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É hoje o coq de abertura da Expo de fotos "O INFERNO DE DANTE" de Valentina Vannicola na Casa Fiat.


Realização da Casa Fiat de Cultura, do Consulado da Itália em Belo Horizonte, do Istituto Italiano di Cultura do Rio de Janeiro e do Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.


Conta com o patrocínio da Fiat e do Banco Safra, e co-patrocínio do Banco Fidis e da Brose do Brasil.


O evento tem apoio institucional do Circuito Liberdade, além do apoio do Governo de Minas e do Programa Amigos da Casa.

 


As obras de Valentina Vannicola na Casa Fiat de Cultura 

O trabalho da artista italiana Valentina Vannicola cria um diálogo entre literatura, cinema, teatro e fotografia.


As imagens, elaboradas como tableau vivants, articulam fragmentos poéticos para evocar histórias clássicas da literatura universal em composições minuciosamente calculadas.


“Para a criação das minhas imagens preciso compor a cena em frente à lente para conseguir a atmosfera certa.


A fotografia encenada não registra a realidade, mas a criação de uma situação em que o artifício, a máscara, o símbolo, a técnica e a interpretação devem ser combinados para criar uma linguagem”, explica.

 

Valentina escolheu sua cidade natal, Tolfa, ao norte de Roma, na Itália, para a interpretação dos condenados e das punições detalhadamente descritas por Dante Alighieri.


A paisagem árida, o céu acinzentado e a retórica medieval serviram de inspiração para as obras, que se destacam pela clareza dramatúrgica e pela composição em um estilo de inspiração surrealista.



Cada um dos 15 registros foi filmado com uma câmera analógica Hasselblad e seus negativos foram digitalizados, pós-produzidos e impressos.

 

Os protagonistas das cenas são atores não profissionais, assim como no cinema neorrealista italiano e nas pinturas de Caravaggio, acrescentando às imagens uma camada social, histórica e antropológica.


Foram os moradores de Tolfa e os membros da família da artista que desempenharam o papel dos condenados e transformaram a obra em um projeto coletivo. Para os figurinos, camisas e calças de lã.


O motivo, segundo a artista, foi concentrar toda a atenção na nudez das almas e nos lugares que os rodeiam. “Na minha interpretação do Inferno de Dante, optei por eliminar de cena as figuras de Dante e Virgílio, quase como se a história fosse feita subjetivamente.


Ao mesmo tempo, escolhi outro tipo de nudez, que não é a literal da carne, mas está ligada à tradição da minha terra, que é o uso de uma segunda pele, comumente usada sob as roupas para se proteger do frio durante o trabalho no campo”, explica.

 

Uma longa fase de estudo, entretanto, precedeu as imagens. O processo passou pelo estudo da obra literária, seleção das partes potencialmente representáveis, criação de esboços preparatórios, storyboard, identificação de locais para o cenário e, por fim, a captura das cenas.


Todos esses passos estão resumidos em um grande esboço preparatório, que também estará em exibição na mostra, e retrata a representação medieval típica do Inferno, a mesma seguida por Dante.


“Em uma figura de cone invertido relatei, de forma estilizada, os cânticos, alguns hendecassílabos de referência, as dores que as almas do submundo estão submetidas e sobre as quais ao mesmo tempo tomei nota dos locais identificados, de outras referências técnicas e elaborei os primeiros esboços preparatórios do que seria, então, o clique final, a cena exata para cada registro”, completa.

 


A expografia 

No momento de planejar a expografia de “O Inferno de Dante – Valentina Vannicola na Casa Fiat de Cultura”, o arquiteto Paulo Waisberg conta que a primeira inspiração veio das obras de Valentina, sobretudo da paisagem desolada escolhida pela artista para a captura das imagens.


Foi da relação entre o material visual e a obra de Dante Alighieri que surgiu um elemento atípico para instalar as 15 obras: a terra.


Da terra, brotam cavaletes que sustentam as imagens, que são abrigadas em uma galeria com paredes e teto pretos, criando um espaço ainda mais dramático


“O espaço imersivo transforma os sentidos e estimula o imaginário. Ao criar essa atmosfera, as pessoas se percebem em um outro lugar e o conteúdo da exposição se amplifica, potencializando a experiência”, comenta o arquiteto.


Outro ambiente foi criado para que o visitante tenha uma contextualização sobre a vida do poeta e A Divina Comédia. Este espaço traz o carvão como elemento expográfico e, no centro da galeria, está o rosto de Dante, extremamente expressivo, “como se estivesse observando tudo o que acontece”, explica Waisberg.


