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Fiemg!!! EMBAIXADOR NESTOR FORSTER JUNIOR É O PRIMEIRO CONVIDADO DO DIÁLOGOS COM OS EMBAIXADORES



“Hoje entramos em uma nova etapa do Ciclo de Conferências Sobre a Nova Política Externa Brasileira, desta vez com os embaixadores de países chaves para o Brasil”, afirmou Flávio Roscoe, presidente da FIEMG, na abertura da palestra As relações Brasil – Estados Unidos.


Realizado de forma virtual no dia 12/05, com transmissão via FIEMG WEBTV, o evento, que teve como convidado Nestor Forster Junior, embaixador do Brasil nos Estados Unidos, marcou o início da nova etapa do Ciclo, intitulada de Diálogos com os embaixadores.

“A nossa relação com os Estados Unidos é muito antiga e, do ponto de vista da geopolítica, a mais importante do Brasil.


No âmbito comercial, o nosso fluxo com a China cresceu muito nos últimos anos, mas os EUA ocupam, para nossos produtos industriais, uma maior relevância”, afirmou Roscoe, pontuando que dinâmica com a China tende a ser maior nos próximos anos, em função do ritmo de crescimento da economia do país asiático.

Fabiano Nogueira, diretor Consultivo da FIEMG e presidente do Conselho de Política e Mercados Internacionais da FIEMG, também participou da abertura e ressaltou que o desenvolvimento das relações políticas e econômicas do Brasil com os Estados Unidos representam uma parte importante da política externa nacional.


“Os EUA são o nosso segundo mercado para importações e exportações, com um comércio de cerca de US$ 50 bilhões, em 2020.


É nosso principal investidor externo e um aliado importante”, disse ressaltando que o investimento bruto direto dos norte-americanos no Brasil representou, no ano passado, 23% do total de investimentos no país.


"Esperamos que os Estados Unidos e o Brasil possam construir uma agenda de cooperação para os próximos anos”.

O embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Nestor Forster Junior, apresentou a palestra “As relações Brasil – Estados Unidos” e contextualizou, historicamente, as relações entre as duas nações.

“O Brasil tem algo de único em sua relação com os Estados Unidos e tem quase dois séculos de relações comerciais ininterruptas, sendo que os EUA foi o primeiro país a reconhecer a independência do Brasil, em janeiro de 1822”, afirmou.

Em 1876, quando os EUA completaram um século de independência, o primeiro chefe de estado a visitar o país norte-americano foi o imperador Dom Pedro II, que passou mais de três meses lá.


“A primeira constituição brasileira foi inspirada na americana”, lembrou o embaixador.

Segundo Forster Junior, em 1905 foi celebrado o primeiro acordo diplomático recíproco, que elevou as delegações diplomáticas a embaixadas, sendo que o Brasil foi o primeiro país no hemisfério a receber uma embaixada norte-americana.

Outro momento crucial foi o esforço de guerra junto aos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial, em que o Brasil enviou 25 mil pracinhas para lutarem contra o nazismo e o fascismo. Também citou a inspiração no Massachusetts Institute of Technology (MIT) para a criação, em 1950, do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Para o diplomata, existem valores em comum que unem as duas maiores democracias das Américas, que são: manutenção do compromisso com a sociedade, democracia, direitos humanos, estado de direito e a liberdade econômica. “São esses valores que orientam todas as nossas ações externas”.

O embaixador brasileiro nos EUA também pontuou que a relação entre as duas nações cresceu muito, com aproximação entre o ex-presidente americano Donald Trump e o atual presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, que tinham uma convergência de visões, o que trouxe celeridade para a agenda externa brasileira.

Essa aproximação se traduziu em vários resultados concretos, como o acordo de cooperação nas áreas de Defesa e Militar e o Acordo de Projetos de Pesquisa, Desenvolvimento, Teste e Avaliação (Acordo RDT&E), assinado em 2020 e que está em tramitação no Congresso Nacional.


"O Brasil tem muito interesse neste acordo que, além do desenvolvimento de produtos, proporcionará a transferência de tecnologia”.

Também destacou Acordo de Salvaguardas Tecnológicas entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos, que permite que companhias estadunidenses utilizem a base espacial de Alcântara, no Maranhão, para atividades espaciais e o acordo na área da Educação, no âmbito do projeto governamental Ciência na Escola, que possibilita a utilização, pelo Ministério da Educação (MEC), de materiais produzidos pelo Smithsonian Institution, entidade de pesquisa comandada pelo complexo de museus norte-americanos.


Outro destaque foi a iminência da entrada do Brasil no Projeto Artemis, que é um programa de voo espacial tripulado desenvolvido pela NASA, por empresas de voo espacial comercial norte-americanas e parceiros internacionais. Seu objetivo é pousar a primeira mulher e o próximo homem na Lua em 2024 – previsão.

Forster Junior ressaltou que na área de comércio, os americanos continuam sendo os maiores compradores de produtos manufaturados brasileiros.


Em investimento direto estrangeiro, o Banco Central mostra que o estoque de investimentos dos Estados Unidos no Brasil é da ordem de US$ 145 bilhões, o que representa cinco vezes o correspondente da China.


"Isso mostra a grandeza dos investimentos americanos e da profundidade da parceria dos setores privados dos dois países”, afirmou.

Em 2020 foram celebrados três protocolos na área do comércio, nos setores de Facilitação de Negócios, Boas Práticas Regulatórias e Medidas Anticorrupção.


“Esse conjunto de instrumentos já foram encaminhados ao Congresso Nacional como prioridade”, esclareceu. Lembrou que pelo lado Americano estes protocolos são de alçada do executivo, não dependendo de aprovação parlamentar.


Sobre a insegurança quanto à relação EUA e Brasil após a posse de Joe Biden, o embaixador deixou claro que sempre se mostrou cético a uma ruptura, devido a importância e a solidez da relação entre os países.


“Essa relação está acima da política partidária e existe há quase 200 anos”, afirmou, lembrando que no início do mandato de Joe Biden, o presidente Jair Bolsonaro redigiu uma carta cumprimentando e alinhando itens da densa agenda bilateral.


“Essa carta foi respondida, em tom amistoso por Joe Biden, ressaltando os valores compartilhados entre os países, a longa história de ambos e a disponibilidade de trabalhar em conjunto, principalmente no quesito ambiental”, explicou, destacando que o setor de meio ambiente, principalmente no que se refere a matrizes energéticas limpas, representa uma grande oportunidade de negócios entre as duas nações.

Após a sua explanação, o embaixador respondeu às perguntas dos empresários mineiros que acompanharam o evento.

Diálogos com Embaixadores – A segunda palestra do Ciclo de Conferências Sobre a Nova Política Externa Brasileira - Diálogos com Embaixadores será realizada no dia 19/05, às 9h, com transmissão via WEBTV FIEMG.


O tema será As relações Brasil-China e o embaixador convidado, Paulo Estivallet de Mesquita.

O Ciclo de Conferências Sobre a Nova Política Externa Brasileira - Diálogos com Embaixadores é uma parceria entre a FIEMG e a Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG) e tem como mediador Roberto Goidanich, presidente da FUNAG.