ambiente parece sempre ser um grito solitário em meio a uma multidão de surdos imparciais e coniventes. Acho sempre que o que impera é a preguiça e o desleixo. Mas façamos a nossa parte. Parabéns, pelo seu trabalho. Abraços Tânia
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#18. Plinio Melo - (plinio@mongue.org.br) Aproveitando o excelente gancho da nossa colega, que tao bem adverte sobre problemas ambientais,deixo o meu apelo. Olá colegas, amigos, estudantes, empresários, politicos e pessoas em geral que se preocupam com nosso Meio Ambiente e com as próximas gerações. Estão em curso uma centena de novos projetos de infra-estrutura no Estado de Sao Paulo, porém quase todos eles sem os devidos requisitos ou cuidados com o equilibrio ecológico. Nossa Mata Atlantica, nossos rios, nosso litoral, nosso ar e nossa biodiversidade estão severamente ameçadas e correndo sério risco de desaparecem por completo. Também nossa gente, nosso povo esta mais uma vez relegado á segundo plano, pois a sociedade novamente esta sendo excluida das formulações das politicas públicas que nos afetam diretamente e afetarão demais a vida de nossos filhos e netos. Para evitar que estes projetos sejam aprovados na forma em que estão, e que possam ser melhor examinados por todos nós, sociedade paulista e brasileira em nosso pleno exercicício de cidadania, estamos convocando voce, para vir conosco (Movimento Ambientalista do Estado de São Paulo), às ruas, no dia 12 de Março de 2008, as 10:00 Ato público em manifesto à licença prévia que o IBAMA concedeu ao projeto do grupo Votorantin/CBA para barrar o Rio Ribeira (um dos últimos rios de grande porte do Brasil ainda não barrado) para a construção de uma Usina Hidroelétrica particular que irá apenas servir ao grupo Votorantin. Milhares de Hectares de Mata Atlantica serão inundados, cavernas e vilas de povos tradicionais também. Isto tudo para apenas enriquecer um grupo trilionário. Local: IBAMA/ER São Paulo - Alameda Tiete, 637 Organizadores deste evento MAB - Movimento dos Atingidos por barragens ISA - InstitutoSocioambiental Apoio - ONG's do Estado de São Paulo 14:30 Audiencia na Comissão de Defesa do Meio Ambiente na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo - ALESP. O Secretário Estadual de Meio Ambiente, Francisco Graziano, estará presente. Local: ALESP - Av. Pedro Alvares Cabral, 201 - (em frente ao Parque do iBirapuera) 18:00 Reunião do movimento ambientalista do Estado de São Paulo para definir as estratégias para a região de Peruíbe e Itanhaém. PORTO BRASIL NÃO, PERUÍBE SUSTENTÁVEL SIM! Local: ALESP - Auditório Teotônio Vilela Não somos contra o progresso. Só não queremos um progresso À qualquer custo social e ambiental e queremos que sejam estudadas todas as alternativas possíveis e que o desenvolvimento sustentável seja o grande objetivo das políticas públicas e dos investimentos das empresas privadas. Participem conosco nesta jornada ambientalista. Assinam este convite praticamente todas as ONG's ambientalistas do Estado de São Paulo, assim como diversos movimentos populares e socioambientais. Não serão relacionadas pois cometeríamos injustiça ao esquecer de muitas. | #19. Joao Lincoln de Almeida - (jlincoln@superig.com.br) Mag, somente hoje posso responder. No entanto, na data certa li a sua matéria e como sempre gostei muito. Parabéns. João Lincoln
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Domingo, Março 16, 2008
ARTIGO ESPECIAL - CORRUPÇÃO: PRAGA NACIONAL - enviado ao nosso BLOG DE NOTÍCIAS pelo executivo WAGNER GOMES, que atou como Superintendente do Branco do Brasil em Minas. E que hoje preta serviço de consultoria empresarial em São Paulo. É PRÁ LER e PENSAR!

Wagner Gomes
Corrupção, palavra derivado do latim "corruptus", significa quebrado em pedaços, apodrecido, pútrido. Suborno ou propina são as mais comuns, valendo-se do tráfico de influências.
Nepotismo, extorsões, compra e venda de sentenças judiciárias, recebimento de presentes de alto valor por autoridades, também elencam sua lista. Quando ocorre a corrupção política, objetivando-se transferir o que se chama de "nosso dinheiro", obtido através dos impostos, taxas e tributos que pagamos, caracteriza-se uma transferência do bem público, de maneira criminosa, para indivíduos que se especializam na montagem de quadrilhas visando lesar o erário.
Quem assim age, desrespeita as leis no exclusivo intuito de obter vantagens pessoais de forma ilícita, praticando crimes contra a sociedade como um todo. Esse fenômeno existe aqui e em qualquer parte do mundo. Não se trata de uma exclusividade brasileira.
Mas onde quer que ocorra, ele deve ser combatido com todas as armas, visando abortar essa praga que aniquila com a alma de uma nação, pois ela gera mudanças de políticas públicas, a ponto de direcionar investimentos para áreas em que as propinas sejam maiores que as conseguidas através de projetos de sáude e educação, por exemplo.
A corrupção se manifesta, pois, em dois níveis: ativo (que suborna e paga) e passivo (que é subornado e recebe vantagem ilícita, em dinheiro ou o que seja mais conveniente).
Recentemente, o Banco Mundial fez uma pesquisa e concluiu que a corrupção no Brasil aumentou. Honestamente, não confio nessa pesquisa. O País tem, demonstrado uma enorme disposição de combater, principalmente, o crime do colarinho branco, tornando o seu praticante alvo de uma visibilidade impressionante.
A Polícia Federal tem desenvolvido práticas de investigação dignas de primeiro mundo, e apresentado resultados que desmontam esquemas seculares arraigados na antiga cultura do jeitinho brasileiro.
Exemplos são fornecidos a todo momento de que a sociedade não mais permite uma postura leniente de nossos Governantes. A qualquer suspeita de que o pretendente de um cargo público seja corrupto, ele praticamente já está vetado para ocupá-lo, e quando ocorre que assume o posto, logo em seguida surge uma saraivada de denúncias que ou ele desiste ou o convidam a desistir do cargo que passou a ocupar.
Passa quase a ser estigmatizado como um atentado aos novos tempos, à uma nova ordem que tenta se impor. Por tudo isso, e com a recente criação da Super Receita e da Controladoria Geral da União, percebe-se claramente uma evolução notável nas últimas décadas.
Por incrivel que pareça, Fernando Collor de Mello deu o primeiro passo ao tornar o cheque, acima de cem reais, exclusivamente nominal. A Lei de Responsabilidade Fiscal foi, também, um importante passo, nesse sentido. E a evolução do sistema bancário, com os Docs, Teds e outras transferências eletrônicas está a infernizar a vida dos corruptos, que se tornam facilmente desmascarados.
Esse bom combate está se tornando uma questão cultural e vem sendo introduzido, subliminarmente, em nosso cotidiano de maneira francamente progressiva. O consciente coletivo está se formando mais ou menos assim:
"Muitos caracteres psicológicos das multidões lhes são comuns com indivíduos isolados ; outros, ao contrário, só se encontram nas coletividades. O fato mais importante apresentado por uma turba psicológica é o seguinte: quaisquer que sejam os indivíduos que a compõem, por muito semelhantes ou diferentes que possam ser o seu gênero de vida, as suas ocupações, o seu caráter ou a sua inteligência, só o fato de serem transformados em multidão dota-os de uma espécie de alma coletiva.
Essa alma os faz sentir, pensar e proceder de uma maneira diferente daquela pela qual sentiria, pensaria e procederia cada um deles isoladamente. Certas idéias, certos sentimentos só surgem ou se transformam em atos nos indivíduos em multidão." Dr. Gustavo Le Bon (1841-1931), in "Psicologia das Multidões".(1841-1931).
É bem verdade que, no campo da justiça propriamente dita, as punições nao têm acompanhado as descobertas. Sempre existem firulas jurídicas capazes de procrastinar resultados.
No entanto, a repulsão pública tem cuidado de blindar a sociedade, ao varrer da vida política os seus maus agentes. Mesmo que eles não estejam prestando atenção no povo, o povo está prestando muita atenção neles, notadamente com relação ao seu compartamento no passado.
E nas próximas eleições, esse fenômeno estará, mais que nunca, no inconsciente coletivo. "Alea jacta est".
Comentários |
#1. Heloísa Netto de Castro - (heloisanetto@terra.com.br) Wagner, Muito bom seus comentários sobre corrupçâo, todavia, gostaria de levantar que não são apenas firulas jurídicas que proporcionam impunidades, há ,salvo melhor juízo,absurdos no legislativo que tomam todo o tempo da Câmara e do Senado,.CPIS acumulam evidências da existências de quadrilhas, desvio à rodo de dinheiro e no entanto os relatórios são arquivados Paira a impunidade no berço expledido. Continue proporcionando-nos seus excelentes artigos Abraçâo Heloisa Netto
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#2. Renato Aleixo de Oliveira - (renatoaleixocapitao@gmail.com) Dirijo-me a este jovem, chamado Wagner, que presta grandes serviços à sociedade brasileira, como diretor e conselheiro de instituição finaceira, como amigo, como primo, como cidadão. Seus artigos são interessantes e merecem nossa reflexão. Parabéns! Lendo o mesmo parei para, em alguns minutos me orgulhar da Instituição da qual integro, o Exército, de onde essa prática, corrupção, inexiste. Graças a Deus ainda tem instituições no país que prezam pelo bem de nosso povo. Contineu a escrever e publicar seus conhecimentos a fim de nos possibilitar mais informações e cultura.
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Sexta-feira, Março 14, 2008
MEMóRIAS DE REPóRTER de TV!!!
Daqui a um ano lançaremos o livro " Memórias de um Repórter de TV". Semanalmente vamos escrever os textos do futuro livro. Você que acessa nosso BLOG DE NOTÍCIAS tem a oportunidade de ler cada página em primeira mão aqui no nosso espaço. Confira!
ARTIGO ESPECIAL
MEMÓRIAS DE UM REPÓRTER DE TV João Carlos Amaral.
Nas várias vezes que o ex-governador do Rio, Leonel Brizola veio a Minas nós estávamos lá o entrevistando, como repórter da Rede Globo. Nos palanques, nas coletivas animadas e engraçadas, cheias de ironia que só Brizola sabia dar, nós acompanhávamos cada gesto, cada detalhe. "O velho caudilho", como era conhecido entre nós, jornalistas de política, não deixava pedra sobre pedra, quando se tratava dos adversários e/ou até mesmo inimigos políticos.
O curioso é que na maioria das vezes que acompanhamos as entrevistas coletivas do ex-governador Brizola, a matéria não ia para o ar na Rede Globo. Como assim? Era o seguinte: Brizola não perdia a oportunidade de estocar o saudoso dono da Globo, dr. Roberto Marinho. É que Brizola não conseguia esconder, e nem fazia a menor força para esconder sua mágoa, com os Marinho, a quem ele atribuia má vontade na eleição dele ao governo do Rio de Janeiro, que gerou o caso Proconsult - que os fatos da época registrados pela mídia, diziam que a Globo tentou ajudar numa suposta manobra para retirar de Brizola a eleição ( verdade ou não, é o que crônica política registrou à época).