O arquiteto explica que a referência ao carvão surgiu como ideia no início do poema de Dante, quando ele relata estar perdido numa selva escura.


A sala contará com ilustrações de Gustave Doré sobre A Divina Comédia e exibirá trechos do filme L’ Inferno (O Inferno), de 1911, com direção de Giuseppe de Liguoro, Francesco Bertolini, Adolfo Padovan, sendo, provavelmente, a primeira adaptação da obra para o cinema mudo. Além disso, o público poderá apreciar exemplares raros de A Divina Comédia, vindos do acervo da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais.


Dentre eles, uma edição de 1878 escrita por Pier Angelo Fiorentino e com gravuras de Gustave Doré, apontada por Charles Baudelaire, Victor Hugo e Félicité Robert de Lamennais como a melhor tradução da obra de Dante; e uma edição considerada uma das primeiras traduções integrais de A Divina Comédia para o português no Brasil.


Conectado à estética da exposição, um espaço dedicado a leitura, onde estarão à disposição do público exemplares diversos de A Divina Comédia.


Haverá, também, uma mesa sensorial, para experimentação.


Neste espaço, os visitantes poderão tocar em elementos que integram a exposição, como a terra e o carvão, ampliando as possibilidades de fruição e interação com a obra.


Bate-papo de abertura

A abertura da exposição “O Inferno de Dante – Valentina Vannicola na Casa Fiat de Cultura” será marcada por um bate-papo virtual com a artista, em que serão abordados os detalhes sobre o seu primoroso trabalho.

Com formação em Filmologia e Fotografia, seus projetos se concentraram na transposição fotográfica de obras literárias e histórias, reencenadas em tableau vivant.


“O que me interessava era contar histórias, eu sabia que o cinema era a apoteose para fazê-lo, mas sentia a necessidade de trazer a magia cinematográfica para o espaço mais silencioso de uma única imagem”, explica.


Para cada um dos trabalhos, Valentina “alimenta-se” dos estudos em cinema, literatura, pintura, buscando influências no fascínio pelo cinema neorrealista, na atração pelo épico ou pelo simbolismo da pintura sacra, no trabalho de Andrei Tarkovsky, entre outros.


O bate-papo, gravado previamente, será transmitido no dia 28 março, às 19h, pelo canal da Casa Fiat de Cultura no YouTube. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pela Sympla.

 

Lista de obras

  • A entrada para o Inferno

  • Os ignavos

  • A passagem do Aqueronte

  • O Limbo

  • Os luxuriosos

  • Os gulosos

  • Os avarentos

  • Irados e preguiçosos

  • Os hereges

  • Farinata degli Uberti, hereges

  • Os suicidas

  • Taide, bajuladores

  • Os simoníacos

  • Os falsários

  • Mestre Adamo, falsário

Programa Educativo

 

Durante toda a exposição, o público poderá fazer visitas mediadas pela equipe do Programa Educativo da Casa Fiat de Cultura.

 

A mostra será abordada a partir de três eixos:

• Eixo histórico: será abordado o período medieval, a biografia e a relevância do autor para a história da literatura, destacando a Divina Comédia como obra fundamental e atemporal.  

• Eixo técnico-estético: a fotografia encenada será trabalhada enquanto gênero, destacando suas características, bem como seu diálogo com a literatura, o cinema e outras expressões da arte e sua relevância dentro da cena contemporânea.

• Eixo biográfico: apresentará a trajetória de Valentina Vaniccola, seu trabalho e as escolhas que o definem.

 

Dante Alighieri 

Dante nasceu em 1265, em Florença, quando a Europa já se encontrava há quase oito séculos dentro da Idade Média.


Foi poeta, linguista, teórico político e filósofo, e marcou a história da Itália.

Na juventude, participou ativamente da vida política e em 1300, alcançou o cargo de prior, isto é, governador de Florença.


Mas por articulações de seus adversários políticos, sob a falsa acusação de corrupção, foi condenado à interdição aos ofícios públicos, multas, prisão e pena de morte em 1302.

 

Dante escolheu se exilar e jamais retornou a Florença. Passou, então, a viver em várias cidades da Itália e deu início à produção de A Divina Comédia, enriquecida por tantos lugares, paisagens, personagens, guerras e línguas que conheceu.


Esta, que é considerada sua principal obra-prima, contribuiu para a afirmação da língua italiana, ao ser escolhida, em vez do latim, para ser escrita. 

 

Dantedì, o Dia de Dante

O Dia de Dante entrou para o calendário italiano em 2020.


