Entrevista Exclusiva!!! Aeroporto Indústria. Sobre esta importante conquista para a economia mineira

Entrevista Exclusiva!!!

Aeroporto Indústria.


Sobre esta importante conquista para a economia mineira, através do Aeroporto Internacional de BH, em Confins, construída durante anos, eu entrevistei o ex-sub-secretário de Investimentos Estratégicos do governo mineiro, LUIZ ANTONIO ATHAYDE. Atualmente ele está na iniciativa privada na Héstia, consultoria de governança e estratégica econômica.


A entrevista exclusiva foi dada por Athayde à minha rede de plataformas de Internet que chamo de “guarda-chuva digital” que reúne blog+linkedin+facebook,+twitter+instagran e youtube.


O sonho

que virou realidade!!!

O aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins – BH AIRPORT, acaba de ser certificado pela Receita Federal (RFB) para operar, pela primeira vez no Brasil, um regime aduaneiro diferenciado dentro do perímetro de um sítio aeroportuário.


Vale dizer, em Minas Gerais, com essa implementação, funcionará o conceito de um aeroporto industrial, iniciativa única na América do Sul, para o processamento e fabricação de produtos de alto valor agregado para os mercados interno e externo com o mesmo poder de competição como de outras áreas próximas a aeroportos como Dallas-Fort Worth nos Estados Unidos, Pudong-Shanghai, na China, Changi Airport em Singapura e Mumbai International, na India.


Trata-se de uma excelente notícia para o Estado e mesmo para o Brasil com o seu histórico de regimes aduaneiros burocráticos, o que sempre influiu na baixa capacidade de competição do país, fazendo com que o fluxo de bens com mais tecnologia embarcada sempre custarem mais caro.


Essa conquista, coroa um esforço de muito anos, um sonho que virou realidade, uma iniciativa que inaugura uma nova era e que situa o aeroporto internacional de Belo Horizonte como o mais preparado dentro do país à atração de empresas de base tecnológica para competir, com logística avançada, que não fica nada a dever a outros países, afirma o presidente do BH Airport, Marcos Brandão.


Na memória

É sabido que esse sonho não começou ontem.


Vem desde o ano de 2005 quando o governo do Estado de então, buscando alternativas para incrementar o ‘Elefante Branco que não voa’.


A área de desenvolvimento do estado foi mobilizada para buscar alternativas, missão então confiada ao subsecretário de Investimentos Estratégicos, Luiz Antônio Athayde Vasconcelos que se dedicou com afinco ao tema.


Detalhe: eu, como âncora à época da TV Assembléia e do meu Talk Show “Economia & Negócios” entrevistei mais de uma vez o subsecretário, Luiz Antonio Athayde.


Mobilização

Por anos se promoveu discussões com várias entidades, a ALEMG, governo federal, foram contratados consultores de reconhecida experiência no mundo que acabou por dar o ponta-pé inicial no ambicioso projeto, com consequência direta no processo de concessão do aeroporto, em 2013.


Aerotrópoles

Foi uma época muito fértil quando veio à tona o conceito das aerotrópoles, trazido pelo renomado John Kasarda, o planejamento do aeroporto para os próximos 30 anos, o ordenamento espacial do território ao seu redor realizado pela Jurong Consultants, Lufthansa Consultants, CH2MHill e outras empresas que participaram ativamente de toda a preparação para que a RMBH fosse a região metropolitana do Sudeste do Brasil com melhor capacidade de competição no país.


*Entrevista em primeira mão!!!

Hoje, *Athayde, à frente da Héstia, consultoria de governança e estratégica econômica, convidado para esta entrevista, lembra bem dos desafios enfrentados ao longo de mais de 10 anos e a saga que foi colocar de pé ideias e projetos que começam a dar os seus frutos


ENTREVISTA.

JC Amaral:

Como você vê o projeto do Aeroporto-Indústria agora pronto para sair do papel?


Athayde:

Quem gosta de aviação sabe que a improvisação não alça voo. Estamos agora na cabeceira da pista, prontos para decolar esse projeto.


Ver o BH Airport, com as instalações físicas do seu Aeroporto industrial já implementadas e definitivamente homologado pela RFB para operar, constitui um ativo de extraordinário valor para o desenvolvimento do estado quando é sabido que territórios em qualquer continente competem caninamente por novos investimentos, principalmente aqueles que tem poder de arraste em outros setores.


Tenho grande expectativa do empenho do governo do estado junto aos empreendedores e as entidades de classe ligadas à indústria e ao comércio para se valerem ao máximo dessa vantagem competitiva promovendo e atraindo para o nosso território empresas intensivas em tecnologia onde logística avançada e processos aduaneiros expeditos é variável crítica.


Trata-se de um ativo de grande valor à serviço da dinâmica da economia do século XXI.


JC Amaral:

Há uma história conhecida que começou ainda no final da década dos anos 90 que veio deságuar no aeroporto-indústria ora homologado... conte-nos.


Athayde:

É verdade. A inquietação sobre a diversificação da economia mineira era uma preocupação ainda difusa no limiar do presente século. Não se sabia ao certo por onde começar.