Daí, sem mais nem menos, Brizola no meio de uma declaração saía com um comentário maldoso sobre a Rede Globo e o dr. Roberto Marinho. Nós, como repórter Político da Rede Globo, ficávamos de saia justa, sem o que dizer. Segurávamos firmes o microfone e não arredávamnos pé, sempre com o coração na mão, constrangidos, sem poder nada dizer. Cumpriámos a nossa missão, já pensando: como é que o editor vai dar esta entrevista falando mal do dono da casa? Eram tempos difíceis. E mais, acabava a coletiva e os colegas da mídia sempre provocavam: o governador Brizola disse que a Globo não vai por a entrevista no ar. E aí, João Carlos? ...
Lembro-me uma dessas entrevistas. Foi no Auditório da Assembléia Legislativa de Minas. Lá estávamos nós. Como era uma coletiva daquelas formais, colocamos os mcrifones na mesa, lotando a frente do ex-governador Leonel Brizola. Recebí a orientação só para gravar. Não fazer nenhuma pergunta para não provocar nenhum dos corriqueiros comentários maldosos de Brizola sobre a Globo. Tudo ia bem.
De repente, a repórter do jornal O Globo, nossa colega Sulamita, se levanta, pega o microfone colocado à disposiçao dos repórteres. Se identifica e pergunta: dr. Brizola, o presidente Sarney disse que desta vez a economia vai deslanchar. Como é que o sr. analisa a fala do presidente da República?
Olha minha filha - disse Brizola irônico, com sua fala arrastada - nessa nem o dr. Roberto Marinho acredita! E emendou: mesmo ele sendo o principal avalista do governo Sarney! Reação imediata: a repórter de O Globo focou vermelha, sem o que dizer. E como eu era o repórter da TV Globo na coletiva, todos olharam em minha direção, inclusive o ex-governador Brizola, que emendou: olha quero ver você colocar está no ar! e riu...
Foi a maior saia justa que já vesti, sem querer é claro! Enfirei o rabo entre as pernas, como se diz aqui em Minas, peguei a equipe e mais uma vez, jurei para mim mesmo: quando eu sair da Globo foi contar este episódio. Confesso que fiquei com raiva do dr. Brizola, mas entendí, Como dizia o presidente Tancredo Neves, " POLÍTICA NÃO É PARA AMADOR", é preciso ter estômago.
Pensei: é mesmo, político e repórter político também! E como a briga era "entre cachorros grandes", peguei a fita, coloquei debaixo do braço e levei para nossa redação, ainda na rua Rio de Janeiro no bairro de Lourdes, aqui em Beagá.
Brizola foi "profético": a entrevista, é claro, não foi para o ar. Mas a fita foi gerada na íntegra para o alto comando da Rede Globo no Rio de Janeiro, para conhecimento dos chefes. Hoje, com internet, os Blogs, os E-mails, como como é que seria a reação dos formadores de opinião? E mais: reconheço que se eu fosse o dono da Globo não tinha como colocar no ar uma entrevista ofensiva e, digamos, gratuita, movida pela raiva - justificável ou não - não sei, do dr. Brizola. Ficou para mim a lição: sem sangue frio, sem ética, sem coragem de suportar saias justas não dá para ser repórter, muito menos de TV.
Faço este registro, para dar uma fotografia da época. Mostrar o estilo de um político, em um mundo sem globalização, sem rede mundial de comunicação. De um mundo sem Internet, E-mail, sem You Tube. O fax tinha acabo de chegar ao mercado e as duas rádios que eram porta-vozes das duas maiores nações do planeta eram a Voz da América, em Washington e a Rádio Moscou em Moscou, em plena guerra fria. Um registro histórico, que só ficou na minha memória e dos josrnalistas e políticos - muitos já mortos - que estavam naquele auditório da Assembléia Legislativa naquela tarde longinqua dos idos de meados dos anos 80.
EM TEMPO: a fita com a coletiva de Brizola, certamente, está nos arquivos da Rede Globo no Rio de Janeiro. E um dia, quem sabe, vai virar história, de um tempo que ensaiva a democracia, haviam só quatro canais de TV no País, com a Globo absolutamente na frente e, nós repórter políticos ensaiavamos os primeiros passos na carreira. Uma vitrine - a Globo era e ainda é - fundamental para um jovem que buscava a fama, o reconhecimento. É como disse Fernando Pessoa;" tudo vale a pena se alma não é pequena". E a minha era grande! A nossa paciência bem maior. Mas, valeu a pena!
Comentários |
#1. Renato Alves - (renatoalvesp@yahoo.com.br) João Carlos,
Parabéns pela iniciativa do livro.
Seu Blog é formidável e de leitura obrigatória. E tem um grande detalhe a leitura é ao longo do dia devido as suas constantes atualizações.
A idéia do livro "Memórias de um Repórter de TV" é fantástica. E a oportunidade de ler cada página no seu blog antes de editado é sensacional. O livro depois de publicado terá lugar especial na estante.
Vamos aprender com seus ensinamentos nesse futuro livro. Ensinamentos de quem vivenciou a época anterior, quase sem tecnologia, e vivencia a atual com as evoluções tecnológicas no meio político. Fazendo parte dele como profissional de extrema competência, lisura e sabedoria.
Abraços,
Renato Alves
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#2. Onofre Ferreira do Prado - (of.prado@bol.com.br) Caro amigo jornalista João: Parabéns pela obra "Memórias de um Repórter de TV" que você vem escrevendo com categoria e, que em breve será editada e disponibilizada ao leitor. Tenho certeza que será muito bem recebida, com amplo reconhecimento e sucesso de público.
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Domingo, Março 23, 2008
ARTIGO ESPECIAL: "Memórias de um Repórter de TV". Uma pílula que vai compor nosso livro e que você tem a oportunidade de ler em primeira mão.
Praça da Estação, em BH. Eleição presidencial de 1989. Era começo da noite. Como repórter político da Rede Globo, lá estava eu participando e ajudando a fazer história da democracia em nosso país.
No palanque estava todo o batalhão de choque do PT, tendo à frente seu comandante, o ex-operário pernambucano Luiz Inácio Lula da Silva. Era um momento importantíssimo para os rumos da campanha,afinal Minas era e é, o segundo maior colégio eleitoral do país,à época com mais 10 milhões de votos. Tudo ia bem.
De repente, uma supresa, que ia ajudar a mudar todo o roteiro da campanha presidencialdaquele ano. Foi assim: recebí um recado, via rádio (celular ainda era um produto que não existia). O recado era do diretor de jornalismo, Lauro Diniz. Pedia que repercutisse com om candidato Lula, a denúncia, que o seu adversário Collor de Melo mostraria no horário eleitoral - onde a ex-namoada de Lula, Míriam Cordeiro dizia que tinha uma filha com Lula, a LURIAM.
Fiz a pergunta ao candiato petista. Lula ficou perplexo. Se recompôs, tentou argumentar que era um golpe baixo de seu adversário, uma apelação covarde... O restante da fala não me recordo mais. Só o que ficou daquele momento histórico, que acabou pesando e muito para a derrota de Lula, foi expressão do rosto dele. Refletindo a amargura que se instalou na alma dele. Raiva, decepção, perplexidade, revolta... Um estado de espírito que prevaleceu na campanha e que culminou no debate com Collor pela Globo no final da disputa, antes da eleição.
Olha bem, Lula chegou para o debate decisivo -já que a Globo detinha a audiência de 80 milhões de pessoas - parecendo ausente, titubeante em muitos momentos e com a cabeça no outro mundo. O mundo psicológico. Mundo abalado pela denúncia de Míriam Cordeiro.
Estava tão preocupado,traumatizado, que não ouviu e nem rebateu a fala de Collor, que o acusou de ter adquirido um aparelho de som muito caro,que nem ele, Collor tinha recursos para comprar. Perplexidade geral! Lembram-se? Pois é. Ele poderia -diriam os chamados "profetas do fato consumado" - como Brizola fazia. Chamar o candidato do PRN, Collor de Melo, de "filhote da ditadura".
E dizer mais. Afinal era Collor e não ele Lula que tinha origem pobre. Pois é: Lula ficou doladoruim da espingarda - como diz meu amigo o cientista político Carlos Alberto Penna - enão conseguiu reagir. O trauma não deixou. Lula perdeu a eleição - é claro que não só por causa disso - mas que pesou, ah! pesou.
Conclusão: como repórter tenho a obrigação profissional de contar aquilo que ocorreu nos bastidores, que não coloquei no ar e que morreria comigo.Mostrar que era uma outra época, com pouca tecnologia e bota pouca nisso. O jornalista não contava com celular, notebook, blog de notícias.
O espelho só tinha uma face. Nos restava a memória seletiva que se perde com o tempo, que levamos para o túmulo. Afinal,o repórter é apenas um coadjuvante, uma escada para que os poderosos cheguem à população. Mas, o sentimento dele é um fato, que só fica na cabeça dele. Aqui passo o que ví e ouví de um flash da nossa democracia que começava a se firmar lá pelo começo dos anos 90. É isso!
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Quarta-feira, Julho 30, 2008
ARTIGO ESPECIAL.
Enviado pelo consultor empresarial Wagner Gomes. Ele fala sobre " ECONOMIA & ELEIÇÃO "
Economia e Eleição

Wagner Gomes
Em um primeiro momento, líderes mundiais tentaram atrelar a inflação, que está subindo no mundo inteiro, ao etanol brasileiro.
Aquela entidade difusa, conhecida pelo pomposo nome de "agentes econômicos", tenta descobrir a causa desse fenômeno que se alastra, puxado pela alta nos alimentos. Há cem anos acabava-se o ciclo do carvão e iniciava-se o ciclo do petróleo como motor da economia.
Estamos no limiar de uma nova era, e o petróleo tende a ser substituído por mais de uma fonte de energia. Seguramente o biocombustível será uma delas. Por esse motivo, partindo de falsas premissas, pensam os líderes mundiais que o crescimento da área agricultável para atender essa nova demanda ocorre em detrimento de que se plantem mais alimentos.
A alta do petróleo, fator determinante na formação dos custos de todo e qualquer produto que precise ser escoado, é a verdadeira razão de que a inflação esteja se alastrando pelo planeta. Internamente, a oposição explora, de maneira inocente, que a inflação seja um fenômeno exclusivamente nacional.
E essa estratégia reside no fato de que as eleições municipais deste ano constituirão um ensaio geral, quase uma preliminar, para 2010. Por mais que neguem, os partidos políticos e os candidatos só pensam nisso.
É como se fora uma batalha global, onde cada um dos generais-candidatos posta seus exércitos estrategicamente, visando a grande batalha que se avizinha no horizonte. Se por um lado o Presidente se posta fortalecendo a aliança governista, por outro deixa bem clara sua condição de grande eleitor, a exemplo do Cardeal Camerlengo na condução da sucessão de um papa.
Ainda que no primeiro turno ele pose de magistrado, no segundo turno haverá sempre um palanque rogando a sua presença e em não a conseguindo, apregoando sua orfandade. Vejamos seus movimentos:
em São Paulo costura a adesão do PC do B a Marta Suplicy, fazendo de Aldo Rebelo o seu vice.