A escolha do dia 25 de março simboliza a “giornata dedicata a Dante”, pois diversos estudiosos indicam que essa seja a data de início da viagem d’A Divina Comédia.


Para marcar o aniversário de 700 anos de sua morte, ocorrida em 1321, uniram-se, em uma iniciativa, parlamentares, intelectuais, acadêmicos e instituições culturais de renome na Itália, solicitando o dia para recordar a genialidade da ilustre personalidade.

 

A Divina Comédia

A Divina Comédia, reverenciada tanto pelo valor poético quanto cultural, segue há séculos como uma das maiores contribuições artísticas da Itália ao mundo, influenciando leitores de todas as épocas.

 

O poema épico, publicado no início do século XIV, narra a travessia do autor ao Inferno, Purgatório e Paraíso. A viagem de Dante é contada em cem cantos, com 14 mil versos, com rimas alternadas e encadeadas em tercetos de hendecassílabos (versos de onze sílabas).

 

A obra foi escrita por cerca de 15 anos e na proposta original, o livro se chamava apenas “Comédia”. A Divina Comédia, como passou a ser conhecida a partir da edição de Ludovico Dolce, em 1555, seguiu a nomeação de Giovanni Boccaccio, que assim a chamou em homenagem à grandeza da obra.



Valentina Vannicola

Graduou-se em Filmologia na Universidade La Sapienza de Roma e posteriormente formou-se na Scuola Romana di Fotografia. Toda a sua prática artística pode ser conduzida ao gênero da fotografia encenada.

 

Seu trabalho foi exibido em várias galerias e festivais. Em 2011, publicou com a editora Postcard, L’Inferno di Dante, com a curadoria de Benedetta Cestelli Guidi. Em 2020, trabalhou num projeto no âmbito do Universo Olivetti.


Comunidade como utopia concreta promovido pelo Museu MAXXI, Fundação Adriano Olivetti e pelo Ministério das Relações Exteriores e Cooperação Internacional da Itália. Em 2021, o Inferno de Dante entrou para as coleções de fotografia do Museu MAXXI.

 

Seu trabalho recebeu vários prêmios, incluindo: Prêmio Combat Prize, menção especial, 2018; primeiro prêmio como melhor portfólio na Fotografia Europea, 2017; Prêmio Fundación Ankaria/PHotoEspaña – Descubrimiento PHE, melhor portfólio, 2017; Prêmio Francesco Fabbri como finalista de Arte Contemporânea, 2012; Prêmio Internacional Limen Arte, 2010; segundo prêmio de melhor portfólio no Festival Fotoleggendo, 2010.


A Casa Fiat de Cultura

A Casa Fiat de Cultura cumpre importante papel na transformação do cenário cultural brasileiro, ao realizar prestigiadas exposições.


A programação estimula a reflexão e interação do público com várias linguagens e movimentos artísticos, desde a arte clássica até a arte digital e contemporânea.


Por meio do Programa Educativo, a instituição articula ações para ampliar a acessibilidade às exposições, desenvolvendo réplicas de obras de arte em 3D, materiais em braille e atendimento em libras.


Mais de 70 mostras, de consagrados artistas brasileiros e internacionais, já foram expostas na Casa Fiat de Cultura, entre os quais Caravaggio, Rodin, Chagall, Tarsila, Portinari entre outros. Há 17 anos, o espaço apresenta uma programação diversificada, com música, palestras, residência artística, além do Ateliê Aberto – espaço de experimentação artística – e de programas de visitas com abordagem voltada para a valorização do patrimônio cultural e artístico.


A Casa Fiat de Cultura é situada no histórico edifício do Palácio dos Despachos e apresenta, em caráter permanente, o painel de Portinari, Civilização Mineira, de 1959.


O espaço integra um dos mais expressivos corredores culturais do país, o Circuito Liberdade, em Belo Horizonte.


Mais de 3,5 milhões de pessoas já visitaram suas exposições e 600 mil participaram de suas atividades educativas. 


SERVIÇOO

Inferno de Dante – Valentina Vannicola na Casa Fiat de CulturaPeríodo expositivo: 28 de março a 28 de maio de 2023Visitação presencial: terça a sexta-feira, das 10h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18hTour virtual no site: www.casafiatdecultura.com.br


Bate-papo virtual com a artista Valentina Vannicola28 de março, às 19h, no canal da Casa Fiat de Cultura no YouTubeIngressos gratuitos com inscrição pela Sympla: bit.ly/BatePapoValentina

Casa Fiat de CulturaCircuito Liberdade.


Fonte:

Raquel Braga

Personal Press

Comunicação

 

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