Carta Mensal do Fundo PORTOGALLO Family Office de janeiro é do economista Alexandre Schwartsman informa ao mercado a CEO Magda Portugal. Vale conferir!!!
- joaocarlosamaral
- 10 de jan.
- 3 min de leitura

Alexandre Schwartsmam+Magda Portugal

CARTA MENSAL
Por Alexandre Schwartsman
Nos dias de hoje
é bom que se proteja (Ivan Lins)
Os desequilíbrios
econômicos se acentuaram em 2025.
Por exemplo, apesar das promessas do governo de equilibrar as contas primárias no ano, os resultados do Tesouro até novembro apresentavam déficit de R$ 82 bilhões (R$ 57,4 bilhões nos 12 meses terminados naquele mês).
A dívida bruta, pela definição empregada no Brasil, atingiu 79% do PIB, aumento de
quase 3% do PIB no ano e mais de 7% em relação ao observado em dezembro de 2022, e deve atingir – segundo projeções do próprio Tesouro Nacional divulgadas em julho do ano passado – mais de 82% do PIB ao final deste ano, alta equivalente a 10 pontos percentuais do PIB.
Da mesma forma, as contas externas apresentaram considerável piora ao longo de 2025.
O déficit em conta corrente, que havia caído para a vizinhança de US$ 22 bilhões no começo de 2024 (em torno de 1% do PIB), ficou pouco abaixo de US$ 78 bilhões nos 12 meses terminados em novembro de 2025, ou 3,5% do PIB.
O aumento do déficit externo (US$ 16,2 bilhões) resultou principalmente da redução do saldo positivo da balança comercial no período (US$ 15,7 bilhões), refletindo forte crescimento das importações, em particular das importações de produtos industriais.
Com a economia operando além do pleno-emprego, a demanda crescente por bens teve que ser atendida pelas importações, enquanto no setor de serviços – em que as importações não desempenham papel relevante – o excesso de demanda implicou pressão sobre os seus preços.
Apesar da inflação (pelo IPCA15) ter ficado em 4,4% no ano passado, a inflação de serviços atingiu 6,1%.
Em particular, a inflação de serviços intensivos em trabalho, mais sensível ao movimento de salários, se acelerou de 5,5% em 2024 para 6,7% em 2025.
A salvação da lavoura veio da… lavoura, que ajudou a trazer a inflação de alimentos consumidos no domicílio de 8,8% para 1,9% de 2024 a 2025, assim como da apreciação do real, que manteve em níveis baixos (em torno de 2,5%) a inflação de produtos industriais no IPCA.
A inflação geral, portanto, ficou abaixo do limite superior do intervalo de tolerância (de 1,5% a 4,5%) da meta (3,0%), mas ainda bastante acima desta, apesar da ajuda da safra, do câmbio e da Selic de 15% ao ano.
De fato, o BC, em seu mais recente Relatório de Política Monetária (divulgado ao final de dezembro) sugere que a economia ainda se encontre sobreaquecida, como se depreende de sua estimativa para o chamado “hiato do produto” (a diferença entre o quanto a economia efetivamente produziu e sua capacidade de produção ideal, que não acelera a inflação), 0,2% no último trimestre de 2025.
É bem verdade que tal estimativa se reduziu consideravelmente comparada à do final do ano anterior e início de 2025 (1,3% e 1,2% respectivamente), mas tenho cá minhas ressalvas quanto aos números do BC.
Diz a teoria (e prática) macroeconômica que o “hiato de produto” se move em direção oposta à taxa de desemprego: o hiato em elevação corresponde a desemprego em queda, e o a redução do hiato (como indicado pelo BC) deve corresponder ao aumento do desemprego.
Ocorre que, na contramão das estimativas do BC referentes ao hiato de produto, a taxa de desemprego registrou queda de 6,5% no final de 2024 para 5,5% em novembro de 2025, já compensadas as influências sazonais.