Em Belo Horizonte, não se tem dúvida de que liquida a fatura no primeiro turno e explicita sua simpatia pela aliança de Aécio Neves com Fernando Pimentel.
No Rio, anotem: tão logo o quadro se delineie adotará, sem rodeios, aquele que sempre quis - Marcelo Crivella.
E desta forma procederá por todo o País, com o claro objetivo de conquistar o máximo de prefeituras, fazendo-as serem ocupadas por políticos que integrem a base aliada. Se conseguir o seu intento, estaria derrotando a dupla dinâmica, tal qual Batmam e Robin, nesse caso DEM e PSDB.
A única exceção que foge a essa regra e, por isso mesmo está na alça de mira do PT, é o indisfarçável namoro do Presidente Lula com o Governador Aécio Neves.
Esse quadro tem deixado a oposição sem norte e o próprio PT ressabiado. Não por outro motivo, a oposição, quando consegue uma paz, ela se forma nos moldes da que ocorreu em São Paulo.
As turmas de Alckmin e de Kassab dentro do PSDB firmaram um armistício. Dez dos doze vereadores tucanos não compareceram na convenção, pois estavam reunidos em local diferente torrando o candidato da unidade do PSDB, que àquela altura estava sendo ungido.
Ainda assim, essa rixa certamente vai respingar no Governador José Serra.
E não será surpresa se, no futuro, o DEM partir para uma candidatura solo à Presidência da República, em função desse racha e dessa rixa.
A fogueira das vaidades oposicionistas pretende ser alimentada pelo fogo da inflação. Só que, cada vez mais, a inflação se torna um problema mundial. E no Brasil, O Presidente Lula dá todo poder ao BACEN, onde o seu mandatário Henrique de Campos Meirelles tem-se mostrado um xerife implacável.
Com isso fica distante o quadro ansiado pelos que pretendem retornar ao poder, qual seja: inflação acelerada até 2010, corroendo a popularidade do Presidente Lula.
Caso necessário se faça, agravando-se o cenário, há indícios de que medidas serão tomadas, de tal forma que a economia entrará novamente nos eixos a tempo da mãe de todas as batalhas, que será a de 2010...
Encontrar a linha do equilíbrio e bem conduzir a economia, enquanto se intercalam duas eleições, forma a equação do sucesso político.
E isso os oponentes já se deram conta. Enquanto isso, um aumentozinho de 8% no valor do Bolsa Família aquece a popularidade do Presidente, ao tempo em que turbina a intenção de votos em seus candidatos.
Ainda que bote uma lenhazinha na inflação interna ...
Comentários |
#1. Marcelo Reis Blogueiro João Carlos e Articulista Wagner Gomes: Por quais razões deixaram de nos brindar com artigos deste nível? Ainda bem que estão de volta. Nós leitores, agradecemos. Marcelo Reis
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#2. João Batista Gimenez Gomes Que artigo lúcido, em termos econômicos e políticos. Lucidez dígna de que o escreve: executivo altamente preparado e com elevada sensibilidade.
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#3. C.Paiva Muito bom! Analise profunda e ao mesmo tempo simples. Parabens. Carlos A.C.Paiva
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#4. mauro machado borges Prezado Wagner: como sempre, leio seus artigos com muita atenção e interesse, não sómente pelo conteudo,mas principalmente, pela objetividade, clareza e argumentos sólidos, baseados em fatos insofismáveis. Continue com seus artigos que além de esclarecedores são, sobretudo, coerentes e corretos.Parabéns e o meu abraço.
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#5. Luiz C.Ortiga As observações são sensatas e procedentes. A má vontade com a alternativa do etanol brasileiro, demonstra bem um posicionamento político/econômico das grandes corporações contra os anseios do Brasil.
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#6. Adolpho Nogueira "Caro Jornalista Amaral, Feliz aquele profissional da mídia séria que tem um Wagner Gomes como seu articulista. Os comentários do Dr. Wagner são de uma consistência, de uma visão, de uma lucidez invejável. Próprio de quem foi forjado pelas lides das dificuldades, passando - e vencendo, como gestor, por planos de governo os mais audaciosos e estapafúrdios, que requereram muita técnica e sangue-frio de quem tinha a responsabilidade de administrar recursos governamentais e, por conseguinte, nossos. Parabéns, Jornalista Amaral. Parabéns, Professor Wagner."
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#7. Arthur. Jose Diniz Parabéns pela lucidez e concisão! Muito bom mesmo. Arthur. |
#9. Fabiano Oliveira Parabens Jornalista João Carlos Amaral e nosso caro Wagner Gomes. A um pela abertura do espaço e ao outro pela forma de análise e exposição simples, objetiva e clarificante!
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#10. Vera Laponez Meu Amigo! a única via é essa: 'a corrida à fogueira das vaidades oposicionistas'... Onde urge a queima dos enfadados argumentos inflacionários do então Presidente, que nunca sabe...
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Segunda-feira, Abril 7, 2008
POLÍTICA. Artigo Especial enviado ao nosso BLOG DE NOTÍCIAS pelo Administrador e Conselheiro Fiscal de Empresas, Wagner Gomes, mineiro de Montes Claros no norte de Minas.
Aécio Neves, o Peripatético...
"aquele que ensina enquanto caminha", como fazia o filósofo Aristóteles na Antiga Grécia.
 *Wagner Gomes
Não que eu tenha visões de acontecimentos futuros, mas torna-se cada vez mais interessante exercitar a criatividade, procurando imaginar como será o cenário das próximas eleições presidenciais. No nosso país, reina a perspectiva do mais absoluto inter-relacionamento de interesses pessoais, para pautar as conveniências políticas.
O que agora está na mira de nossos políticos é bombardear o instituto da reeleição. Não interessa a eles saberem o que pensa o povão de tudo isso. Já decidiram que devem encaminhar ao parlamento um projeto de lei revogando a reeleição.
Não passa pela cabeça de nenhum deles fazer um plebiscito sobre o tema. Creio que eles se surpreenderiam com o resultado. A esperteza do candidato José Serra é tanta que ao se manifestar contrário à reeleição, tenta cooptar os demais candidatos para somar esforços em diversas frentes no Congresso, defendendo um único mandato de cinco anos.
Ele se julga, dentre os pré-candidatos, o mais preparado para exercer a Presidência. Com habilidade, e cacifado por ter sido o primeiro governador eleito no primeiro turno pelo voto direto no Estado de São Paulo, apresenta a tese de um único mandato sem reeleição, tentando cooptar o atual mandatário mineiro, que assim sairia para o sacrifício do confronto, com o imbatível Lula, em 2014 ou 2015, só Deus sabe.
Recentemente foi contra o renascimento da Sudene, ampliando sua rejeição no Nordeste. Ainda nesse embate, outro presidenciável, Ciro Gomes, embora possua um perfil qualificado, notadamente no ramo econômico, revela, com alguma dose de ingenuidade, uma certa incontinência verbal no campo político.
Mas é uma liderança importante, e tem excelente trânsito no Nordeste. Avesso ao José Serra, tem sido visto com freqüência em Minas Gerais. Recentemente, fala-se também na executiva do poder público, Dilma Rousseff, que vem acumulando prestígio no governo Lula desde que montou o novo modelo do sistema elétrico do Brasil, visando garantir o suprimento de energia para os próximos anos.
Muitos asseguram que a ministra é uma pessoa enérgica, mas aberta a discussões. Por isso mesmo, o Presidente Lula ensaia alguns passos no sentido de lhe conferir maior visibilidade no País. Daí a conseguir jogá-la nos braços do povo, é outra história...
Enquanto isso, comendo mineiramente pelas bordas, o Governador Aécio Neves começa a exercitar o seu peripatetismo, incorporando, ao seu modo de ser e de agir, muito do estilo de seu avô.
Além da romaria de visitas políticas que vem recebendo, tem-se apresentado, por onde anda, com um arguto sentido de medida e bom senso, sedimentando, pouco a pouco, sua ampla imagem de pré-candidato com espírito aglutinador. Por direcionar suas viagens recentes, com uma boa freqüência, aos quatro cantos do País, daí extraio minha comparação ao movimento filosófico denominado peripatético.
E o governador mineiro vai ter que ensinar ao Brasil que ele, efetivamente, possa se tornar a melhor opção na sucessão do Presidente Lula, com um estilo acessível a todos os eleitores.
Vem disparando recados aos aliados tucanos e ao mundo político. A aliança com o PT das alterosas, mais que algo doméstico, revela ao País a velha raposice mineira e escancara à Nação a verdadeira dimensão de dois de seus grandes líderes atuais, que assim demonstram enxergar que o PT e o PSDB possam se encontrar antes do infinito. Notem que essa aliança se dá em torno de um nome ligado ao ex-ministro Ciro Gomes.
Não precisa ser nenhum futurólogo para enxergar no Prefeito Fernando Pimentel um potencial candidato ao Governo de Minas em 2010, com o apoio de Aécio, que receberia, em reciprocidade, o apoio do PT à Presidência do Brasil.
Resta cooptar para essa engenharia política o maior líder do PT mineiro, Ministro Patrus Ananias, que tem a gravitar por sua volta, extensa densidade eleitoral. Estimulou Geraldo Alckmin a sair candidato a Prefeito de São Paulo, opondo-se ao que pretendia o Governador José Serra.
Costurou, sem alarde, a vitória de José Aníbal que, ao se tornar o novo líder da bancada tucana, interrompe anos de domínio da ala serrista na Câmara.
Outro recado, já transmitido, sem tergiversação, é o de que, caso se sinta obstacularizado, deslealmente, em seu partido, outra via partidária surgirá naturalmente. A mineiridade que herdou de seu avô (ou seria a mineirice?), não lhe permite dar murro em ponta de faca.
Sua imagem de jovem dinâmico e manhoso ao mesmo tempo, soma-se à de excelente administrador, e isso já vem despertando o interesse de sagazes líderes políticos, a exemplo de Lula, Delfin Neto, Michel Temer e do próprio Ciro Gomes, que vêm nele enxergando o Admirável Homem dos Neves.
E o governador mineiro não é de atropelar calendário. Por isso mesmo, como diria o já velho Presidente Collor, o tempo é o senhor da razão.
Assim, Aécio Neves, com mais potencial de crescimento nas pesquisas de intenções de voto, enxerga que as prévias para a escolha do candidato do PSDB tendem a se materializar, beneficiando a coerência de se tentar viabilizar como candidato por seu próprio partido.
E em Minas, fincada no Sudeste, pode estar sendo germinada aquela que seria a solução síntese para a Presidência do Brasil, em 2010, ano em que se comemorará o centenário de nascimento de Tancredo Neves.
A propósito, se algum dos senhores ainda não digeriu o termo peripatético, informo-lhes que significa, grosso modo, aquele que ensina caminhando. O termo surgiu do hábito dos mestres (professores) da época da Grécia antiga de realizar, com seus estudantes, discussões enquanto passeavam.
Então, metaforicamente, ouso substituir mestre por candidato, e estudantes por eleitores. Só falta agora ao candidato Aécio passear bastante pelo País. E discutir suas idéias com os eleitores.