À época, eu era o presidente da MGI S/A e trouxemos o Dr. Juan Tolosa, um catalão especialista na implementação de zonas de exportação para nos auxiliar na aferição da potencialidade do nosso aeroporto internacional, à época, condenado à inanição.


O que calou fundo a todos do governo da época (Azeredo) foi a conclusão de sua consultoria.


Ele sumarizou: ‘Será um erro histórico para com as futuras gerações de mineiros não se valer do modal aéreo, da logística avançada, dos regimes diferenciados e da internet para fincar as balizas da diversificação da economia, principalmente pela excepcionais condições do seu aeroporto internacional’.


Na época também nos ficou muito claro que não era a Infraero quem deveria tratar dessa questão. Desenvolvimento regional, quem cuida é o estado.


No governo Itamar, surgiu a lei do pró-Confins e, nos governos seguintes, Aécio e Anastasia, a coisa acelerou.


Contratou-se as consultorias internacionais mais gabaritadas.


Era inadiável aferir que setores, na nova economia, deveriam ser eleitos e qual seria o seu poder de arraste nos parques industrial e de serviços já existentes em Minas.


O motor de tudo era preparar operacionalmente aeroporto para um salto e agora, pode-se comentar: trabalhou-se para deixa-lo pronto à concessão, um palavrão à época, com enorme oposição da Infraero.


Houve um papel muito relevante da Alemg à época, inclusive em aprovar a lei de ordenamento do solo, consentâneo com os estudos que foram desenvolvidos. Tudo seguiu à risca.


Foram atraídos para o Vetor Norte a área de manutenção dos aviões Boeing, da GOL, o 1º Centro de Engenharia da Embraer fora de São José dos Campos e de resto várias outras empresas ligadas à indústria aeronáutica, foi iniciado a construção do CIAAR em Lagoa Santa ficando pronto o projeto do CTCA – Centro de Tecnologia das Ciências Aeroespaciais, com parte de sua infraestrutura já implementada.


No coração do novo masterplan do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, o aeroporto-indústria! Foi uma saga, houve muito empenho dos governos até 2014, muitas mãos se uniram, a Linha Verde e a LMG foram implementada até se chegar a concessão, exitosa, em 2013, quando a CCR e a Zurich Airports assumiram o aeroporto e foram responsáveis pelo maior investimento privado de todo o estado no período 2015/2018, que todos conhecem.


JC Amaral:

Estamos em 2020. Na sua visão, qual a melhor maneira de otimizar o Aeroporto industrial, recém homologado, em meio de uma onda de choque que varre a economia mundial, com a pandemia do COVID 19?


Athayde:

Bem, de pronto é nos valermos da inspiração de que crise também significa oportunidade. Os danos advindos do tranco da parada brusca por conta da pandemia, ainda não de todo mensuráveis, espero, não traga paralisia à nova dinâmica que precisará ser reestabelecida.


Quem lida com estratégia está mirando vários horizontes pós-crise e, ao que tudo indica, o religar a economia do país deverá ter um foco no investimento em setores da construção cível e pesada, que é empregador e tem grande poder de arraste em outras cadeias.


Mas há um enorme espaço à atração de empresas de alto conteúdo tecnológico, onde o ambiente de produção em área confinada e a adoção de um novo regime aduaneiro, serão diferenciais preciosos.


Só o fato de se imaginar as duas receitas, federal e estadual, operando em real time e de forma integrada no tratamento diferenciado dos tributos e seus sistemas de supervisão operando com forte ferramental eletrônico, despertarão por certo o interesse de empresas.


É preciso promover esse up grade. Destaco o setor de biotecnologia, mais precisamente o segmento de testes e não estou me referindo aos que estão sendo comprados às pressas , por conta da pandemia.


Daqui para frente, a ação preventiva da área da saúde vai ganhar muitos investimentos e terá demanda forte para uma coleção de novos testes que serão encapsulados.


O aeroporto-indústria é um locus ideal e pode ser uma plataforma de produção não só para o Brasil como para a América do Sul e África.


O mesmo vale para medicamentos de contenção e o assembling de equipamentos médicos, de novo com a ascensão da área da saúde.


Numa outra vertente, a manutenção de peças aeronáuticas ganhará impulso e é um momento propício para a atração de uma planta para reparo de turbinas e aviônicos, pois há muito exportação e posterior importação de peças recondicionadas e o tráfego aéreo voltará e com força.


Na área de TI, vem uma nova onda de super laptops, muito mais baratos para dar suporte aos novos usos dessa ferramenta no espaço cibernético.


Por que não uma montadora desses equipamentos dentro do aeroporto-indústria? Na economia também se aplica as leis da física.


Dado a enorme compressão das atividades econômicas que aí está, virá, em algum momento, um distencionamento dessa ‘mola’ quando a vantagem competitiva que o regime aduaneiro diferenciado, agora vigente no BH Airport será precioso.


Até que surja competidores, quando espero que já estejamos muito à frente.


Tenho muito expectativa de que o governo estadual, a RFB, juntamente com a atual concessionária do BH Airport somarão esforços, junto com as entidades de classe à sua efetiva implementação e tal ação possa significar um passo definitivo à diversificação da economia do estado, tão necessária - concluiu

o ex-subsecretário de Investimentos Estratégicos do governo de Minas, Luiz Antônio Athayde Vasconcelos.