Comentários |
#1. Marco Antonio - (mamsr@uai.com.br) Também torço para que o Aécio seja o próximo Presidente do Brasil ´,pricipalmente pela ética com que conduz sua trajetória política...Em quase 6 anos, ainda não tivemos um escândalo em Minas Gerais, o que convenhamos, não é comum no Brasil de hoje. Penso, entretanto, que há um longo caminho a percorrer....Acho ,inclusive que nosso Governador tem andado pouco pelo Brasil.Ele tem que se mostrar mais, sem cair no risco de uma exposição extemporânea e excessiva.Vamos torcer para que tudo dê certo!!!
Parabéns pelo excelente artigo.#2. Marcelo Reis - (Email não informado) Vi seu artigo e depois ele sumiu. Muito bom como sempre. Parece que voce vive e respira política, para estar por dentro de tantos detalhes. Parabéns. E dá-lhe Aécio.
#3. Mário Alaor - (marioalaor@yahoo.com.br) Parabens pelo artigo, o assunto foi muito bem delineado.Todavia, acho muito dificil a viabilização da sua candidatura pelo PSDB. Acredito que ela possa ocorrer pelo PMDB com apoio de Lula.
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#4. J. Sant ' Ana - (Email não informado) Wagner, Li o seu artigo no blog e o vi no Hoje em Dia. Parabéns mais uma vez. A cada artigo você se supera. Foi uma análise perfeita da situação política atual. Um abraço, Sant'Ana
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#5. Érico - (ecfurtado@terra.com.br) - (Email não informado) Suas qualidades de administrador e escritor já estão consolidadas e plenamente reconhecidas, mas, nesse artigo, nosso estimado Wagner Gomes revelá-se um exímio analista polítio. Parabéns!
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Sábado, Abril 26, 2008
Para LER e PENSAR!!!
ARTIGO ESPECIAL escrito pelo nosso amigo, o dr. Willer Pós, diretor de Meio Ambiente da Anglogold Ashanti. Vale observar os detalhes das informações e das argumentações da mente brilhante do dr. Willer sobre um assunto que mexe lá no fundo de nossas consciências. Vale conferir!.
MEIO AMBIENTE, PRESERVATIVOS E POLÍTICAS PÚBLICAS.
*Willer Pós
Freqüentemente, e até por dever de ofício, o governo anuncia ações nas mais diversas áreas de interesse público. Entretanto, seja na área de segurança, educação, infra-estrutura ou saúde pública, raramente se observa nas iniciativas governamentais a interface com a vertente ambiental. Na verdade, a área ambiental ainda é vista muito mais como um setor agregado, no qual se dificulta e burocratiza os processos de implementação de projetos das áreas pública e/ou privada.
Uma gestão integrada com o meio ambiente traz ganhos patentes para a sociedade. Dois bons exemplos disso são as políticas de limpeza pública, em que a orientação para reciclagem faz do Brasil um dos países que mais são reciclados plásticos e metais no mundo e, as ações da iniciativa privada, principalmente as mineradoras, mesmo em minoria, que implementam açòes na área de educação ambiental, com trabalhos realizados junto às escolas públicas locais.
Na área de saúde pública, o descompasso com a área ambiental é marcante. Um dos exemplos mais flagrantes da desvinculação com as questões ambientais está associado às campanhas contra a Aids e doenças sexualmente transmissíveis (DST). Desde 1985, tem-se preconizado que a melhor arma contra a contaminação pelo HIV, uma vez que a abstinência é impensável, é o uso de preservativos. Só no Brasil, dados preliminares demonstram que cerca de um bilhão de unidades de preservativos foram usados em 2003. A esse dado se computam a distribuição gratuita do governo, ONG's e vendas no varejo. As vendas são responsáveis por mais de 50% dessa estimativa. Segundo informações tomadas nos balcões de farmácias e drogarias, os preservativos são os itens, por unidade, mais vendidos.
Os EUA distribuíram próximo de 1,8 bilhões de unidades em 2003. A China, com uma população de aproximadamente 1,3 bilhões de habitantes, não só distribui preservativos, como também é um dos maiores exportadores desse artefato para o mundo. Considerando que, em média, cada preservativo pesa 3 gramas, são milhares de toneladas de borracha natural de altíssima qualidade (todo material usado na fabricação de preservativos é de grau médico) que no Brasil, não tido uma correta destinação final. E aí vai um dado interessante, no Brasil, grande parte do material usado na fabricação de preservativos vem das reservas extrativistas do Acre, onde se tem o critério da sustentabilidade como alma mater.
Entretanto, grande parte desse material acaba nas tubulações dos vasos sanitários e, conseqüentemente, nas estações de tratamento de esgoto (caso exista), criando grandes dificuldades na operação, com sensível aumento de custos. Isso tudo sem se levar em conta o potencial de contaminação já que todos os preservativos estão envoltos em lubrificantes à base de silicone e alguns até com substâncias espermicidas. Certamente, esses dados fariam Chico Mendes rolar na tumba.
A nossa grande dificuldade está na busca de alternativas para reutilização desse material. O próprio preconceito quando a esse resíduo de uso sexual dificulta qualquer política de reciclagem. Imaginem, óculos de natação ou mesmo luvas feitos com borrachas recicladas de preservativos: você usaria? Obviamente, tudo isso não passa de exercício mental. Na verdade, a mesma mídia, que sob orientação do Ministério da Saúde, preconiza com freqüência um ritual para uso dos preservativos com gestos e pessoas insinuantes, poderia, com a mesma naturalidade, orientar os usuários quanto ao descarte correto após o uso.
Outra sugestão seria a inclusão junto à embalagem de uma segunda embalagem, onde o preservativo, após o uso, poderia ser devidamente embalado e descartado. Enquanto não acham solução para este simples problema, inclusive a busca para reutilização desse precioso material, digo a borracha, milhões de preservativos continuarão sendo descarregados em vasos sanitários pelo Brasil a fora. Certamente, as várias vertentes religiosas poderão, com esses argumentos, ter mais um aliado contra este instrumento acessorio de prazer e coibição da fertilidade humana. Mas o assunto está longe de ser resolvido na esfera da justiça divina e/ou por ações de cunho moralista-religioso.
Cabe sim, ao poder publico, orientar os usuários para um descarte sadio e ambientalmente correto, com a mesma energia com que o fazem para o seu uso. E cabe, também, aos centros de pesquisas e universidades, principalmente as públicas, que, hoje em regime de latência econômica e conseqüentemente de cabeças pensantes, ser imaginativas e trazer alternativas para a sociedade. Enquanto isso não ocorre, estaremos convivendo com a visualização diária dessas "embalagens do amor" espalhadas por escuras praças publicas, dando trabalho aos varredores e operadores de estações de tratamento de esgoto. Parece que ninguém vai querer botar a mão nesse negócio.
*WILLER PÓS: O autor é PhD em Química Ambiental pela Georgia Institute of Technolog-USA, diretor de Meio Ambiente da Anglogold Ashanti para a América Latina, Conselheiro da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária - ABES-MG e Ex-Presidente da Fundação Estadual de Meio Ambiente - Feam-MG.
whpos@hotmail.com
Comentários |
#1. Murilo Prado Badaró - (murilo@engenhariaecologica.com.br) Muito bom o artigo.É redundância elogiar Willer.Parabéns e abraços. #2. celsocastilhodesouza - (celsocastilho@ccbe.com.br) Caro João.
Parabéns pela publicação do artigo do Willer.Willer continua sempre atento e atualizado, sobre as questões maiores do Brasil. Celso Castilho de Souza
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Terça-feira, Abril 29, 2008
ARTIGO ESPECIAL. O montesclarense, Wagner Gomes, consultor empresarial, nos enviou artigo sobre os 75 anos do ex-deputado e advogado Genival Tourinho, também mineiro de Montes Claros no norte de Minas.
A Linha do Tempo Wagner Gomes
"Acreditar em algo e não vivê-lo é desonesto." - Mahatma Gandhi, religioso indiano
Mário Genival Tourinho completa 75 anos em 04.05.2008. Três quartos de século, vividos por inteiro. E hoje sua imagem está sacralizada e o seu vulto paira como um dos heróis da Nação.
Só que esses heróis modernos, de tão modestos, levam uma vida bem diferente daquela de quando se projetaram e se agigantaram aos olhos de todos nós. Houve um tempo em que a brutalidade do regime militar massacrava quase toda a esquerda brasileira, principalmente aqueles que sonhavam há quarenta anos.
Neste ano, 2008, comemora-se 40 anos de 1968, o ano dourado em que nada aconteceu ou tudo aconteceu.
O ano que se tornou encantado no mundo inteiro. No Brasil, as grandes passeatas e os grandes festivais de música assustavam o regime então vigente, clamando por liberdade, culminando com a monumental passeata dos cem mil que fez o Rio de Janeiro pulsar de civismo e entusiasmo, em 26.06.1968.
Acuado, o regime de então escancarou a ditadura militar, com a edição do Ato Institucional No. 5, em 13 de dezembro de 1968. Um jovem montes-clarense, de bravura indômita, assistia a tudo aquilo com uma enorme indignação, pois era o primeiro suplente de Deputado Federal, em um ambiente propício a cassações de mandatos.
Destemido e corajoso, Genival Tourinho assume em 1969, pela primeira vez, o mandato que a suplência lhe reservava, com a fé inquebrantável de quem luta por um sonho. O ambiente era hostil, mas sua figura transcendia ao do político comum, pois desde aquela época entendia que o homem público não é aquele que orbita em torno do governo, mas sim aquele que se posta de tal forma comprometido aos anseios do seu eleitorado, aos quais ele deverá sacrificar até sua integridade física, se necessário for.
Assim, a luta contra a radicalização política brotada em 1968 se tornou o ponto de partida de Genival, e a principal bandeira de toda sua trajetória pública. Esse homem sem medo sacrifica sua própria reeleição em 1970, para pregar abertamente a campanha "Anule o Seu Voto" em represália aos anos de chumbo.
Por tudo isso, sua imagem se fortaleceu e ele retoma a vida parlamentar em 1974, seguindo sua cruzada em defesa da abertura política e da anistia geral, ampla e irrestrita.
Segundo relatos daquela época, tal qual um paladino, botava a boca no mundo, denunciando ameaças à integridade física de diversos políticos, a exemplo de Brizola e Juscelino, aos quais sempre defendeu.
Reconhecido e respeitado, sua fama extrapola e chega ao exterior como um dos ícones que imaginavam um Brasil e um mundo mais justos, menos violentos, mais democráticos e livres. Ganhou de vez a antipatia do regime ao denunciar a Operação Cristal, acusando o General Bandeira - um militar polêmico, de instigar a colocação de bombas nas bancas de jornais e na OAB -, com quem, corajosamente, travou áspera discussão, ao afirmar que o mesmo havia perdido sua capacidade de saber diferenciar entre o que é autêntico e o que é fraude.
As denúncias incluíam, ainda, o nome do General Milton Tavares (São Paulo). Claro que, nessa luta, Genival não estava sozinho. Muitos brasileiros ilustres também pressionavam de suas tribunas pela abertura.
A certa altura, por volta de 1980, Golbery do Couto e Silva, rendendo-se às evidências, sentenciava que a abertura só estava sendo possível após a divisão da frente oposicionista. Centrando forças na liquidação de movimentos grevistas, dizia ser necessário coibir manifestações agressivas e impróprias (referindo-se aos parlamentares).
E em lugar de atender a chamada ala dura do regime, apela para o caminho da "lei e da justiça que foram instituídas pelo governo militar". Assim, enquadram o atual Presidente Lula na Lei de Segurança Nacional por ter comandado a greve metalúrgica de março de 1980 e Genival Tourinho por "ofensas" às Forças Armadas, imaginando deixá-lo sem voz. Posteriormente, o Almirante de Esquadra Júlio de Sá Bierrenbach sacudiu o Tribunal Militar em 2 de outubro de 1981 ao votar contra o arquivamento do caso da explosão das bombas no Rio Centro, alegando que se tivessem apurado as denúncias do Genival aquele ato terrorista não teria acontecido.
Por tudo isso, Genival Tourinho merece ser festejado e homenageado. Devemos relembrar e celebrar sua luta em um tempo que se foi – mas que estará sempre presente na história da Nação -, pois ela era dirigida à memória dos irmãos que caíram e visava cessar as atrocidades denunciadas.
Sua trajetória tem inegável riqueza, e por isso hoje o reverenciamos. Saúde, Genival Tourinho! Receba, em seu aniversário, o reconhecimento de todos os brasileiros. Você nos ensinou que precisamos identificar e desarticular as redes de ilusões que se formam ao nosso redor. Deus lhe proteja e lhe faça feliz.
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Terça-feira, Maio 6, 2008
ARTIGO ESPECIAL enviado ao nosso BLOG DE NOTÍCIAS pelo secretário geral do Tribunal de Contas de Minas, Marconi Braga. Atenção prefeitos!!!
LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL: AVALIAÇÃO DOS OITO ANOS DE VIGÊNCIA EM MINAS GERAIS Marconi Augusto F. de C. Braga, Secretário Geral do TCEMG, Mestre em Administração Pública, Advogado, Economista e Prof. de Direito Financeiro. A Lei Complementar n.º 101, de 04.05.2000 – Lei de Responsabilidade Fiscal, está completando oito anos de vigência. A leitura de sua ementa mostra que, do ponto de vista do conteúdo, há o estabelecimento de normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal. Está consolidado na doutrina relativa ao Direito Financeiro o entendimento no sentido de que por gestão fiscal deve ser compreendida a relação entre receitas e despesas públicas. Em poucas palavras, a gestão fiscal responsável é a que mantém o equilíbrio dessa relação, ou seja, o equilíbrio das contas públicas. Estruturada em dez capítulos com setenta e cinco artigos, essa Lei contem orientações principiológicas que se encontram num nível de hierarquia mais elevado, bem como aquelas de menor importância, que são meramente procedimentais. Verifica-se que, mediante uma leitura atenta e cuidadosa análise, somando-se os artigos, parágrafos, incisos, alíneas e itens, na LRF há mais de 400 (quatrocentos) normas, que vão desde princípios que definem grandes enunciados e diretrizes gerais até procedimentos minuciosos de execução contábil, financeira e administrativa, que proporcionam muitas dificuldades na sua interpretação e aplicabilidade, principalmente para os quinhentos e dezoito municípios mineiros com população abaixo de dez mil habitantes. Observa-se que a Lei de Responsabilidade Fiscal, além de reforçar institutos e procedimentos de elaboração, execução e controle orçamentário, introduz na ordem jurídica, novos mecanismos de planejamento, transparência, controle e responsabilidade. Na doutrina, esses mecanismos são rotulados como fundamentos, pilares de sustentação, pontos básicos ou eixos de apoio da Lei. Como uma das condicionalidades legais estabelecidas para a responsabilidade na gestão fiscal, a transparência destaca-se como uma das principais novidades criadas pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Nota-se um crescimento nas repercussões provocadas pela atividade financeira estatal, no intuito de provocar estímulos à participação e ao controle social sobre os atos do gestor público, notadamente aqueles referentes à estruturação do processo orçamentário. Desde 2000, com o advento da Lei de Responsabilidade Fiscal esses estímulos foram viabilizados mediante a institucionalização dos instrumentos de transparência: Relatório de Gestão Fiscal (publicação e disponibilização quadrimestral ou semestral) e Relatório Resumido da Execução Orçamentária (publicação e disponiblização bimestral). Para cumprimento da determinação legal de fiscalização da gestão fiscal, o Tribunal de Contas de MG recebe, no decorrer do exercício financeiro, os referidos relatórios com dados e informações fiscais dos municípios mineiros e do Estado. Conforme decisões publicadas no Diário Oficial do Estado, tem-se que no âmbito do Executivo Estadual a regra de envio periódico dos relatórios vem sendo cumprida, nesses oito anos de vigência da Lei de Responsabilidade Fiscal. E mais, o exame do conteúdo desses instrumentos de transparência na gestão fiscal mostra que o ambiente de restrição orçamentária criado pela Lei e muito bem aplicado pelo atual Governo, permitiu eliminar a ocorrência de sucessivos déficits orçamentários, que provocavam, também, a elevação da dívida pública. Vale destacar que, em 2006, o superávit orçamentário aferido foi da ordem de R$ 81,1 milhões. A Dívida Consolidada perfazia um total de R$ 48,083 bilhões, representando um aumento de 5,06% em comparação com o exercício anterior. É de conhecimento público, principalmente pelos profissionais que atuam no campo das finanças públicas, que o aumento significativo da Dívida Pública e do Serviço da Dívida tem como causa precípua as bases do acordo firmado entre a União e o Estado de Minas Gerais, no qual o Serviço da Dívida está limitado a 13% da Receita Líquida Real e a parte que não foi paga é incorporada à principal e corrigida pelo IGP-DI, indicador de preços que apresenta um crescimento maior que os outros na economia brasileira. A pergunta que o leitor lança, nesse contexto, é a seguinte: por que o Governo Estadual se endividou e quais as razões e causas desse endividamento? Do ponto de vista macroeconômico, tem-se que o endividamento público representa um instrumento de gestão administrativa e financeira. O Governo Estadual se endividou, nas últimas décadas, para fazer face aos gastos públicos com suas atividades econômicas e financeiras. As razões para isso são os motivos e fins que o levaram a buscar os empréstimos. As causas do endividamento dizem respeito aos meios, instrumentos e ações governamentais adotados e que proporcionaram o endividamento, estando relacionados ao caráter político, administrativo, financeiro ou cultural, específico de cada Governo, naquela época. A Lei de Responsabilidade Fiscal, infelizmente, foi editada com pelo menos uma década de atraso. Se tivesse sido aprovada no final de década de oitenta, provavelmente a Dívida Pública de Minas Gerais não estaria tão elevada. Mas, o que importa é que vindo cedo ou tarde ela está em pleno vigor. E, principalmente, na sua essência dá o norte para uma boa gestão dos recursos públicos, com base nos conceitos de accountability (necessidade de avaliações posteriores das ações governamentais, pelos cidadãos) e responsiveness (respeito à vontade manifestada pelos governados). Quanto à disponibilização do Relatório de Gestão Fiscal (RGF) e do Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO) e sua remessa, via INTERNET, na data-base 31.12, ao Tribunal de Contas de MG pelos 853 municípios mineiros, verificou-se que:
- Em 2003, sessenta e seis Chefes do Poder Executivo não enviaram o RGF;
- Em 2003, sessenta e três Chefes do Poder Executivo não enviaram o RREO;
- Em 2003, noventa e um Chefes do Poder Legislativo não enviaram o RGF;
- Em 2003, três municípios extrapolaram o limite da Dívida Consolidada Líquida
- Em 2006, apenas três Chefes de Poder Executivo não enviaram o RGF;
- Em 2006, apenas três Chefes de Poder Executivo não enviaram o RGF;
- Em 2006, todos os Chefes de Poder Legislativo enviaram o RGF;
- Em 2006, um município extrapolou o limite da Dívida Consolidada Líquida.
A situação apresentada acima mostra que no decorrer desse tempo de existência da Lei de Responsabilidade, quase todos municípios mineiros estão observando o princípio da transparência e disponibilizando os referidos relatórios ao TCEMG, para que este possa cumprir a sua missão de controle da gestão fiscal. Em síntese, o acesso aos dados da gestão fiscal desses entes federados, municípios e Estado, permite a criação de informação e de conhecimento, que são elementos essenciais à transparência, à cidadania e à democracia.
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Terça-feira, Maio 20, 2008
ARTIGO ESPECIAL. Foi enviada ao nosso BLOG DE NOTÍCIAS pelo consultor empresarial Wagner Gomes. Vale conferir!
PATRUS ANANIAS. O Fator Surpresa?
Wagner Gomes
 Na política, não existem movimentos espontâneos. O que se observa, nas escaramuças tornadas públicas, é um jogo de bastidores que se transforma em um xadrez de grandes mestres.
O Governador José Serra percebeu a engenharia política orquestrada em Minas (a aproximação do Governador com o Prefeito Fernando Pimentel), e contra-atacou costurando o apoio de Orestes Quércia ao seu candidato "in pectoris" Gilberto Kassab em São Paulo, deixando irritado o candidato de seu partido, Geraldo Alckim, aliado natural de Aécio Neves.
Cada vez mais a sucessão política ganha contornos de um grande jogo, que aguça os articulistas de plantão e provoca a imaginação pública ao instigar suas preferências, em pesquisas dirigidas a forjar candidatos imbatíveis. Mas uma coisa parece convergir na análise dos acontecimentos políticos: O Presidente Lula e os Governadores José Serra e Aécio Neves são, indubitavelmente, os principais jogadores no momento.
No entanto, de maneira incipiente, dois novos jogadores - os Ministros Patrus Ananias e Dilma Rousseff -, podem emergir nesse cenário, cada vez mais controlado pelo instinto político do Presidente.
Diante do quadro que já está colocado, o maior novo jogador é o Ministro Patrus Ananias, e é aí que sua oposição ao acordo político entre o Governador Aécio Neves e o Prefeito Fernando Pimentel fica mais clara.
Esse acordo só faz sentido se visar uma perspectiva de Pimentel e Aécio caminharem juntos rumo ao Governo de Minas e do Brasil, em 2010.
Porém, a dinâmica política não pode alijar o voraz apetite do Presidente mais popular que o Brasil já teve, depois de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek, que se mostra muito atento a sua crescente popularidade, difícil de ser estancada com tantas e tão boas notícias geradas pela economia em sua administração.
O fato é que, tanto Aécio Neves como José Serra já perceberam que a luta a ser travada é agora, pois terão que encarar a rara oportunidade da ausência de Lula em 2010 para viabilizarem o sonho da Presidência.
Os movimentos gerados pelos dois principais candidatos do PSDB deixaram fraturas expostas que extrapolam o PSDB e se irradiam aos componentes das alianças em andamento, com feridas cujas cicatrizações, certamente, demandarão um pouco mais de tempo.
A Ministra Dilma, pouco afeita à vida política, embora já tenha demonstrado competência como executiva do poder público, não consegue ser popular.
Já Patrus Ananias, membro da Academia Mineira de Letras, que se tornou o Deputado Federal mais votado da história de Minas Gerais, tem forte apelo político.
Integridade acima de qualquer suspeita, o Ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome pode, facilmente, com uma boa mídia e com o apoio do Presidente Lula, se tornar o Pai do Bolsa Família, com chances reais de se eleger através de um raciocínio bastante simplista: atualmente o programa beneficia onze milhões de famílias e, a partir deste ano, pretende incorporar a esse universo os adolescentes maiores de dezesseis anos.
E olhe que o acordo selado em Minas poderia ser implodido se o Ministro Patrus assumisse a sua própria candidatura. Ao se recolher, guardou-se para uma eleição bem mais importante.
Lembram-se de que o Bolsa Família, antes que o Patrus assumisse o Ministério, vivia nas manchetes, pejorativamente?
Pois bem, ele pôs o programa para andar e o tornou a vedete do atual Governo. Nada mais natural que ele se torne o herdeiro da popularidade de Lula em todo o País. E a igreja católica que, ultimamente, anda tão recolhida, teria nele, pela notória identidade de princípios, o seu melhor candidato.
Quem sabe, na cabeça do Presidente que tanto seduz, e ao mesmo tempo intimida os presidenciáveis Aécio Neves e José Serra, essa equação já não esteja montada, à espera do momento adequado para se tornar pública?
Quem melhor guardaria a Presidência da República até o seu retorno em 2015, talve
Comentários |
#1. Roberto M. - (robema@bol.com.br) Grande Wagner:
Você está se revelando um analista político dos melhores. E sua linha de raciocínio, além da coerência, é fácil de assimilar. Continue a nos brindar com seus artigos. Quem sabe produzidos com uma bola de cristal? Abraço Matheus
#2. Heloísa Netto de Castro - (heloisanetto@terra.com.br)
Wagner ---Excelente partida de Xadrez Não há o que acrescentar Parabéns Heloísa
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#3. José Luiz Gomes Rôlo - (grandaze@ig.com.br) Nobre amigo: Não sabia de suas potencialidades como analista político. Carlos Chagas e Nêumane que se cuidem. Abraços José Luiz Gomes Rôlo
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#4. Elder - (Email não informado) Wagner, Parabéns pelo artigo. Como sempre brilhante. Um abraço. Elder.
#5. Rawlinson - (rawlinso@uaigiga.com.br) Agora vemos melhor qual é sua praia, primo. Vá em frente!
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#6. André - (andrersvp@hotmail.com) Prezado Wagner: Ao ler o seu artigo, me lembrei de um poema do Affonso Romano de Sant´Anna, que termina assim: "Algo já está em movimento e não há jeito de estancar. A isto uns chamam de sorte, azar ou destino. A isto os gregos chamavam de tragédia: Aquilo que foi posto em movimento com a ajuda dos Deuses e Deus algum pode alterar." Creio ser essa a ilação extraida de seu artigo. Tomara que assim seja. Abraço André
#7. Vicente de Paulo Zica - (zicavicente@yahoo.com.br) Como sempre, suas percepções detêm uma lógica inquestionável. Se fosse para apostar, eu apostaria. Abraço. Zica
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#8. Mário Alaor - (marioalaor@yahoo.com.br) Wagner, Sobre o seu artigo eu digo apenas o seguinte: Não há controvérsia.(Embora eu torça contra). Parabéns! Mário Alaor.
#9. Ricardo - (ricardorj7@hotmail.com) Wagner: Interessante notar que, diferentemente de tantos outros analistas que escrevem sobre a temática política, você costuma imprimir aos seus artigos um estilo que dá sustentação ao que argumenta. O seu texto é amparado por aspectos objetivos, que conquista a nós leitores, e lhe confere a necessária credibilidade,que caracteriza o articulista isento. Não é preciso concordar contigo, mas simplesmente acreditar que abordando vários spectos, induz o leitor ao raciocínio e concluões próprias. Parabéns. Algo de novo está surgindo através de voce. Ricardo
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Sexta-feira, Maio 30, 2008
ARTIGO ESPECIAL
Sobre a sociedade da competição (o totalitarismo sorrateiro)

José Luiz Quadros de Magalhães Mestre e Doutor em Direito Constitucional pela UFMG. Desaprendemos a conviver com a diferença. Na sociedade de consumo contemporânea somos levados a sempre escolher "o melhor". Nos programas de televisão não se escuta simplesmente uma musica. Este prazer de ouvir uma musica vem acompanhada quase sempre com a escolha do melhor cantor, a melhor musica, o melhor calouro.
A competição é alimentada em todo momento, em todas as atividades. Na escola é escolhido o melhor aluno, a melhor composição, a melhor monografia, a melhor nota em cada matéria. Esta competição permanente nos leva inconscientemente a reprodução da lógica do melhor em quase tudo: quem é o nosso melhor amigo?
Qual a melhor pizza da cidade? Qual o melhor churrasco? E o melhor tempero? A melhor cerveja, o melhor escritor, o melhor livro, o melhor argumento, o melhor candidato, o melhor professor, o melhor samba enredo e a melhor escola de samba, o melhor...
Não é necessário mencionar que o que é melhor para um não o é para o outro e é essa impossibilidade momentânea de construir um consenso sobre o que é melhor que ainda nos salva do totalitarismo. O problema será o dia quando todos acordarem sobre o que é o melhor.
Uma sociedade que sempre escolhe o melhor corre o risco de no final ficar com uma única pizza, um único estilo de musica, uma única cerveja, um único argumento e etc. A diversidade é muito rica e se construímos uma sociedade onde só há espaço para os melhores negamos a diferença, a diversidade e nos submetemos ao conceito majoritário do que é melhor. Porque tem que ter sempre o melhor?
Podemos comer uma pizza hoje e outra amanhã, ou ouvir uma musica hoje e outra amanhã. Se sempre escolhemos o melhor escolhemos um vencedor, o que faz do outro perdedor, categoria que desqualifica e tende a excluir. O diferente, perdedor, desta sociedade do numero 1 tende a desaparecer, ou no mínimo ser esquecido.
Este ensaio publicado neste espaço tem que se conformar aos padrões do que é melhor. Tem que ter uma introdução, por isto escrevi aí em cima INTRODUÇÃO, um desenvolvimento, e uma conclusão. Em muitas publicações exige-se um resumo, um abstract, palavras chave, bibliografia, seguir as regras da ABNT, ser escrito em "Times New Roman", citar outros autores e repetir o que eles disseram, etc, etc, etc... E se não citar um monte de autores considerados os melhores pensadores, aí acabou tudo. Não vale nada.
Já que é para citar, o filosofo Jean Claude Milner em entrevista ao Le Monde (Le Monde des livres, 28.02.2008, mis a jour le 06.03.08) se pergunta: Quando vamos parar de nos fixarmos na finalidade de dizer bem o que já foi dito?
Por este exemplo, é possível notar a superficialidade, a limitação, o aprisionamento do pensamento, e como nos obrigam, por meio de um consenso minoritário, diante do qual a maioria se cala, a nos enquadrarmos às regras que devem ser utilizadas para ensinar crianças e adolescentes a pensarem com lógica.
O império da forma sobre o conteúdo e o livre pensar. Esta é uma forma de como a escolha do melhor, no caso da melhor publicação, pode impedir que tenhamos acesso ao novo, ao livre, ao diferente.
A história do pensamento científico tem nos mostrado nos últimos séculos que uma idéia, uma teoria que se tornará majoritária nasce minoritária e quando se torna amplamente aceita como sendo a melhor é porque já está no momento de ser superada. Podemos citar muitos exemplos conhecidos como Galileu, Newton, Kant, Marx, Freud e muitos outros.
Não estamos afirmando que a maioria é burra (a unanimidade com certeza é irrefletida), mas a maioria nunca esteve na vanguarda de nada. As novas teorias, as novas idéias filosóficas, políticas, econômicas têm que envelhecer para serem compreendidas e aceitas, o que significa que já estão no momento de renovação, de superação ou transformação.
Uma sociedade que aprende a conviver com a diversidade, com a incerteza, com a pluralidade pode fazer com que estes processos de transformação sejam menos dolorosos, tenham um custo social e pessoal menor. As pessoas não deveriam ter que morrer ou serem condenadas ao isolamento para que as coisas mudem.
Ao contrário, uma sociedade que vive sempre em torno da idéia de escolha do melhor corre o risco de se tornar monocromática, monótona, lenta e conservadora.
Voltemos à idéia do que é melhor? Quando uma idéia política se torna hegemônica como o liberalismo hoje ou o nazismo na Alemanha de 1933, significa que esta idéia vitoriosa é a melhor? Os seus argumentos foram capazes de convencer e envolver milhões. Como? Por quê?
Efetivamente porque foram percebidos como sendo os melhores. O importante é entender como ocorreu esta percepção do que é melhor. Os consensos ou as maiorias históricas são construídos sobre verdades reveladas ou sobre encobrimentos estratégicos? É possível imaginar que nas sociedades complexas contemporâneas o jogo político é construído sobre uma honestidade de intenções?
A questão não é esta embora a pergunta continue pertinente. O problema reside no fato de que as condições de percepção do mundo, das idéias, das pessoas, são variadas, diversas, são mundos de percepção distintos reforçados pelas grandes metrópoles, pela sociedade cosmopolita dos grandes centros urbanos.
A massificação, a busca da homogeneidade como forma de construção de consensos tem repercussões perigosamente totalitárias como a hegemonia irrefletida, fundada no desejo, da sociedade de consumo neoliberal contemporânea.
Slavoj Zizek nos traz uma importante reflexão sobre esta questão. Visitando Freud e o livro dos sonhos o pensador nos mostra que o processo de construção de maiorias políticas pode ter em diversos momentos históricos (inclusive na hegemonia neoliberal atual) um perturbador e sofisticado processo ideológico de distorção do real com conseqüências poderosas.
Zizek nos mostra por meio de um diálogo com Freud, que os sonhos são manifestações, muitas vezes, de medos e desejos presentes em uma estória que reflete experiências diárias que muitas vezes não têm relação direta com o desejo e o medo que se esconde ali. Em outras palavras, nós construímos uma estória na qual estão presentes os nossos medos e desejos que se escondem naquele desenrolar de fatos criados muitas vezes em uma estória que se perde no seu desenvolvimento.
Para encontrar estes desejos e medos é necessário encontrá-los escondidos nas entrelinhas desta estória.
Trazendo isto para a política, podemos exemplificar, como faz Zizek, com o nazismo: a sociedade alemã vivia o desemprego, a violência, o caos e a humilhação, o Partido Nacional Socialista Operário Alemão (que não era nem socialista nem operário) construiu uma estória na qual cabiam os medos e desejos daquela sociedade naquele momento. Como fazer milhões de pessoas seguirem suas idéias? Criando uma estória onde os desejos e medos de milhões de alemães estejam presentes.
Esta estória terá então o condão de levar as pessoas, na busca da realização de seus desejos e superação de seus medos, na direção dos interesses de quem criou a estória. Nesta estória o estrangeiro, o judeu é responsável pelo desemprego; o operário é tão alemão quanto o empresário e o inimigo responsável pelo desemprego e insegurança são as potências estrangeiras. Mesmo sendo falsa a estória, a crença na estória construída, mostra que a solução dos problemas que os afligem está na expulsão dos estrangeiros e especialmente os judeus.
A estória contada repetidas vezes legitima ações que em nada podem efetivamente solucionar os seus medos e satisfazer os seus desejos, mas o importante é que a maioria acredite nisto. Enquanto milhões se mobilizam em torno desta estória, aqueles que detém o poder realizam seu desejos e se protegem dos seus medos.
Transferindo para a contemporaneidade brasileira, a construção da estória hoje hegemônica na imprensa conservadora, de que podemos resolver o problema da insegurança nas grandes cidades com mais polícia, mais direito penal, com o encarceramento em massa, criando personagens que fogem da noção de humanidade como o bandido, o monstro violento, o menor infrator e outras nomeações simplificadoras, toda uma política estatal é justificada e defendida pela maioria, que é incapaz de perceber que está agindo contra seus próprios interesses.
Esta construção de estórias pode ajudar a explicar porque milhões de pessoas agem contra seus próprios interesses, repetidas vezes na história da humanidade: é uma minoria que constrói as estórias que absorvem desejos e medos de uma maioria, direcionando estes para outras finalidades que correspondem obviamente aos interesses desta minoria.
Este jogo de construções de "verdades" ideologizadas, distorcidas, faz com que a percepção do melhor seja comprometida pela vontade de poucos.
Como dito, o grupo que assume o poder do Estado (e não só o poder do Estado mas o poder econômico) cria uma estória para coordenar. Invade este espaço pessoal de construção de sentidos, de coordenadas e impõe suas próprias coordenadas. Zizek se refere ao totalitarismo nazista desta forma.
Este poder toma os medos e desejos da população e dá um sentido, constrói uma estória. Para isto Zizek usa o exemplo de Freud no livro dos sonhos: os desejos e medos estão contidos em uma estória, um sentido que nossos sonhos criam. Para descobrir estes desejos é necessário encontrá-los em meio à estória. A estória criada encobre os desejos. A estória não tem relação direta com os desejos ali escondidos.
Nas palavras de Zizek, quando este se pergunta por qual razão as idéias dominantes não são as idéias dos dominantes: "... cada universalidade hegemônica deve incorporar ao menos dois componentes particulares, o componente popular 'autêntico' e sua 'distorção' do fato das relações de dominação e exploração." (Pladoyer en faveur de l'intolerence", editions Climats, Castelnau le Lez, 2004, page 25)
Zizek observa que o fascismo manipula os autênticos desejos populares de busca de comunidade e de solidariedade social contra a competição feroz e a exploração deformando a expressão deste desejo com a finalidade de legitimar a perpetuação das relações de dominação e de exploração social.
Logo a hegemonia ideológica não se constitui no caso onde um componente particular ocupa o vácuo de um universal vazio, mas sim, antes, a universalidade ideológica testemunha a luta entre ao menos dois componentes particulares: o popular exprimindo os desejos secretos da maioria dominada e o específico exprimindo os interesses das forças de dominação.
Zizek menciona como exemplo o cinema demonstrando como este pode despertar um desejo e ao mesmo tempo nos diz como desejar. É tudo que o poder dominante quer: não só dar um sentido, construir coordenadas a partir dos desejos existentes, mas também criar desejos e dizer como desejar. O que o nazismo fez foi oferecer uma estória, dar um sentido que atende aos interesses da classe dominante aos desejos inconscientes das pessoas.
Retomando Freud, Zizek explica que há uma distinção entre pensamentos "latentes" do sonho e o desejo inconsciente expresso em um sonho. É FUNDAMENTAL DIFERENCIAR A ESTORIA DO SONHO, O TEXTO EXPLÍCITO DESTE, DOS PENSAMENTOS LATENTES MANIFESTADOS NESTA ESTÓRIA.
De uma maneira semelhante não há nada de fascista ou de reacionário no pensamento latente (do sonho) da ideologia fascista, no desejo de comunidade e na solidariedade social. O que explica o caráter propriamente fascista da ideologia é a maneira como este pensamento latente é transformado e elaborado pelo (trabalho do sonho) texto ideológico explícito que procura legitimar as relações sociais de dominação e exploração.
O mesmo pode ser aplicar ao populismo direitista de Sarkozy ou Berlusconi ou o neoliberalismo dos anos 90 até hoje, ou o ultra-conservadorismo de Bush, etc, etc...
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Terça-feira, Junho 3, 2008
ARTIGO ESPECIAL. Para LER e PENSAR!!!

ARTIGO ESPECIAL
Convergência, eletricidade e TV Legislativa Digital * Rodrigo Lucena
Quais seriam os próximos passos das assembléias legislativas estaduais neste caminho de diálogo com a sociedade?
A pergunta me foi dirigida por ocasião de um seminário sobre convergência digital. Expressão do momento, a convergência de mídias é mais um desafio do que uma realidade. Mas será uma realidade, inequivocamente, quando todo esse grande bolo de informação, equacionada numericamente, estiver disponível a partir de um simples aperto de botão.
E como as assembléias legislativas estão se posicionando ante essa perspectiva?
Arrisco-me a dizer que vamos bem obrigado, mas precisamos avançar.
Se é verdade que a convergência só se dará, de fato, quando os meios de acesso forem tão simples como ligar uma luz, daí a expressão "informaticidade", cunhada pelo engenheiro Sílvio Meira, um grande especialista nesta área, a televisão tem enorme vantagem sobre todos os outros meios, por ser uma velha conhecida das famílias brasileiras, em 99% dos lares.
Depois da grande conquista para a comunicação do Parlamento que foi a inclusão das televisões legislativas no serviço de TV a Cabo, isso há 13 anos, e com o avanço dessas emissoras para um público significativamente mais amplo, com a outorga de canais geradores abertos para algumas assembléias e sua exposição na Internet, nos colocamos, agora, diante do maior desafio: a TV Digital.
Este é o momento de definirmos como as casas legislativas vão se posicionar no futuro que se avizinha, quando acontecer a popularização dos meios digitais de comunicação de massa. É o ponto de partida para pensarmos na convergência, de fato, e na criação das inúmeras possibilidades de diálogo com a sociedade que essas ferramentas vão nos proporcionar.
Pensar a participação das assembléias neste modelo é uma tarefa que exige desprendimento por parte dos seus atuais dirigentes. O agente político sobrevive de resultados imediatos. Mas não há qualquer sinal de que a popularização da televisão digital seja uma realidade em menos do que 5 ou até 10 anos. O problema é que não dá para esperar. O sistema analógico nos ensinou que quando um canal de televisão torna-se um grande ativo financeiro, o interesse público se torna refém de outros interesses e, não obstante a lei, passa a um segundo plano.
O que está na pauta dos técnicos responsáveis pelas emissoras legislativas é a construção de um modelo de implantação de TV Digital que seja capaz de atender a todos. Contudo, um modelo que seja viável economicamente, a ponto de alimentar o sonho de se construir uma rede de transmissores digitais com capilaridade suficiente para atingir a grande massa de pessoas que continuam desprovidas da informação de boa qualidade que é transmitida hoje pelos veículos de comunicação do parlamento brasileiro, em todas os níveis e esferas.
Em termos de convergência, o fato é que precisamos agir, hoje, pensando num horizonte de mais de 10 anos. Restará à classe política e aos atuais presidentes das assembléias o registro histórico da inovação.
*Rodrigo Lucena. Diretor da Associação Brasileira de Televisões e Rádios Legislativas – Astral Diretor de Rádio e TV da Assembléia Legislativa de Minas Gerais
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Sexta-feira, Agosto 15, 2008
ARTIGO ESPECIAL enviado aonosso BLOG pelo consultor empresarial Wagner Gomes.

O Professor do Tempo Wagner Gomes
"Mas que é a vida senão uma combinação de astros e poços, enlevos e precipícios? O melhor meio de escapar aos precipícios é fugir aos enlevos." Machado de Assis Conheci o Dr. Ivo Pitangui há mais de uma década, em sua residência na Gávea, quando ofereceu um coquetel aos integrantes de um congresso de cirurgia plástica, ocorrido no Rio de Janeiro.
O mesmo e comum amigo que à época nos apresentou, Dr. Sebastião Nelson Guerra, hoje Secretário Geral da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, sabendo de minha admiração pelo Professor, brindou-me com novo encontro, em evento que promoveu na qualidade de principal dirigente do Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital Mater Dei, em Belo Horizonte.
Nessa oportunidade fui distinguido com a honra de receber, do próprio autor, o livro Aprendiz do Tempo, no qual condensa suas Histórias Vividas, com amável dedicatória. Percebe-se em sua leitura que o autor consegue nos envolver em sua narrativa autobiográfica, com tanta coerência e tantos detalhes entrelaçados de tal forma, que tudo ocorre naturalmente.
Personagens entram e saem enquanto conta suas histórias que, em paralelo, ainda celebra a arte em todos os seus seguimentos, como coadjuvante de seu trabalho científico, que se vai consolidando ao longo do tempo.
E o mestre se mostra perfeito ao produzir relatos de situações ao contar idas e vindas, sem deixar o leitor perdido. Emprega, sem pudor, recursos da sinestesia ao cruzar sensações que misturam realidades e suas percepções únicas, que se tornam múltiplas na mente de quem as lê.
Por dominar um estilo poético, presenteia-nos com textos de grande beleza, até quando materializa a profanação de um corpo com o bisturi, ou quando descreve os procedimentos de uma intervenção nos queimados de grande porte, dando vida à leitura, ao conseguir explicitar que procura, com essas intervenções, a harmonização da alma com sua forma.
Trajetória científica instigante, essa que nos relata, através de seus passos que se iniciam em Cincinnati(1948-Ohio), nos Estados Unidos, passando por Minnesota e Nova Iorque, para retornar ao Brasil em 1949 e criar o Serviço de Cirurgia da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, dando alento aos carentes que sofriam de deformidades físicas.
Começa a tomar forma a vocação desse baluarte da medicina, em busca da perfeição, na arte em que se envolve e que desenvolve. Em 1950, torna-se visiting fellow de Marc Iselin, ocasião em que freqüenta cursos na França e Inglaterra.
No Brasil, atua no Serviço de Queimaduras e de Cirurgia Reparadora do Miguel Couto e se torna o Chefe de Cirurgia Plástica e Reparadora da Santa Casa. Cria o curso de pós-graduação na Pontifica Universidade Católica do Rio de Janeiro, integrado à enfermaria da Santa Casa, começando então a formar turmas que disseminam sua técnica por mais de quarenta países.
Tudo isso e muito mais se percebe na leitura desse livro, que traz, ainda, sua comovente história de amor por Marilu, sua musa e companheira por todo o sempre, desde que se conheceram. E quem se dedicar a essa leitura irá perceber que a dimensão do Professor Ivo Pitangui, também, se revela na solidariedade e na ética.
Sua consciência ecológica se faz presente no povoamento de sua ilha em Angra dos Reis, promovendo a interação do ser humano e dos animais com a natureza. Antecipar algo mais soa como uma indelicadeza a quantos ainda irão ter o prazer de ler esse livro que, por si só, já justificaria a imortalidade do autor, conquistada através da ocupação da cadeira de número 22 da Academia Brasileira de Letras, em 1990.
Um homem à frente de seu tempo, que se torna cidadão do mundo sem deixar de ser mineiro na vida, só pode, assim, ser definido: "Tanto nomini nullum par elogium".
Comentários |
#1. Angela Maria da Silva E onde consigo encontrar esse livro? Está a venda nas livrarias? Pela crítica tão bem articulada, pelo autor que é verdadeido ícone brasileiro e por todas as demais circunstâncias que o críticio deixa nas entrelinhas, parece-me que esse livro logo se tornará em verdadeiro fenônemo de vendas.
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#3. Patricia Conheço e admiro , como todo brasileiro, o mestre Ivo Pitanguy. E conheço bem, e admiro muito, meu primo Wagner. E por conhecer e admirar os dois, devorei a crítica com os olhos, na esperança de logo devorar o livro também!
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#4. Heloi´sa Netto de Castro Parabéns Wagner Você revelou,com brilhantismo,a arte de julgar o mérito da obra científica e literária do Prof. Ivo Pitanguy
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#5. Virginia Abreu de Paula Fiquei com a impressão de que eu também gostaria de ler esse livro. Onde ele nasceu? Seu pai residiu em Pirapora por algum tempo, época em que meu pai o conheceu. |
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Terça-feira, Agosto 26, 2008
Coluna do nosso parceiro de blogosfera, o vice-prefeito de Bh, Ronaldo Vasconcellos. Vale conferir!
Vice-presidente PV/ BH, engenheiro eletricista (1973), professor universitário, vice-prefeito de B.H. Fale com o Ronaldo: ambito@terra.com.br
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Fumo I: ataque. Após 24 horas sem fumar, diminui muito o risco de um ataque cardíaco (Sociedade Americana do Câncer). |
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Fumo II: dispnéia. Se você deixar de fumar entre um e nove meses, acontece a diminuição da tosse, da congestão nasal, da fadiga e da dispnéia. O movimento ciliar dos brônquios volta ao normal, limpando os pulmões e reduzindo os riscos de infecções respiratórias. Há ainda um aumento da capacidade física e da energia corporal (Sociedade Americana do Câncer). |
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Fumo III: data comemorativa. No próximo 29 de agosto (sexta-feira) vamos "comemorar" o Dia Mundial de Combate ao Fumo. Precisa dizer mais alguma coisa? |
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Economia Verde: Econologia. É na realidade, uma tomada de consciência do fato de que as medidas ecológicas podem ser rentáveis. Resultado: várias indústrias têm modificado seu comportamento nesse sentido. |
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Um bom exemplo. Foi dado no VII Fórum de Postos de Combustíveis do Leste Mineiro e Vales do Aço e do Mucuri, realizado em Ipatinga no dia 22 de agosto (sexta-feira). O tema principal da programação foi a preservação do meio ambiente, que já se tornou lema e até slogan do Minaspetro – "Responsabilidade socioambiental, uma bandeira do Minaspetro". Presenças da Feam, da Supram e desse colunista ambiental. Exemplo a ser seguido / copiado por outros setores da economia mineira, no caminho de econologia (ver item 4). Bola Verde! |
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Meio Ambiente: conceito legal. É o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas suas formas (Lei 6938/81, da Política Nacional do Meio Ambiental). |
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Outro conceito: direito ambiental. O Direito Ambiental, como o meio ambiente, não possui um conceito preciso acerca de sua definição. Contudo, pode-se afirmar que o Direito Ambiental trabalha as normas jurídicas dos vários ramos do direito, bem como se relaciona com outras áreas do saber humano como a biologia, a física, a engenharia, o serviço social, etc. É, portanto o Direito Ambiental uma matéria multidisciplinar que busca adequar o comportamento humano com o meio ambiente que o rodeia. Outra importante constatação é o fato de ser um direito difuso, ou seja, pertence a todos os cidadãos e não a uma ou outra pessoa ou conjunto de pessoas discriminadas. |
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Empreendimento: cronograma x licenciamento. O processo de licenciamento ambiental ocorre em três etapas, separadas e sucessivas, em simetria com a tríplice seqüência do cronograma do empreendimento, isto é: 1ª) planejamento: licença – prévia (LP); 2ª) implantação: licença de instalação (LI) e 3ª) operação: licença de operação (LO). |
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Pra você refletir. Sem ser apocalíptico, mas sendo realista é bom sabermos que apesar de nossos sentimentos de invencibilidade e imortalidade, nossa existência é muito mais frágil do que podemos imaginar. Preocupemo-nos. Ajamos! |
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Essa você não conhece. Você já ouviu falar de tecamebas? Eu já. Aprendi com a bióloga Beatriz Souza, em seu livro Guia das Tecamebas: Bacia do Rio Peruaçu (MG). |
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Coluna Verde Divulgue esta idéia. Envie a coluna para os seus contatos. Fale com a Âmbito Consultoria Ambiental Ltda. e-mail: ambito@terra.com.br site: www.ambitoconsultoria.com.br |
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Terça-feira, Setembro 9, 2008
ARTIGO ESPECIAL do economista Sérgio Birchal para nosso BOG. Ele atuou como economista-chefe da FIEMG. Atualmente é professor do IBMEC em Minas. Vale conferir o artigo dele.
QUE BOM SERIA SE PORCOS-ESPINHOS NÃO TIVESSEM ESPINHOS!
O ser humano é por definição um ser social. Precisamos de nossos semelhantes para sobreviver. Quando bebês nós não podemos prescindir do outro para o atendimento das necessidades mais básicas.
A convivência social nos garante proteção, companhia e melhores condições de vida. Nosso padrão de vida material atual, por exemplo, seria inalcançável se tivéssemos que produzir tudo o que necessitamos.
Segundo o ponto de vista econômico, estamos sempre enfrentando tradeoffs (escolhas excludentes). Um dos mais importantes deles é a vida em sociedade. O quanto temos que abdicar de nosso livre-arbítrio para usufruir as benesses da vida em sociedade? Como não há nada de graça, viver em sociedade implica em abrir mão de viver em liberdade "total".
É não ser dono do próprio nariz. Segundo a história econômica contemporânea, a escolha é entre ter um padrão de vida material afluente ou viver próximo do nível de subsistência.
Mas não são apenas os economistas a ressaltarem que a vida em sociedade pode ter um alto custo para o indivíduo. Arthur Schopenhauer, um filósofo alemão do século XIX, traduziu esta dificuldade através da metáfora do porco-espinho:
"Um grupo de porcos-espinhos ia perambulando num dia frio de inverno. Para não congelar, os animais chegavam mais perto uns dos outros. Mas, no momento em que ficavam suficientemente próximos para se aquecer, começavam a se espetar com seus espinhos. Para fazer cessar a dor, dispersavam-se, perdiam o benefício do convívio próximo e recomeçavam a tremer. Isso os levava a buscar novamente a companhia uns dos outros, e o ciclo se repetia, em sua luta para encontrar uma distância confortável entre o emaranhamento e o enregelamento."
Um século depois o fundador da psicanálise voltava ao mesmo tema. Segundo Freud, todo indivíduo é inimigo da civilização, pois em todos nós existem tendências destrutivas, anti-sociais e anti-culturais.
Portanto, travamos constantemente com a civilização uma luta entre nosso isolamento e nossa liberdade. Seja por que ângulo que analisemos a questão, a conclusão é sempre a mesma: há uma contradição intrínseca na vida em sociedade.
Essas contradições ficam mais evidentes e agudas em tempos de transformações sócio-econômicas significativas, rápidas e prolongadas com nos dias de hoje.
Elas nos forçam a mudar a nossa forma de pensar, a nossa mentalidade e o nosso posicionamento diante da sociedade e das relações sociais (as relações de trabalho, de família, as relações amorosas e assim por diante).
Nos últimos duzentos anos houve pelo menos duas transformações de amplitude semelhante à de nossa época, que sacudiram não somente a base material do mundo (principalmente, o Ocidental), mas, também, as estruturas sociais.
A primeira foi quando do surgimento do vapor como fonte de energia e da emergência das estradas de ferro como meio de transporte, na primeira metade do século XIX. Podemos dizer que essa é a fase do capitalismo industrial.
Houve uma enorme mudança na mentalidade das pessoas. Elas deixaram, paulatinamente, de viver no campo e passaram a viver em cidades.
O mundo ainda era dos homens, mas as mulheres davam continuidade à luta por direitos iguais e ganhavam importantes simpatizantes no lado masculino.
A relação com o tempo mudou. Não era mais a natureza que ditava o ritmo do trabalho. Era o relógio. Mudou também a relação com o espaço.
Tal como a Internet, as ferrovias reduziram as distâncias relativas de forma estonteante. Uma viagem de dias passou a ser uma viagem de horas e de melhor qualidade.
Além das ferrovias, podemos afirmar que uma das primeiras formas de comunicação virtual se inaugura com o surgimento do telégrafo. Ou seja, mudaram as condições de consumo, de produção, de comunicação e as relações sociais.
A segunda grande transformação de nossa sociedade ocorreu na virada do século XIX para o século XX. Alguns historiadores a chamam de fase do capitalismo imperialista. Outros a descrevem como a fase do capitalismo trustificado.
De fato, as principais economias capitalistas da época passaram a ser dominados em importantes setores por poucas, grande e poderosas empresas. As grandes corporações surgem como uma resposta à nova dinâmica dos negócios e à crescente complexidade da inter-relação entre tecnologia e ciência.
O vapor é substituído pelo petróleo como a principal fonte de energia. A eletricidade ilumina casas, ruas e fábricas, além de permitir que as pessoas comuniquem entre si em tempo real, independente da distância que as separa. Mais um passo na direção da massificação da comunicação virtual. Mais tarde viria o rádio.
Obviamente, o automóvel também encurta espaços menores que as ferrovias não eram apropriadas e nem econômicas para percorrer. O automóvel dá mais autonomia, mais flexibilidade e mais liberdade de escolha ao indivíduo. Paralelamente, as mulheres no Ocidente, paulatinamente, garantem seu direito de votar e vão para as fábricas substituir os homens que se enfrentam no "front". Mudou-se a relação com o tempo e o espaço. Mudou-se a mentalidade. Mudaram-se as relações sociais. Inexoravelmente mudou o cotidiano e a privacidade das pessoas.
Depois da Segunda Grande Guerra, Elvis Presley surgiu cantando um estilo de música mal visto nos EUA: o Rock'n Roll. Tratava se de uma música negra, mais agressiva com seus acordes mais radicais, usada para contestar a discriminação racial naquele país.
Elvis rebolava enquanto cantava e as mulheres iam, em massa, ao delírio. Talvez este tenha sido o primeiro movimento feminino espontâneo de massa. Na década de 1960 elas enchiam estádios e desmaiavam em bandos, vítimas de crises histéricas em massa por conta de uma certa banda de rock: os Beatles. A liberação da pílula encontrou uma mulher disposta a rasgar o sutiã e estender os seus direitos para as relações amorosas e profissionais. Na esteira do movimento feminista vieram os movimentos reivindicatórios de outros grupos, até então, marginalizados, como os movimentos raciais, étnicos e de diferentes orientações sexuais.
A vida social nunca mais seria a mesma e as mudanças seriam radicais e ocorreriam em menos de uma geração, fato inédito e estonteante. A introdução da televisão e, posteriormente, das transmissões via satélite já apontava o espaço que a comunicação virtual iria ocupar na vida das pessoas.
Depois da ressaca econômica dos anos 70 (incluindo a débâcle do movimento hippie), o surgimento do computador pessoal na década de 1980, o uso em larg
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